O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Novo estudo do NEVE é publicado na Dinamarca

 



Mais um estudo do NEVE é publicado na Dinamarca. O artigo Valkyries and Danish National Symbolism in the 19th Century, de autoria de Johnni Langer, foi publicado no portal NORDICS.INFO (ISSN: 2597-016X), mantido pela Universidade de Aarhus (Dinamarca).

O estudo analisa as representações visuais e literárias do mito das valquírias no livro dinamarquês Illustreret Danmarkshistorie   for   folket (História ilustrada da Dinamarca para o povo), de autoria de Adam Fabricius, publicado em 1854.


O artigo pode ser acessado em pdf neste site. 


Para a versão original em html, clique aqui.

O mesmo autor havia publicado anteriormente outro estudo na Dinamarca, Unveiling the Destiny of a Nation: The representations of Norns in Danish Art (1780-1850) no periódico Perspective: Journal of art history, mantido pelo Museu Nacional de Arte da Dinamarca. 


terça-feira, 18 de maio de 2021

Estudo do NEVE é publicado na Revista de História Comparada (UFRJ)

 


A Revista de História Comparada (UFRJ) acaba de publicar o artigo RELIGIÃO, VIKINGS E ARTE: REFLEXÕES SOBRE O MEDIEVO NA PINTURA ST SIGFRID DÖPER ALLMOGE I SMÅLAND (1866), DE JOHAN BLACKSTADIUS, escrito por Johnni Langer.

O estudo analisa as representações envolvendo a cristianização da Escandinávia durante a Era Viking em uma pintura sueca do século 19.


O artigo pode ser acessado em pdf neste site.


Resumo: O artigo analisa a pintura São Sigfrido batiza o povo em Småland realizada em 1866 pelo sueco Johan Blackstadius, especialmente os conteúdos envolvendo a religiosidade medieval e temas históricos, como os Vikings e a sua cristianização. Utilizamos como referencial teórico e metodologia de análise os estudos sobre cultura visual de John Harvey. Procuramos também perceber esta pintura dentro da recepção de temas nórdicos medievais pela arte do século XIX, com suas diferenças e descontinuidades, utilizando referenciais comparativos. Nossa principal conclusão é que esta obra esteve vinculada aos ideais do nacionalismo na Suécia, bem como aos temas de conversão na arte pan-escandinava.






sexta-feira, 14 de maio de 2021

Soe o gjallarhorn, Heimdall: a música nórdica na Era Viking

Reconstituição de instrumentos da Era Viking, Destination Viking Association

 

Acessar versão pdf deste ensaio


                                                                                                                 Márcia Gutierrez

Graduada em História pela Universidade da Amazônia (UNAM)



1.       Introdução:

           A música desempenhou um papel de extrema importância no período da Era Viking, sendo presente em todas as esferas sociais daquele período, ela unia a todos para as mais diversas ocasiões, dentre reuniões, comemorações, acordos, festividades e até mesmo nos momentos finais de vida de um indivíduo naquela sociedade, o fim não era simplesmente a tristeza da perda, mas um novo começo para alguém em algum lugar seja no Valhalla, no Fólkvangr ou em Hellheim.

            Achados arqueológicos mostram que a música naquele período foi algo mais complexo do que muitos imaginavam, os nórdicos possuíam um vasto conhecimento musical para a criação de suas canções bem como dos instrumentos musicais que utilizavam para “dar vida” a elas. O que hoje temos de entendimento por lútier como construtor de instrumentos musicais, na Era Viking não tínhamos alguém propriamente responsável por suas construções. Não se sabe ao certo quem os fazia, mas que foram usados por diversas pessoas e dentre eles os poetas denominados Escaldos[i] (TSUKAMOTO, 2018, p.2).

              A construção dos instrumentos musicais utilizava dois principais materiais: a madeira e ossos de origem animal, sendo que cada instrumento musical continha características próprias sendo acrescido ou não de algum detalhe, como a fabricação de maneira rústica, mas que mostravam sinais de um estudo sonoro para que as notas fossem tocadas da maneira correta bem como a posição que se segura cada instrumento. Dentre esses instrumentos de sopro, corda, e percussão, tinham de ter precisão para soarem como desejado pelo usuário (HURSTWICK, 2001).

