O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

segunda-feira, 8 de maio de 2017

NEVE publica novos estudos sobre Escandinávia Medieval

 
Três membros do NEVE acabam de publicar artigos sobre Escandinávia Medieval no dossiê História Medieval: ensino e pesquisa, edição especial do periódico Embornal (ANPUH-Ceará).
O estudo Primeiros apontamentos sobre a diversidade nos cemitérios de Nordre Kaupang e Bikjholberget, de Munir Lutfe Ayoub (doutorando em arqueologia pelo MAE-USP/NEVE), traz considerações sobre novas investigações arqueológicas no sítio de Kaupang (Noruega) e como estas descobertas podem auxiliar no entendimento da diversidade espaço temporal da Religião Nórdica Antiga.
Outro artigo, Entre as linhas e sentidos: Estética literária e Imaginário de cristianização na Íslendingasögur e Biskupasögur, de André de Oliveira (doutorando em História pela UFMT/NEVE) e José Lucas Cordeiro Fernandes (Mestre em história pela UECE/NEVE), elaboram análises sobre como as sagas islandesas refletiram o processo de hibridização religiosa na Escandinávia Medieval.
 
O dossiê contou com a co-organização de José Lucas Cordeiro Fernandes, que também co-escreveu a apresentação do dossiê.
 
A seguir, apresentamos os resumos dos dois artigos.
 
Resumo: O presente artigo tem como objetivo essencial expor os estudos dos arqueólogos Frans-Arne Stylegar e Dagfinn Skre referentes aos cemitérios de Nordre Kaupang e Bikjholberget que auxilie uma maior compreensão das variações presentes na antiga religião nórdica. Estudos que apontam para uma coabitação de variações ritualísticas que passam a desconsiderar as hipóteses dessas variações pelos vértices espaçotemporais e passa a apontar para mais um vértice dessa variação como o decorrente do vértice social.
 
 
Resumo: O presente texto busca, mesmo que de forma breve e introdutória, elencar a relação entre a literatura e o processo de cristianização da Islândia, tendo por foco o período de sincretismo entre paganismo e Cristianismo, assim como a fase de consolidação da fé de Roma. (c. IX-XI e XII-XIV). Nesta premissa, usaremos dos subgêneros das sagas islandesas: As sagas de família (Íslendingasögur) e as sagas dos bispos (Bikupasögur), observando a dinâmica entre os dois tempos das fontes, a tessitura temporal da construção documental (séc. XII-XIV) e a tessitura temporal da narrativa(séc. IX-XI). Tal elemento nos permitirá debater como as fontes contêm sua visão do passado em torno de uma estética e de um imaginário específico, em que focaremos na relação do Cristianismo e seu processo de cristianização como força de delimitação. Usaremos de aporte teórico as bases da Nova História Cultural, cerceando por pilares metodológicos da Cultura Escrita e da Nova Escandinavística.
 
Para acessar o dossiê, clique aqui.
 
 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

NEVE visita exposição alemã sobre Religião Nórdica Antiga

 
 
Andressa Furlan Ferreira visitou a mais recente exposição europeia sobre o tema da Religião Nórdica Antiga: Odin, Thor und Freyja, no Museu Arqueológico de Frankfurt, Alemanha.
 
Andressa Furlan Ferreira é mestranda em Ciências das Religiões pela UFPB, membro do NEVE e do Vivarium-UFPB. Em novembro de 2016, o DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst), maior organização alemã no campo de intercâmbio acadêmico, lhe concedeu uma bolsa de estudos em língua e cultura alemã, com a qual frequentou o Winterkurs (curso de inverno) na Universidade de Köln em janeiro e fevereiro de 2017. A seguir, ela nos relata a sua visita a essa exposição em Frankfurt.
 
 
 
"Odin, Thor und Freyja": uma visita aos nórdicos em Frankfurt
 

Nublado, frio e com muito vento. Foi com esse clima que Frankfurt me recebeu no dia 22 de fevereiro de 2017, quando tive a oportunidade de viajar de Köln para lá com o único propósito de conferir a exposição temporária "Odin, Thor und Freyja". Lugares e objetos de culto nórdicos do primeiro milênio d.C. e o Reino Franco foram o foco da exposição, que é temporária (de 11 de fevereiro a 06 de junho deste ano) e se encontra no Museu Arqueológico de Frankfurt, sendo realizada em parceria com o Museu Nacional da Dinamarca.

