O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

terça-feira, 14 de julho de 2015

CHAMADA PARA DOSSIÊ: SÉRIE VIKINGS, NA 10




O boletim Notícias Asgardianas (ISSN: 1679-9313) realizará em sua décima edição um dossiê especial dedicado à série televisiva Vikings, do History Channel.

Além de constituir um grande sucesso de público, a série vem despertando interesse renovado no estudo ou conhecimento do mundo nórdico na Alta Idade Média, reforçando o fascínio que o Ocidente vem construindo desde o início do Oitocentos sobre a figura do viking.
Os interessados podem enviar propostas de análise desta produção midiática e artística, contendo artigos envolvendo perspectivas da História, Literatura, cotidiano, religiosidade, política, aspectos sociais e culturais, semióticos e estéticos, cinematográficos, ressignificações e imaginário social.
Os trabalhos devem ser enviados até o dia 20 de janeiro de 2016 ao e-mail: neveufpb@yahoo.com.br

Normas para publicação:

As propostas podem ser elaboradas em português, espanhol e inglês e devem conter de seis a nove páginas, fonte Book Antiqua 12, espaço 1/5, imagens em formato JPG (máximo de duas imagens e resolução mínima de 100 dpi e máxima de 300 dpi), sem notas de rodapé ou notas finais, com título, texto e identificação dos autores, vínculo institucional e/ou titulação, e-mail ao final, fotografia dos autores em JPG. Citação no texto pelo sistema autor/data (sobrenome em minúscula: ano, paginação), bibliografia ao final do texto (máximo de 8 referências) com títulos de revistas e livros em itálico.




Conselho Editorial do boletim NA:
 
Prof. Dr. Hélio Pires (UNL/NEVE)
Prof. Dr. André Muceniecks (STBNET/NEVE)

Prof. Dr. Théo Borba Moosburger (UTP/NEVE)

Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)




Equipe Editorial do boletim NA:


Ms. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE)

Ms. Pablo Gomes de Miranda (UFRN/NEVE)

Ms. André de Oliveira (NEVE)

Ms. Munir Lutfe Ayoub (NEVE)

Ricardo Wagner Menezes de Oliveira (PPGCR-UFPB/NEVE)

José Lucas Cordeiro Fernandes (PPGH-UECE/NEVE)



sexta-feira, 10 de julho de 2015

ERAM OS VIKINGS VEGANOS?


Ma. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE/CEIA)

Nos últimos tempos admitimos que definitivamente os vikings estão na moda. Série de TV, Jogos de RPG, festas temáticas, publicidades variadas, “comidas vikings”, uma profusão de marcas de hidromel mas, no meio disso há publicações, estudos e pesquisas acessíveis ao grande público comprometidas com a pesquisa e a difusão da História dos Escandinavos Medievais.

Mas, o que realmente chama a atenção são as imagens contemporâneas que se aplicam aos vikings que, definitivamente não faziam parte do seu cotidiano. Uma dessas práticas que são atribuídas aos vikings está o veganismo.  O termo “vegano” foi empregado pela primeira vez em 1944 por Elsie Shrigley e Donal Watson e, a partir dessa data foi ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo todo. Na década de 1960 com a eclosão do Movimento Hippie ganhou mais popularidade e mais adeptos e, atualmente é reconhecido como uma dieta recomendada para pessoas que sofrem de doenças degenerativas, diabetes e cardiopatias.  Mais do que uma dieta, o veganismo é um estilo de vida, pois além de não serem consumidos nenhum tipo de alimento de origem animal aí também se incluem usar roupas de fibras vegetais, remédios, cosméticos e produtos de limpeza que foram produzidos sem nenhum tipo de sofrimento animal. Segundo os teóricos do veganismo ser vegano é adotar uma vida de extremo respeito aos animais.


Nosso objetivo aqui não é elaborar uma discussão sobre os benefícios do veganismo mas sim abordar o crescente desconhecimento sobre o que é realmente é o veganismo, onde e quando surgiu e tentar aplicá-los aos povos do passado como sendo essa uma prática cotidiana comum a muitos povos desde o início dos tempos. O que mais chama a atenção são afirmações distorcidas que circulam em blogs, sites, perfis do Facebbok, convites para “festas medievais” brasileiras, a exemplo de “Os Vikings foram os precursores do veganismo”!

Ao nos depararmos com esse tipo de afirmação percebemos o quanto ainda os vikings – mesmo estando tão na moda! – ainda são tão desconhecidos daqueles que se autointitulam “os verdadeiros descendentes dos vikings” mesmo tendo nascido nessas terras tropicais.