              Porém, a música também seguiu suas linhas para um instrumento que muitas vezes pode passar despercebido, a voz. O canto foi descrito pelo viajante Al-Tartushi em sua viagem pela Escandinávia nos anos 900 d.c Em seu relato o autor afirmou que nunca tinha ouvido uma música tão horrível quanto dos habitantes do Mar Báltico (acredita-se que mais precisamente ele esteve em Hedeby, Dinamarca, no comércio central). Que segundo ele era “um zumbido, que lembrava o uivo de um cachorro, só que mais bestial”. O mesmo pôde não ter compreendido do que se tratava ou até mesmo descreve o que pensou sobre aquilo que via a partir da visão que tinha sobre o conceito de música, mas para os nórdicos havia prazer em cantar daquela forma, afinal era a forma de se expressarem naquela situação (MUSEET NATIONAL, 2019).


   2. Composições:

           Na Era Viking não houve registros de composições escritas ou traduzidas para tablaturas ou partituras, sendo a segunda o registo mais antigo de tentativa de compreender e visualizar as canções deste período, muitas sendo realizadas no período da conversão dos países Escandinavos ao cristianismo.

            O Códex Runicus[ii] traz uma canção popular chamada “eu sonhei um sonho ontem à noite” (Drømde mig en drøm i nat), sendo esta reconhecida como o registro mais antigo de uma música na Escandinávia (MAGLOR, 2013).

 

 

Fig. 1: Trecho da música Drømde mig en drøm i nat, no Códex Runicus, http://www.vikinganswerlady.com/music.shtml.

 

             Outra composição que chama bastante atenção e que tem sido vista como a possibilidade de nos aproximarmos cada vez mais das formas de se fazer música na Era Viking, é a canção Nobillis Humillis, um louvor a São Magno Erlundsson, que se tornou mártire da Ilha de Egislay durante um conflito com seu primo Hakon pela divisão justa do condado de Órcades. Sendo preservada junto com o Ex Lux Oritur, o hino de casamento da princesa Margaret da Escócia com o rei Norueguês Eric II, no manuscrito de St. Magnus Hymn.

 

 
Fig. 2: Nobillis Humillis no documento de St.Magnus Hym, https://photos.orkneycommunities.co.uk/picture/number900.asp.

 

            Nobilis Humillis tem sido vista como uma composição que causa estranheza, pois não se adapta a audição do que entendemos por música na maioria das vezes, ela possui uma beleza única, mas para quem escuta em uma primeira vez se faz valer do mesmo senso que Al-Tartushi teve do canto dos dinamarqueses (VIKING ANSWER LADY, 2013).

               A música na Escandinávia mostrou-se arqueologicamente possuidora de diversos estilos que hoje definimos como um só, naquele momento houve uma constante troca cultural entre o saber considerado pagão e o saber cristão, no estilo Gymel[iii], de cantar há a presença de musicalidade escandinava como também Anglo-saxã, e o mais curioso ainda é a de que a composição Nobillis Humillis poderia nos revelar que uma música da Era Viking possui a harmonia e outros recursos musicais semelhantes ao do hino Orkney (Séc. XIII), um hino cristão da igreja de St.Magnus (MIDGARD HISTORICAL CENTER, 2001).    

              Outros indícios sobre as formas de como a música na Era viking poderia ter sido tocada, provém de composições da música islandesa na qual um estudo de 1780, feito pelo pesquisador Jean-Benjamin de la Borde em seu livro "Essai sur la Musique Ancienne et Moderne", traz cinco canções com textos em nórdico antigo, sendo três das músicas são trechos da Edda Poética, dos poemas Völuspá e Hávamál. E do poema escaldico Krákumál (Séc. XII), possuindo semelhanças entre si. A quarta canção foi feita para o rei norueguês Haroldo Sigurdsson que reinou de 1046 até 1066. E apenas a última partitura, Lilja, se difere das demais, sendo essa vista como uma música importada de outro país (VIKING ANSWER LADY, 2013).