Seis temas foram apresentados: 1) Sacrifícios e comunidade no primeiro milênio d.C.; 2) Residências antigas e lugares de culto na Dinamarca; 3) Religião e deuses germânicos antigos; 4) Práticas de culto na Era Viking; 5) A grande residência real de Tissø: a vida senhorial na fazenda; e 6) A nova crença: os nórdicos tornam-se cristãos.

 

 
Imagem 1: Antes de chegar ao museu, no caminho próximo ao rio Main, me deparei com uma estrutura muito charmosa em um parque infantil que me chamou a atenção, por aludir a uma embarcação viking. Apesar do fictício elmo com chifres gravado na bandeira de metal, achei interessante que um elemento como este faça parte das brincadeiras de crianças alemãs da região.



Quando cheguei ao museu, tive uma triste surpresa: era terminantemente proibido fotografar a exposição. Não pude fotografar nem sequer a entrada com os painéis informativos e mapas, muito menos o primeiro objeto exposto, que me tirou o fôlego: uma caveira de uma vítima de sacrifício humano. Ainda assim, alguns objetos e reconstituições digitais podem ser conferidos no site da exposição.

 

Imagem 2: Genealogia simplificada do panteão da mitologia nórdica. Painel exibido na exposição "Odin, Thor und Freyja" do Museu Arqueológico de Frankfurt. Disponível aqui.


O museu é relativamente pequeno e a exposição ocupa somente uma parte da entrada (onde há a reconstituição de uma casa de culto) e um longo corredor da ala central, que retrata, em proporções reais no chão, o interior de uma long house nórdica. As exposições permanentes (de temáticas variadas, como a Pré-História, Era Romana, Antiguidade Clássica, entre outras) ficam em outros corredores e arredores.

A exposição exibiu achados arqueológicos da Dinamarca relevantes para o estudo da religião nórdica antiga, apresentando objetos de regiões como: Gudme on Funen, Hoby e Tissø. Muitos painéis contextualizam e elucidam antigas práticas religiosas, além de citarem obras de cronistas antigos (Orosius, Tacitus, Ibn Fadlan...) que fazem referência aos povos do Norte.

 
Imagem 3: Reconstituição do interior de uma casa de culto durante a Era Viking. Dentro do painel com vidro, encontra-se exposto o impressionante "anel de Tissø", um dos grandes achados arqueológicos da Dinamarca. Disponível aqui.




 
Imagem 4: "Anel de Tissø", feito de ouro (originalmente, pesava aproximadamente 2 kg). Funcionaria como um anel cerimonial durante eventos políticos ou adornaria a imagem de alguma divindade em uma casa de culto, conforme a imagem 3. Disponível aqui.



É difícil escolher apenas um entre os vários objetos que me impressionaram. Havia ossos de animais sacrificados, espadas, broches, pingentes, utensílios de metal e de higiene, restos funerários, reconstituições de roupas, maquetes... Pequenos pingentes com temas mitológicos (Odin, valquíria, martelo de Thor, Freyja) foram trabalhados com extremo esmero, e ver isso ao vivo me fez admirar ainda mais a arte metalúrgica dos povos nórdicos, não somente pela habilidade empregada, mas também por sua sensibilidade artística.

 
Imagem 5: Figuras representativas da deusa Freyja, encontradas em Tissø. Disponível aqui.


 

Imagem 6: Broche retratando valquírias (uma montada no cavalo e outra em pé), encontrado em Tissø e datado entre o século IX e X. Disponível aqui.



 

Imagem 7: Não foi fabricação nórdica, mas foi encontrado no túmulo de um grande líder germânico em Hoby (presente ou espólio). O relevo retrata cenas da "Ilíada" de Homero, com foco em Aquiles. Um caldeirão de intercâmbio cultural! Disponível aqui.


Na programação do museu, havia 3 palestras planejadas: "Odin erfindet, Thor weiht die Runen – Inschriften aus dem heidnischen Norden (Odin inventa, Thor consagra as runas – Inscrições dos nórdicos pagãos)" – Prof. Dr. Klaus Düwel, Universidade de Göttingen (22/02); "Human sacrifices, blót and ritual in Viking Age Scandinavia (Sacrifícios humanos, blót e ritual na Escandinávia da Era Viking)" – Ma. Sandie Horst, Museu Nacional da Dinamarca (08/03); e "Das altschwedische Kultzentrum Gamla Uppsala und die Bootgräber von Vendel und Valsgärde (O antigo centro de culto sueco Gamla Uppsala e os túmulos de navio de Vendel e Valsgärde)" – Prof. Dr. Egon Wamers, Museu Arqueológico de Frankfurt (22/03). Minha agenda permitiu que eu assistisse somente à primeira.

