O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

terça-feira, 30 de março de 2021

Mestrado em Estudos Nórdicos: seleção digital (2021)

 



Foi publicado o edital de seleção do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões (mestrado e doutorado) da UFPB de 20021, que será totalmente digital, em três fases: análise de plano preliminar (projeto), entrevista e currículo.

 As inscrições vão ocorrer de 29 de abril a 06 de maio de 2021. Interessados em realizar a seleção com projeto de pesquisa em temática nórdica antiga e medieval ou referente à Escandinávia, entrem em contato com professor Johnni Langer: johnnilanger@yahoo.com.br Os temas de interesse para orientação são referentes à mitologia e religiosidade nórdica da Escandinávia Antiga e Medieval. Temas nórdicos na recepção artística também serão aceitos.

Recomendamos aos interessados que entrem em contato prévio com o professor Johnni Langer, com o intuito de definir o tema, fontes e bibliografia para o projeto a ser inscrito na seleção.


Link para o edital (seção: Processos seletivos), clique aqui.




quarta-feira, 24 de março de 2021

NEVE publica novo livro sobre Escandinávia Medieval

 

 
 
 Acaba de ser lançado o novo livro do NEVE: Guia da Escandinávia Medieval: : fontes, temas, métodos, pós-graduações, bibliografias e viagens. 
 
Trata-se de um compêndio e seleção de 44 ensaios publicados no blog do NEVE entre 2012 e 2021, com um total de 561 páginas.
 
Confira os ensaios que compõe a obra:
 
Como escolher um tema e fonte em pesquisa escandinavística.......................................08
Como cursar mestrado em estudos nórdicos no Brasil e exterior...................................16
Traduções e esoterismo na Mitologia Nórdica: alguns cuidados....................................29
Guia de fontes históricas, historiográficas e semi-históricas da Escandinávia Medieval...............................................................................................................................32
Uma introdução às fontes da Mitologia Nórdica..............................................................38
Ritos nórdicos pré-cristãos: guia de fontes e bibliografia.................................................62
Introdução ao estudo das runas e pedras rúnicas: guia visual..........................................74
Como pesquisar pedras rúnicas pela internet..................................................................100
Símbolos mágicos nórdicos: guia visual e histórico.........................................................109
Símbolos Vikings e umbandistas: cópia ou coincidência?..............................................148
Sete erros históricos sobre runas e magia rúnica.............................................................158
Os dez melhores livros sobre runas e magia rúnica.........................................................177
Calendários e festivais sazonais entre nórdicos e celtas................................................185
O Ragnarok é pagão ou cristão?.....................................................................................193
Um vulcão cristianizou a Islândia?.................................................................................201
Mistérios de pedra: os labirintos Sámi...........................................................................209
Os seres espirituais na Religião Nórdica antiga............................................................216
O Bode de Natal na Tradição Escandinava...................................................................237
A rocha da bruxa: um conto folclórico islandês.............................................................246
A Mitologia Nórdica em Gods of War...........................................................................250
A bruxa nórdica de Gods of War....................................................................................272
Representações da feiticeira nórdica nos quadrinhos de Thorgal...............................279
História, anacronismos e ficção na série Vikings..........................................................286
Os Vikings em Santa Catarina........................................................................................312
Quando os Vikings foram cavaleiros medievais!...........................................................316
O pintor alemão que popularizou Wagner e os Vikings...............................................329
Vikings, supremacistas e símbolos nórdicos..................................................................337
17 de Maio: o dia nacional da Noruega..........................................................................351
Living History: uma nova forma de ensinar e pesquisar História................................372
Reconstrucionismo histórico e Arqueologia experimental da Era Viking.................378
Entre tranças e nós: os adornos capilares femininos na Era Viking...........................393
Cinco erros sobre alimentação e bebidas da Era Viking.............................................401
Dieta Viking: o emagrecimento que veio do frio.........................................................409
Reconstituindo uma receita de peixe da Era Viking...................................................413
Recriando a cerâmica da Era Viking: uma atividade em Arqueologia experimental....................................................................................................................417
Os dez melhores filmes sobre Vikings segundo o NEVE............................................420
Dez romances sobre Vikings..........................................................................................432
Dez canções de rock com temática nórdica..................................................................440
Os Vikings nos quadrinhos: uma revisão histórica.......................................................451
Visitando festivais e mercados Vikings na Dinamarca................................................ 457
Guia da Dinamarca Viking: sítios, museus e festivais..................................................468
Mitos nórdicos na Dinamarca: guia iconográfico.........................................................501
Guia da Suécia Viking (região da Escânia): sítios, museus e dicas.............................520
Guia da Alemanha Viking: museus e centros experimentais......................................543
 
 

O livro pode ser adquirido gratuitamente em dois sites/plataformas da interrnet:



 
 
 
 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Reconstituindo receitas da França Medieval



                                                                                                                                         

Luciana de Campos (NEVE)
Mestre em História pela UNESP 
Pós doutoranda em Ciências das Religiões pela UFPB 
fadacelta@yahoo.com.br

No dia 21 de fevereiro, foi realizado um "exercício de arqueologia experimental", onde preparamos um peixe típico das casas aristocráticas francesas dos séculos XIV e XV. A receita foi reconstituída com base no documentário Let's Cook History: The Medieval Feast.