 

 

Fig. 3: Trecho de partitura contendo parte do poema Völuspá,  http://nibelungsalliance.blogspot.com/2013/02/musica-era-viking.html

 

    3. Instrumentos Musicais:

          Durante a Era Viking o processo de instrumentalização musical se deu em quatro principais categorias: instrumentos de sopro, percussão, corda e o canto (voz). No canto como já citado foi presenciado pelo viajante árabe Al-Tartushi e também há um outro relato do embaixador árabe Ahmed Ibn Fadlan que descreve em um relatório, um canto sendo entoado no funeral de um chefe Rus’[iv]  no ano 920 d.C (AYOUB, 2018, p. 54-56).

“Eles o queimaram desta forma: eles o deixaram os primeiros dez dias em um túmulo. Seus bens divididos em três partes: uma parte para suas filhas e esposas, outras roupas para vestir o cadáver, outra parte cobre o custo da bebida inebriante que consumiram no curso de dez dias, unindo-se sexualmente com mulheres e tocando instrumentos musicais. Depois disso, o grupo de homens que estavam com a escrava fizeram uma espécie de caminho pavimentado usando suas mãos esse pelo qual a menina, colocando os pés nas palmas das suas mãos, subiu no navio. Os homens vieram com escudos e bastões. Ela recebeu um copo de bebida inebriante, ela cantou e bebeu. O intérprete me disse que desta forma se despediu de todos os seus companheiros. Em seguida, lhe foi dado um outro copo, ela pegou e cantou por um longo tempo, enquanto a velha incitou-a a beber e ir para o pavilhão onde seu mestre estava” (FADLAN, 2018, p. 68-70).

                

             3.1. Instrumentos de Sopro:

·         Chifre de Vaca e Chifre de Cabra: Esses instrumentos tem suas origens associadas aos mitos nórdicos sendo o mais famoso o Gjallarhorn do deus Heimdall, o mesmo o usaria para anunciar a batalha final dos deuses no Ragnarök (MIRANDA, 2018, p. 2017).

 

 

Fig. 4: Homem toca uma réplica de um chifre com furos,                                 http://www.vikinganswerlady.com/music.shtml

 

            Feitos dos chifres de vacas ou cabras esses instrumentos possuíam duas variantes uma abertura apenas para sopro e a outra com pequenos furos além da abertura principal variando de 4 a 5 furos (OLSEN, 2018).

·         Flauta: Instrumento mais encontrado do período, a flauta era feita de ossos das patas de animais como a vaca, o veado, a ovelha e grandes pássaros, por isso os exemplares variam de tamanho e forma, a maioria delas é pequena, com 3 furos, mas outros exemplares mostram até 7 furos (BIRDSAGEL 1993,p. 420-423).

 

·         Panpipe: Datada do século X e encontrada em York, Inglaterra, a Panpipe constitui de uma pequena placa de madeira com furos de diferentes profundidades sendo a parte de cima dos orifícios chanfrados para dar conforto aos lábios do usuário, no exemplar encontrado é possível tocar as notas Lá, Si, Dó, Ré e Mi[v].

 

 ·         Skalmejen: Encontrado na ilha de Falster na Dinamarca, causou surpresa nos pesquisadores do local devido ao sua aparência, acredita-se que seja membro da família das gaitas de fole, já que outro exemplar foi encontrado na Suécia com uma possível bolsa de couro detectada nos restos encontrados, porém pode ter sido uma espécie de hornpipe.

 

·         Jaws harp: Harpa de tamanho pequena feita de metal que é tocada com a boca, produzindo um som incomum.

 

·         Lur: Semelhante a uma trombeta porém era feito de madeira, possuí o interior oco e duas metades amarradas na parte de trás por faixas de salgueiro; teria sido usado por fazendeiros para chamar seu rebanho de gado, bem como acredita-se na possibilidade de seu uso para reunir os exércitos de ataque durante o período de guerras (SKJALDEN, 2018).

 

              3.2. Instrumentos de Corda:

·         Lira: Tida como uma espécie de “harpa” é considera nas sagas nórdicas um instrumento de cavalheiros (BIRDSAGEL, 1993,p. 420-423).

·         Tagelharpa: Da tradução harpa de crina, pois suas cordas são feitas da crina de cavalo, o músico Einar Selvik do grupo Wardruna popularizou o instrumento nos dias de hoje.