A dieta dos nórdicos na Era Viking eram muito variada: consumiam carne suína, bovina, caprina e ovina além de peixes – frescos e salgados – provenientes da água doce e salgada, leite, manteiga e creme de leite além do skir uma espécie de queijo fresco ainda muito consumido hoje, mel, utilizado como adoçante e ingrediente principal do hidromel, ovos, legumes: cenouras, beterrabas, nabos, cebolas, alho-poró, verduras como o espinafre e a urtiga, cogumelos e frutas: amoras, framboesas, mirtilos, peras, pêssegos e maçãs. Também consumiam carnes de caça e aves aquáticas. E, claro cereais: centeio, aveia, linhaça, cevada e trigo que faziam pães e papas além da cerveja. O vinho, que somente os muito ricos consumiam era importado do Mediterrâneo. Esses alimentos eram consumidos in natura durante a Primavera e o Verão nos meses de frio intenso onde eram obrigados a ficar meses fechados em suas casas consumiam basicamente todo o alimento que haviam estocado: peixes e carnes seca e salgadas, cogumelos desidratados, frutas secas e quase nenhum legume, verdura ou frutas frescas. O Inverno com o seu rigor trazia também o fantasma da fome, pois a comida estocada podia não ser suficiente para todos e o excesso de sal que consumiam nas carnes também eram prejudicial à saúde. Enfim, viver na Escandinávia medieval era uma aventura difícil: assegurar a sobrevivência era tarefa árdua!

De pose de todas essas informações podemos concluir com certeza que os vikings em hipótese alguma foram veganos! Concluímos isso não só pelas informações referentes a deita dos escandinavos medievais, mas eles também usavam utensílios confeccionados com ossos de animais, roupas de sapatos feitos com couro e lã de ovelhas. A vida na Escandinávia dependia e muito dos produtos de origem animal para assegurar a sobrevivência.
Afirmar que os “vikings foram os primeiros veganos” é uma afirmação errônea que denota um total desconhecimento do modo de vida não só dos nórdicos mas também de outros povos como por exemplo os romanos que consumiam uma quantidade significativa de vegetais e, nem por isso eram veganos! E uma leitura mais atenta dessas publicações no mundo virtual nos apresentam também outras ideias equivocadas como, por exemplo: “Quem não aceita o fato dos vikings serem veganos são os mesmos que não acreditam que as mulheres lutavam lado a lado dos homens nos campos de batalha”, ou “O verdadeiro hidromel é feito sem mel”! Essas afirmações que circulam com muita facilidade e são transmitidas para um sem número de pessoas que são crédulas e por desconhecimento, por falta de material para estudo ou até mesmo pelo fato de terem lido algo falacioso sobre os vikings, já se consideram especialistas no assunto e acreditam deter todo conhecimento sobre eles, sem aceitar o fato de que é necessário estar constantemente estudando e se atualizando, pois o aprendizado nunca termina!
 Infelizmente essas ideias ainda serão muito propagadas e muitos acreditarão que os antigos nórdicos eram veganos e viviam em total e irrestrita harmonia com a natureza e respeito aos animais. Basta sabermos que para sobreviver ao rigor dos invernos nórdicos eram necessário muitas roupas feitas com peles e penas de animais e que a gordura animal era vital para o cotidiano.

 Bibliografia sobre alimentação na Era Viking: acesse aqui.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

ARQUEOLOGIA DA RELIGIÃO NÓRDICA NA UFPB

A partir de agosto do corrente ano, o Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da UFPB (Mestrado e Doutorado), irá ofertar a disciplina: Arqueologia da religião Nórdica Antiga, a ser ministrada pelo prof. Dr. Johnni Langer (NEVE/VIVARIUM). Poderão participar alunos regulares do programa, além de alunos especiais (graduados em qualquer área) e discentes do curso de graduação em Ciências das Religiões ou demais interessados da comunidade acadêmica.
 
Desde 2013 estão sendo oferecidas disciplinas cujo conteúdo envolve a religiosidade nórdica pré-cristã (como Mitologia Nórdica, história das crenças mágicas e Religião Nórdica), mas é a primeira vez que a abordagem será exclusivamente dedicada ao estudo material da área nórdica, dentro do referencial da Arqueologia das Religiões.
Para maiores informações sobre a disciplina: ppgcr.ufpb@yahoo.com.br
 
 
Disciplina: ARQUEOLOGIA DA RELIGIÃO NÓRDICA ANTIGA

EMENTA:

As fontes, conceitos e métodos para o estudo material da religiosidade nórdica pré-cristã. As fontes primárias (literárias, visuais e materiais). As teorias. As metodologias e abordagens acadêmicas para a investigação. As polêmicas interpretativas. Temas de pesquisa.
 

OBJETIVOS

Geral: A compreensão arqueológica das expressões materiais religiosas no mundo nórdico antigo.
Específicos: O estudo e análise das fontes materiais, dos conceitos, das teorias e das metodologias arqueológicas envolvendo os estudos materiais da religiosidade no mundo nórdico antigo.