 

 
 
Imagem 8: Fotos da palestra "Odin erfindet, Thor weiht die Runen – Inschriften aus dem heidnischen Norden" do Professor Dr. Klaus Düwel, Universidade de Göttingen.


 O professor Düwel apresentou sobre inscrições rúnicas que portam os nomes dos deuses Odin e Thor, exibindo imagens e argumentando sobre seus significados e usos mágicos. Alguns trabalhos do professor podem ser consultados em seu perfil no Academia.

 
Além do conteúdo histórico-cultural abordado, a palestra me permitiu refletir precisamente sobre como os europeus compartilham o que podemos chamar de "cultura de museu". Isso pode ser evidenciado tanto pela mobilização técnica (preparação de instalações, profissionais disponíveis etc.), quanto pelo elevado número de museus e pessoas que os visitam. Inclusive, fiquei admirada com o incentivo para que as crianças desde logo compartilhassem dessa cultura museológica: em diversos momentos, pude presenciar adultos mostrando, conversando e explicando temas da exposição a elas.

Por outro lado, pude perceber, no debate público após a palestra do professor Düwel, que o desconhecimento ainda é grande em relação a religiões (passadas ou modernas), apesar da grande disponibilidade de material e informação. Para mim, pesquisadora de Ciências das Religiões, isso valeu como um lembrete de como CR ainda precisa alcançar o público geral a fim de evitar interpretações a-históricas.

Para aqueles que tiverem a oportunidade de visitar o museu nos próximos dias, no dia 14 de maio haverá um passeio guiado pela exposição com o Dr. Rudolf Gerharz sobre "Odin, Thor und Freyja: Nordische Mythen". Acredito que não somente escandinavistas apreciariam a exposição, como também historiadores em geral e cientistas das religiões; inclusive artistas, porque a metalurgia e as vestimentas desses povos eram uma verdadeira arte!


quarta-feira, 3 de maio de 2017

O grupo Hednir e a reconstituição do combate viking

 
Apresentamos mais uma matéria envolvendo os grupos recriacionistas nórdicos do Brasil, desta vez o pioneiro Hednir, de São Paulo. O grupo é responsável em grande parte pela divulgação do Living History e do Recriacionismo relacionado à Escandinávia da Era Viking em nosso país, servindo de modelo e inspiração para as novas gerações que vem se formando  (em parte pela popularidade dos vikings na mídia). Eles comentam também sobre a questão da atual vikingmania e como isso pode interferir no recriacionismo.


1. O Hednir foi o primeiro grupo recriacionista criado no Brasil, no ano de 2008. Quais foram os motivos da criação deste grupo e quais as principais dificuldades e problemas enfrentados nessa época, principalmente em relação ao panorama atual?

O Hednir foi criado em 2008 em um encontro de RPG (Não existiam eventos com temática medieval na época, então o mais próximo que conseguíamos de algo relacionado ao tema, eram eventos de RPG) que geralmente tinham a presença da antiga Medieval Brasil, hoje conhecida como Ars Medievalis, por ali fazíamos nosso ponto de encontro para vermos artigos fantasiosos e também artigos de diversos períodos medievais (que a Guilda dos Armoreiros confeccionava).
Na época, nós fazíamos parte de um fórum chamado Spirit Folk, este fórum era o point de cultura européia, eles compartilhavam de tudo, músicas, cultura e faziam encontros. Nós nos conhecemos por causa do fórum e nos encontramos no evento.
Foi aí que tivemos o primeiro dia de evento do Hednir e então, o Hednir foi criado. Não tinha nenhum aspecto de cultura viking, a priori o grupo foi criado com a temática (Grupo medieval fantasioso), um dos fundadores da época, que é um ótimo artesão, tinha bastante fascínio em cultura viking e ele contribuiu muito para o grupo seguir esse caminho. Foi depois de um tempo (estudando, aprendendo mais sobre a Era Viking) que decidimos começar com Viking reenactment, foi aí que qualquer artigo, vestimenta ou história fantasiosa começou a ser barrado, para seguirmos em frente somente com a fidelidade da cultura escandinava.
Sobre as dificuldades, na época eram inúmeras: cConseguir conteúdo para estudo era super difícil, conseguir pessoas para confeccionar artigos da época também não existiam, fazer uma bota? Isso era sonho de consumo, depois de anos de grupo, alguns membros fizeram e ainda assim não foi com a informação correta dos moldes da época, foi feita empiricamente olhando os calçados de grupos de reenactment europeu.
O desconhecimento da população perante a cultura nórdica, em eventos ninguém sabia o que era cultura nórdica da Era Viking, perguntavam se erámos espartanos ou guerreiros gregos, parece engraçado, mas em grandes quantidades repetitivas incomoda, principalmente em seguir adiante com o trabalho sério.
Hoje temos diversos artigos, grupos que estão compartilhando os acervos acerca de moldes e de como fazer algo especifico, temos diversos artesãos brasileiros se profissionalizando na área, tanto medieval fantasiosa, quanto em recortes históricos diversos.
 