 

·         Rabeca: Este instrumento teria sido apreciado pelos nórdicos durante uma viagem dos mesmos ao Império Bizantino, semelhante a um violino com som diferenciado do mesmo, os mesmos o incorporaram em suas tradições musicais.

 

 

Fig. 5: Einar Selvik toca a Tagelharpa no Museu do navio Viking em Oslo, Noruega, https://www.youtube.com/watch?v=s2emii9SpBw

            

            3.3.Instrumentos de percussão:

            O tambor nórdico era semelhante ao irlandês bodran e também aos tambores com a cabeça de couro animal usado pelos povos Sami. E eram utilizados em rituais, cerimonias e para composições musicais (SKJALDEN, 2018).

 

Fig. 6: Réplica de Tambor nórdico, http://www.vikinganswerlady.com/music.shtml

 

     

              3.4. Sinos e Chocalhos:

            Encontrados em grande variedade, mas ainda em suposições de estudo, na qual uma delas remete que os sinos faziam parte da produção musical dos nórdicos mas também seriam usados para afastar maus espíritos das crianças ao deitarem na cama (FOLLOW THE VIKINGS, 2019).

 

 

Fig. 7: Adorno com guizos da Era Viking encontrado em Novgorod, Rússia, https://br.pinterest.com/pin/512354895085869091/

 

4. As representações atuais da música da Era Viking: Recriando as tradições nórdicas antigas:

        Apesar de termos poucas fontes e estudos sobre como era a música na Era Viking de fato, vale a pena conferir o trabalho de músicos que se inspiram nos estudos que já foram feitos sobre esse assunto e também na cultura nórdica desse período. Existe uma gama de artistas que se dedicam a recriar os aspectos musicais daquele época, aprendendo a tocar desde os instrumentos aqui apresentados até a composição de letras na língua nórdica antiga, com influências principalmente das estórias que englobam os mitos nórdicos.

          Muito além do que se pensa de que a música nórdica somente está presente em outros gêneros como o chamado Viking Metal, Folk Metal, Pagan Metal, etc. Há grupos que firmaram seu repertório em uma tentativa de resgate da música no período da Era Viking, mas mesclando-o com elementos musicais atuais, demonstrando não só suas habilidades mas o estudo e pesquisa que os mesmos tiveram sobre essa temática, o mais famoso deles talvez seja Einar Selvik do grupo Wardruna, que acabou ganhando visibilidade na série Vikings (2013-2020), e uma participação no episódio 6 da 4° temporada da série, e também compôs para a trilha sonora de Assassin’s Creed Valhalla (2020). Por falar em jogos e séries, um grupo que até então parecia desconhecido acabou também fazendo parte desse universo. O grupo Heilung apareceu com sua música Fylgija Ear na 6° temporada, episódio 10 da série Vikings e teve sua música pela primeira vez na grande mídia no trailer do jogo Hellblade II: Senua`s Saga com previsão de lançamento para este ano, dando ainda mais visibilidade ao grupo.

          Destaco que apesar de se utilizarem de instrumentos e inspirações medievais, suas composições não correspondem à realidade vivenciada pelos nórdicos na Era Viking. Muito pouco se sabe sobre como era de fato as canções nesse período, portanto o que temos são adaptações modernas (LUND, 2010, p. 236). Não se há evidências diretas por exemplo de que a mitologia nórdica fazia parte do repertório daquela época, e apesar do estudo feito por estes grupos, há acadêmicos da área de arqueomusicologia com melhores embasamentos teóricos e práticos, que por sua vez buscam recriar experiências com a música nórdica antiga em lugares como museus, centros de pesquisa, Universidades, etc.

    Aqui segue mais dois grupos e um projeto que vale a pena conferir para conhecer melhor sobre esse assunto e sobre a sonoridade dos instrumentos da Era Viking:

·         SKÁLD: O grupo francês começou como um trio formado por Justine Galmiche, Pierrick Valence e Mattjö Haussy. Hoje um duo com Galmiche e Valence, além dos músicos que participam na complementação musical do grupo, os mesmo chamaram muita atenção dos amantes deste gênero musical(Folk Nórdico) que resgata às histórias de textos da Edda em prosa e da Edda poética. O canal no youtube além de divulgar o trabalho dos músicos, possui uma sessão de explicações sobre as histórias das canções e sobre o funcionamento dos instrumentos utilizados para compô-las.    