Escolhemos um peixe que mais se assemelhava ao proposto pela receita, no caso, o Salmonete (Mullus suruletus) como ele não é encontrado no Brasil, utilizamos o Pargo (Pagrus pagrus) que deu um ótimo resultado muito semelhante ao original. 

Os ingredientes da receita medieval: farinha, manteiga, limão, temperos e peixe


Foram utilizados quatro filés, pois a receita original leva filés de salmonete temperados apenas com sal e algumas gotas de limão siciliano. Com pouco tempero, fica realçado o sabor natural do peixe. 


O filé de peixe sendo grelhado na fogueira


Depois de temperados, os peixes foram grelhados dos dois lados em um frigideira bem quente com um pouco de manteiga e retirados do fogo. 


Os "envelopes" de massa com os peixes em seu interior


Os filés já bem cozidos foram colocados em um espécie de envelope de massa e foram levados novamente ao fogo. A massa que envolve os filés de peixe é feita com farinha de trigo, manteiga, sal e um pouco de água. Ela é aberta não muito fina e o filé é colocado sobre a massa e coberto com ela e, depois fechado usando um garfo para apertar bem as bordas. O experimento original foi realizado em uma cozinha com forno a lenha, enquanto a nossa recriação empregou fogo de chão.


O envelope de massa é colocado para assar no fogo, fechado e coberto com cinzas

O envelope de massa é colocado na frigideira e, depois coberto com outra frigideira e algumas brasas são colocadas por cima para que a massa cozinhe por igual. Depois de uns 10 a 15 minutos as frigideiras são retiradas do fogo, o filé recoberto com a massa é colocado em um prato e, sobre ele é espalhado um pouco de manteiga com um pouco do suco de limão siciliano. 


O prato finalizado e aberto

A massa, no caso serve como o papel alumínio moderno que é muito comum em várias preparações assadas. O filé é servido e deve ser comido junto com a massa. 

O experimento exigiu tempo e paciência pois o peixe é feito em duas etapas que requerem cuidado no seu preparo - mas o resultado final é muito bom e, apesar dos poucos temperos, o peixe fica muito saboroso e com uma excelente textura, combinando a maciez da carne com o tostado da massa. 

Esse prato utiliza apenas o filé do peixe e não o peixe inteiro e, portanto, remete a um paladar mais refinado como o da aristocracia tardo medieval, que comia muitas vezes em pequenas porções podendo assim desfrutar de várias iguarias em uma mesma refeição. E um detalhe importante: esse prato era servido sobre um prato, geralmente de metal ou, nas casas mais refinadas de louça e era acompanhado de talheres: o garfo e a casa que passaram a frequentar as casas e as mesas mais abastadas que facilitavam a refeição dos comensais e também eram sinais de poder e prestígio. Bem diferente das populações rurais que eram proprietários de pequenas porções terras e que precisam aproveitar integralmente os alimentos e necessitavam muitas vezes de grandes porções, principalmente em ocasiões especiais como os casamentos e os nascimentos.



Reconstituição de receita medieval de peixe envolto com massa e assado na brasa em 2016

Essa receita lembra um outro prato medieval em que a massa, feita apenas com água e farinha e não serve para ser comida é utilizada apenas como um envelope para assar o peixe. Geralmente, esse método é utilizado para assar peixes grandes ou então filés grandes. No nosso experimento de 2016 (baseado em reconstituição do documentário A vida Medieval) utilizamos um filé grande de salmão e ervas frescas como alecrim, tomilho e manjericão além do sal. 


Ingredientes e reconstituição de hipocraz


Para acompanhar, o peixe fizemos também uma outra receita essa datada do século XIV (Almodóvar, 2007, p. 35), que é o hipocraz, uma espécie de vinho adocicado e aromatizado com ervas doces e mel, comum na França e Espanha. Para o preparo do hipocraz foi utilizado uma xícara de vinho tinto seco, meia xícara de água, quatro cravos, uma fatia de gengibre, uma colher de café de alfazema, uma pau de canela, um anis estrelado e uma colher de sopa de mel. Tudo foi misturado e levado ao fogo até começar a ferver. Depois foi tirado do fogo e deixado descansar antes de ser coado e servido. 


Ingredientes e reconstituição de Pomada  


E, claro não podia faltar uma sobremesa! A receita escolhida também é medieval e está presente em vários receituários europeus desde o século XIII (Robert, 2010, p. 53). É um doce de maçã chamado "Pomada" (de pomo, pommes, maçã). Quatro maçãs médias foram descascadas e cortadas em fatias finas e colocadas em uma panela com um pau de canela, uma colher de sopa de mel e duas colheres de sopa de água, levadas ao fogo baixo até desmancharem e, depois de fria é servida. 

Bibliografia:

ALMODÓVAR, Miguel Ángel. La cocina del Cid: Historia de los yantares y banquetes de los caballeros medievales. Madrid: Nowtilus, 2007.

ROBERT, Mestre. Livro do cozinheiro (libre del coch): manual de receitas medievais. São Paulo: Instituto Ramon Llull, 2010.


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