 
 
2. Como o grupo reconstitui as técnicas e métodos de batalha dos nórdicos da Era Viking?
Esse foi o maior foco do clan, combate viking. Inicialmente os combates eram baseados somente com a intuição, pois material focado em combate viking era algo que sonhávamos em encontrar, porém como sou lutador jiu, boxe e mma (me dediquei muito em artes marciais) eu sempre senti que faltava um complemento aos combates (que é o meu foco de estudo), lutar intuitivamente pode até ser lúdico, mas para algo ficar mais profissional precisava ser baseado em estudos e relatos históricos.
Então começou as pesquisas, inicialmente pessoais, em combate viking. Primeiramente nós estudamos métodos posteriores à época viking: Hans Talhoffer, Fiore Dei Liberi e Codex Wallerstein.
Fizemos nossas interpretações desses Codex, repassando técnicas de espada de duas mãos para espadas de uma mão. Inicialmente não era o ideal, mas era um parâmetro para seguirmos e melhorarmos nossas técnicas de combate (Já que era o atual foco do grupo)
Com o tempo passando e nosso grupo ficando mais conhecido, tivemos contato com uma amiga da Suécia que lutava em eventos de Viking Reenactment na europa há alguns anos.
Aproveitamos a visita dela no Brasil e ela nos ensinou tudo que podia ensinar sobre técnicas de combates que ela usava em seus treinos com o grupo Sueco. Seguimos com contato e aprendendo com ela por um bom tempo, principalmente via internet. Depois vieram as técnicas complementares de Hammaborg.
Em 2014 obtive meu exemplar do livro "Viking Weapons and Combat Techniques" de William R Short também líder do Hurstwic uma amplo grupo que estuda cultura nórdica medieval.
Esse livro nos ajudou ainda mais a colocarmos foco de combate de acordo com estudos históricos, principalmente porque eles estudaram o combate à fundo, focando, inclusive nas estruturas ósseas de achados arqueológicos e analisando aonde eram desferidos a maioria de golpes para criar um estilo de luta que possa ser o mais próximo de como os vikings lutaram.
Então o nosso grupo faz um mix de diversos estilos que são vigentes em diversos países que defendem a possibilidade de como os vikings poderiam ter lutado. Também contamos com o suporte do grupo Einherjar de Reykjavik Islandia, geralmente sempre que temos dúvidas, nós entramos em contato com grupos amigos de fora do Brasil.
Acho importante ressaltar que esse tema é bastante debatido e não temos nenhum relato fiel de como eles realmente lutavam, portanto todas as técnicas e grupos aqui mencionados que ensinam, inclusive o Hednir tem a total consciência que tentamos fazer o mais provável que poderia ser como os vikings lutavam antigamente, porém nada é comprovado historicamente.
 




3. Como é o treinamento e as atividades dos membros do grupo?
Nosso grupo defende bastante o conceito de segunda família, tanto que para ingressarem novos membros, a convivência e dedicação são fundamentais.
Nossos principais encontros são feitos na academia em dia de treino, ele se estende além da academia pelos meios virtuais e sociais, além disso também realizamos encontros para produzir e estudar materiais históricos:  como tendas, escudos, armaduras, materiais de proteção, etc. Também nos encontramos em bares, eventos, shows, para sempre manter os laços da amizade firme.
O nosso grupo faz parte de uma academia de luta a Digable Gym. Nossos treinos são bastante pesados, ensinamos a base de luta desde o zero, portanto o membro vai ficar um bom tempo somente aumentando sua resistência física e psicológica, para em ao menos 8 meses estar pronto para ingressar na equipe básica de competição.
Nossas atividades são bem variadas, por muito tempo foram focadas apenas em lutas, porém fazem alguns anos que estamos inteiramente dedicados a fazer o "Living Reenactment" que é fazer uma imersão de história viva em nosso local de atuação.
Hoje possuímos um grupo de estudos, um grupo artístico, um grupo de artesanato da época e um grupo de combate. Todos eles fazem parte do todo, fazemos de maneira que todos se comuniquem e aprendam entre si. Também possuímos uma divisão do clan na Alemanha (
Heðnir Clán Þýskaland) que é formado por membros alemães que se dedicam bastante à cultura viking e sempre dividem informação conosco.
 