 

 

Fig. 8: Foto promocional da banda Skáld para o albúm Viking Memories, https://www.last.fm/music/Sk%C3%A1ld/+images/235be96d50826f341b8d69278c8a141c

 

·         Danheim: O projeto do produtor dinamarquês Mike Olsen tenta recriar com certa, autenticidade músicas do período da Era Viking trazendo um som e uma ambientação mais parecida “ao possível estilo nórdico antigo de se fazer música”. Sua composições possuem algumas vocalizações e outras são totalmente instrumentais.

 

 

Fig. 9: Mike Olsen criador e membro do projeto Danheim, https://www.youtube.com/c/Vikinged/about

 

·         Asynje: Grupo formado por cinco integrantes, é uma colaboração musical de membros da subcultura paganfolktrone dinamarquesa. O grupo mistura sons eletrônicos com a música tradicional escandinava e se inspira nos mitos e lendas nórdicas, utilizando instrumento antigos que recriam um ambiente entre mito e natureza escandinava.

 

 

Fig. 10: Asynge se apresenta no Castle Festival 2012, http://asynje.dk/welcome/

 

5. Curiosidades e achados arqueológicos importantes:

      A evidência mais antiga de um instrumento musical na Era Viking foi encontrado na cidade de Ribe (Dinamarca), trata-se de um pedaço de uma Lira que data do ano 720 d.C. (OLSEN, 2018)

     A flauta de Aarhus encontrada na Dinamarca é um pequeno instrumento do séc. 13, feita a partir do osso da pata de um cordeiro, além dela outros exemplares foram encontrados no centro de Birka (Suécia) e continham apenas dois buracos paro os dedos.

   Em Coppergate, na Inglaterra, um conjunto de panpipes foi encontrado e data de meados do Séc. X.

     Um trecho da tapeçaria de Bayeux (1070) retrata um músico tocando um chifre de Vaca, devido a produção da tapeçaria ter sido produzida durante a conquista de Guilherme da Normandia, descendente de Rollo da Normandia, o qual realizou campanhas na França e Inglaterra (VIKING ANSWER LADY, 2013).

 

Fig. 11: Cena de um possível músico na tapeçaria de Bayeux, http://nibelungsalliance.blogspot.com/2013/02/musica-era-viking.html#:~:text=Mesmo%20antes%20da%20Era%20Viking,fortium%20ituri%20in%20proelia%20canunt.


             O lur de madeira foi um dos achados encontrados em uma câmara mortuária em Oseberg, na Noruega. Foi a partir desse instrumento que se comprovou que o lur fazia parte do repertório musical da Era Viking (OLSEN, 2018).

              De la Borde se tornou uma pista para os estudos dessa temática pois em sua obra menciona “como elas são cantadas na Islândia hoje”, o mesmo confirma que as músicas que estudou foram estudadas pelo músico alemão Johann Ernst Hartmann, que residia na Dinamarca, por isso não se sabe ao certo como as composições islandesas chegaram até lá. Supõe-se, que Hartmann conheceu islandeses, onde morava, revelando assim o legado musical que os mesmos(islandeses) herdaram do processo colonial Dinamarquês no território da Islândia, durante a Era Viking (HORTON, 1963, p. 19).

              No séc. XII o rei norueguês Magnus Erlingsson comentou sobre um músico e disse que ele pareceu bobo quando soprava seu instrumento musical ficando com a boca retorcida e bochechas infladas, tal história se assemelha a lenda nórdica de Stærkodder[vi] .

 

Fig. 12: Pintura de Lorenz Frölich, Stærkodder og Hother,1852 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Lorenz_Fr%C3%B6lich_-_St%C3%A6rkodder_og_Hother_-_1852.png

 

              Uma outra possível evidência dos instrumentos de corda da Era Viking está na catedral de Nidaros, em Trondheim, na Noruega, construída em 1070 d.c e finalizada em 1300 d.C, trata-se de uma escultura de pedra de um músico tocando um instrumento de 3 cordas (OLSEN, 2018).

 

  6. Conclusão:

         A música nórdica da Era Viking ainda é um tema que requer mais estudo e atenção das produções acadêmicas, pois temos pouca informação concreta sobre esse processo em tal período. Muito do que se tem são relatos e estudos musicais que tentam se aproximar do que teria sido a música ou a forma de como se fazer música para os vikings.

       Temos também a presença de registros arqueológicos e o funcionamento dos instrumentos musicais daquela época bem como alguns dos registros escritos do cristianismo de partitura poderiam nos levar a sonoridade em parte exata da música como era feita na Era Viking.

      O surgimento de grupos e projetos musicais em nosso tempo tem possibilitado dar uma luz aos estudos deste tipo de sonoridade na qual incorporam elementos atuais, mas com recriação dos moldes do fazer música para os nórdicos da Era Viking.

 

5. Referências Bibliográficas:

Fontes primárias:

FALAN, Amad Ibn. Viagem ao Volga. Tradução: Pedro Martins Criado. São Paulo: Carambaia, 2018, p. 68-70.

 

Fontes secundárias:

AYOUB, Munir Lutfe. Ibn Fadlan. In: LANGER, Johnni (Ed.) Dicionário de história e cultura da Era Viking. São Paulo: Hedra, 2018, pág. 54-56.

 BIRDSAGEL, John. “Music and Musical Instruments,”. In: Medieval

Scandinavia: An Encyclopedia. Edited by Phillip Pulsiano. New

York: Garland, 1993,p. 420-423.

 HORTON, John. Scandinavian Music: A Short History. California: Greenwood Press, 1963, p. 19.  

 MIRANDA Paulo Gomes. Música. In: LANGER, Johnni (Ed.). Dicionário de história e cultura da Era Viking. São Paulo: Hedra, 2018, p. 517.

 LUND, Casja S. People and Their Soundscape in Viking-Age Scandinavia

Critical Reflections in a Music-Archaeological Perspective.In: Studien zur Musikarchäologie VII. Berlin: Rahden/Westf ,2010,p. 236.

 TSUKAMOTO, Chihiro. What did they sound like?Reconstructing the music of the Viking Age. Dissertação: Mestrado em Estudos Islandeses Medievais. Reykjavik: Universidade da Islândia, 2017,pág. 2.

 

Referências Online:

 ENTER, Midgard Historical. The Songs of the Vikings, 2001, Disponível em: http://www.lienet.priv.no/Vikings.htm

HUSTWICK. Music of the Viking Age, 2001, Disponível em: http://www.hurstwic.org/history/articles/literature/text/music.htm

 LADY, Viking Answer. Viking Age Music,2013, Disponível em: http://www.vikinganswerlady.com/music.shtml

MAGLOR, Tiago. Música Era Viking, 2013, Disponível em:   http://nibelungsalliance.blogspot.com/2013/02/musica-era-viking.html

MUSEET, National. Music in the Viking Age, Dinamarca,2019, Disponível em: https://en.natmus.dk/historical-knowledge/denmark/prehistoric-period-until-1050-ad/the-viking-age/the-people/music/#:~:text=Music%20was%20also%20an%20important,bone%2C%20but%20sometimes%20from%20wood.

OLSEN, Mike. Viking-Age Instruments,2018, Disponível em; https://danheimmusic.com/viking-age-instruments/

SKJALDEN. Viking instruments-Viking Age music,2018, Disponível em: https://skjalden.com/viking-age-music/

VIKINGS, The Follow. Music and Instruments: How Musical Were the Vikings? , 2019, Disponível em: https://www.followthevikings.com/discover/culture/music#:~:text=The%20lur%20is%20one%20of,willow%20bands%20of%20different%20lengths


NOTAS

 

[i]  Escaldo: Poeta e contador de estórias cuja denominação vem de regiões como Noruega e Islândia, https://www.dicionarioinformal.com.br/diferenca-entre/escaldos/viking/

[ii] Manuscrito de 1300 d.c que contém os primeiros trechos da lei Scanian ou Dinamarquesa, https://www.apmanuscripts.com/special-collection/codex-runicus

[iii] Estilo musical medieval que utiliza composição polifônica, https://delphipages.live/pt/entretenimento-e-cultura-pop/teoria-da-musica/gymel

[iv] Vikings que ocuparam a região da Europa Oriental onde hoje compreende países como a Ucrânia e a Rússia, https://www.historiadomundo.com.br/russa

[v]  Na leitura representada pelas letras ABCDE respectivamente.