4. Atualmente estão sendo formados no Brasil diversos grupos recriacionistas nórdicos. Quais as dicas, conselhos e diretrizes que vocês podem fornecer a esses grupos para o seu futuro.
Recentemente estão surgindo de fato diversos grupos, eu gosto bastante de ver esse interesse pela Era Viking, mas tenho alguns toques positivos e negativos para os novos grupos.
Existem alguns grupos que estão levando muito a sério o trabalho, algo que dá gosto em todos que estudam e gostam do tema, principalmente para nós que começamos esse trabalho há muitos anos atrás, tentamos sempre correr e acompanhar a evolução de todos, isso é muito bom para o meio, para o pessoal que gosta da cultura nórdica e também não nos deixa ficar acomodados, essa evolução de grupos nos fez forçar uma grande mudança no que éramos, para o que estamos nos tornando agora.
Muita gente vê o crescimento como algo negativo, mas se o crescimento for algo que mude as tendências, gere mais conhecimento e atividades, na verdade ele se torna uma grande contribuição, que é o que a maioria dos grupos novos estão fazendo, algo prazeroso de se ver!
Porém existem os contras, como mencionado em uma questão anterior, antes lidávamos com o desconhecimento total da Era Viking, hoje lidamos com um conhecimento raso digno de diploma de rede social, isso para todos os grupos sérios se torna um grande problema, principalmente porque, uma pessoa com essa atitude nociva pode queimar o trabalho sério de qualquer grupo brasileiro.
Hoje, não existem desculpas para não se informar, existem páginas que citam referencias bibliográficas, as informações estão praticamente de graça, quando não estão de graça, estão em preços bem acessíveis, o NEVE (vide a publicações que fazem e os livros publicados) possuí bastante material para ajudar qualquer pessoa que queira se informar.
As principais dicas aos novos grupos são: estudem muito, não saiam falando e agindo como personagens vikings do seriado, antes de falar algo com certeza, leiam várias fontes, fica mais bonito falar pouco e correto, do que lotar os meios de comunicações com palavras que não procedem.
Definam um recorte histórico para seu grupo, baseado nisso vocês conseguem definir a vestimenta e fazer trabalhos mais aprofundados no recorte que vocês querem recriar.
Estejam preparados para intrigas internas, grupos de pessoas uma hora ou outra dão problemas de opiniões, terão membros que entrarão e sairão pelos mais diversos motivos, estejam sempre preparados para agir conforme a situação e não desanime por causa disso, os anos vão te ensinar muito sobre convivência com pessoas, vocês irão agradecer, aprender sobre comportamento humano criando um grupo.
Não tenham vergonha de perguntar para grupos antigos ou grupos de fora do país, todo mundo nesse meio adora ajudar, após conseguir a informação e aprender com qualquer grupo, seja humilde e tenha caráter para mencionar o grupo que lhe ajudou no começo. Você acha que não, mas todos estão de olho nisso, não seja ingrato.
Algo muito importante, reenactment de qualquer período histórico é bem diferente de adaptar o período moderno ao do passado, não fique chateado(a) em saber que não existiam exércitos de Shieldmaidens no passado, pensem que recriar não é criar, você vai copiar um período determinado, portanto as portas da criatividade estão fechadas, você tem uma lista a seguir, e seguir com determinação. Caso você seja uma pessoa muito criativa e sofra muito em seguir corretamente um período histórico, não se preocupe, você pode fazer qualquer tipo de criação fantasiosa baseada em qualquer determinado tema, porém, saiba dizer que você está fazendo uma adaptação fantasiosa.
Nós do Hednir desejamos muita boa sorte a todos novos grupos surgindo no país, entrem em contato conosco, vamos marcar um encontro, vamos unir essa galera que curte cultura viking e reenactment, venham em um dos nossos treinos, serão muito bem tratados por todos nós!
E para finalizar, gostaria de agradecer ao Johnni a oportunidade de fazermos esta matéria, nosso grupo todo gosta muito do trabalho do NEVE, que é uma mina de conhecimento para todos apaixonados pela cultura nórdica da Era Viking!

 
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