[vi]  Também conhecida pelo nome de Estarcatero/Starkad,o velho, a lenda conta sobre um herói nórdico que fora menestrel de reis dinamarqueses, e que é descrito como um ser sobrenaturalmente grande e forte, porém de moralidade duvidosa, na saga de Gautrek ele é de Jotunheim, sendo mencionado entre os gigantes na batalha de Bråvalla, https://snl.no/Starkad_den_gamle



domingo, 9 de maio de 2021

Blog do NEVE alcança 900.000 visualizações

 


O blog do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos acaba de alcançar 900.000 visualizações. Criado em 2012, o blog é o principal veículo de divulgação midiática da Escandinavística brasileira, contendo notícias, ensaios, lançamentos, indicações de livros, artigos, eventos acadêmicos, dissertações, teses e guias de estudos. A seguir, confira algumas das estatísticas do blog (fornecidas por Blogger.com)

Estatística de acesso gerais do blog do NEVE desde a sua criação



Mapa dos principais locais de acesso ao blog do NEVE



Estatística dos principais locais de acesso: em primeiro lugar o Brasil (739 mil); em segundo, os Estados Unidos (42 mil); Itália (23 mil), Portugal (16 mil), Rússia (11 mil), Alemanha (8 mil), Espanha (4 mil).


Os principais ensaios acessados no blog do NEVE: Símbolos vikings e umbandistas (145 mil), Os 12 maiores equívocos sobre os Vikings (78 mil), Como estudar a Mitologia Nórdica no Brasil (26 mil).




As principais páginas acessadas no blog do NEVE: Livros (19 mil), Artigos (12 mil), Membros (10 mil).

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Vikings paraguaios?

 


Publicado novo estudo sobre a historiografia da Escandinavística brasileira

 

Ilustração do historiador Saxo Gramaticus (ca. 1150-1250), anônima, realizada no século 19, acervo da Biblioteca Real da Dinamarca.


Um novo estudo sobre a historiografia da Escandinavística Medieval Brasileira foi publicado.

Trata-se da pesquisa Senhores do Norte: a historiografia Escandavística Medieval no Brasil (2003-2016), com 122 páginas, trabalho de conclusão  apresentado ao curso de História da Universidade Estadual do Ceará em 2020, sob a orientação do Prof. Dr. Gleudson Passos Cardoso. O trabalho foi executado por Anderson Pereira Batista e tem como principal foco a análise de diversos livros, artigos e pesquisas de pós graduação desenvolvidos no Brasil, durante o período de 2003 a 2016. A produção do NEVE é destacada em um capítulo: Afirmação pelo campo historiográfico escandinavístico medieval brasileiro.

O estudo de Anderson pode ser acessado neste site.


Anteriormente já haviam sido realizados alguns estudos historiográficos da produção nacional envolvendo Escandinavística (2015-2016, 2017, 2019):


SANTOS, Amanda Basílio. Por um norte medieval historicizado: estudos medievalistas do Norte europeu e o estado da questão no Brasil. História em Revista, UFPEL, n. 21-22, p. 70-85, 2015-2016.


LANGER, Johnni. Estudos Nórdicos Medievais: alguns apontamentos historiográficos Roda da Fortuna: Revista Eletrônica sobre Antiguidade e Medievo v. 6, n. 1, p. 9-24. 2017d (Dossiê: Estudos Nórdicos Medievais, organizado por Johnni Langer).


GRZYBOWSKI, Lukas Gabriel; BIRRO, Renan Marques. Um ensaio historiográfico sobre a Escandinavística brasileira. In: AMARAL, Clinio; LISBÔA, João (Org.). A historiografia medieval no Brasil: de 1990 a 2017. Curitiba: Editora Prismas, 2019, pp. 23-58. Este estudo recebeu uma crítica historiográfica de 48 páginas numa publicação do mesmo ano: LANGER, Johnni. Contestação de uma historiografia dos estudos nórdicos brasileiros: Resenha de "Um ensaio historiográfico sobre a Escandinavística brasileira", de Lukas Grzybowski e Renan Marques Birro. Scandia Journal of Medieval Norse Studies n. 2, 2019, p. 495-542.