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

 

1. Fontes, conceitos e métodos sobre a Religião Nórdica Antiga.

2. A materialidade do rito na Escandinávia da Era Viking.

3. Imagem, espaço, simbolismo: monumentos e mitos nórdicos.

4. Cosmologia e visão de mundo: as evidências arqueológicas.

5. Crenças, funerais e sepultamentos na área nórdica: a Arqueologia da Morte.

 
BIBLIOGRAFIA:


ANDREEF, Alexander. Archaeological excavations of picture stone sites. In: Gotland´s Picture Stones: bearers of an enigmatic legacy. Gotländkst arkiv 84, 2012, pp. 129-212.
ANDRÉN, Anders. Tracing Old Norse Cosmology: the world tree, middle earth, and the sun from archaeological perspectives. Lund: Nordic Academic Press, 2014.
ANDRÉN, Anders. Behind Heathendom: archaeological studies of Old Norse Religion. Scottish Archaeological Journal 27(2), p. 105-138, 2005.
ANDRÉN, Anders; JENNBERT, Kristina; RAUDVERE, Catharina (Eds.). Old Norse Religion in long-term perspectives: origins, changes, and interactions. Lund: Nordic Academic Press, 2006.
ARNOLD, Bettina & WICKER, Nancy (Eds.). Gender and the Archaeology of death. Walnut Creek: Altamira Press, 2011.
FAHLANDER, Frederik & OESTIGAARD, Terje (Eds). The materiality of death: bodies, burials, beliefs. Oxford: Archaeopress, 2008.
FOGELIN, Lars (Ed.). Religion, Archaeology, and the Material World. Carbondale: Southern Illinois University Centre for Archaeological Investigations, 2008.
FOGELIN, Lars. The archaeology of religious ritual. Annual Review of Anthropology v. 36, p. 55-71, 2007.
GRÄSLUND, Anne-Sofie. The material culture of Old Norse religion. In: BRINK, Stefan (Ed.). The Viking world. London: Routledge, 2012, pp. 249-256.
 

HEDEAGER, Lotte. Iron Age Myth and Mentality an archaeology of Scandinavia ad 400 1000. Abingdon: Routledge, 2011.
 
 
HINES, John. Myth and reality: the contribution of Archaeology. In: ROSS, M. Clunies (Ed.). Old Norse Myths and Society. Odense: Odense University Press, 2003.
INSOLL, Timothy (Ed.). The Oxford Handbook of the Archaeology of ritual and religion. Oxford: Oxford University Press, 2011.
INSOLL, Timothy. Archaeology, ritual, religion. London: Routledge, 2004.
INSOLL, Timothy (Ed.). Archaeology and world religion. London: Routledge, 2001.
JENNBERT, Kristina. Archaeology an Pre-Christian Religion in Scandinavia. Current Swedish Archaeology 8, 2000, pp. 127-142.
JORGENSEN, Lars. Norse religion and ritual sites in Scandinavia in the 6th -11th century. In: Northern worlds: landscapes, interactions and dynamics. Copenhagen: National Museum, 2014.
LAFFINEUR, Robert. Archéologie et religion: problèmes et méthode. Kernos v. 1, p. 129-140, 1988.
 

LANGER, Johnni. Na trilha dos Vikings: estudos de religiosidade nórdica. João Pessoa: Editora da UFPB, 2015. Disponível em: www.academia.edu/12575618
 
 
LANGER, Johnni. Amuletos mágicos/Ardre VIII/Funerais e enterros/Hammar I/Hogbacks/Ídolos e imagens/Klinte Hunnige I/Pedras pintadas de gotland/Pinturas rupestres nórdicas/Sacrifício escandinavo. In: LANGER, Johnni (Org.). Dicionário de Mitologia Nórdica: símbolos, mitos e ritos. São Paulo: Hedra, 2015.
LANGER, Johnni. A religião nórdica pré-cristã: conceitos e métodos. In: ALVARO, Bruno & PARMEGIANI, Raquel (Orgs). Combates e Debates sobre a Antiguidade e o Medievo: Perspectivas Historiográficas. São Cristovão: Edufs (no prelo).
 

LANGER, Johnni. As estelas de Gotland. Brathair 6(1), 2006, pp. 10-41. Disponível em: https://www.academia.edu/752819
 
 
LINDBERG, Annete. The concept of religion in current studies of Scandinavian Pre-Christian Religion. Temenos vol. 45 (1), p. 85-119, 2009.
NORDBERG, Andreas. The grave as a doorway to the Other World: architectural religious symbolism in Iron Age graves in Scandinavia. Temenos vol. 45, n. 1, p. 35-63, 2009.
NORDEIDE, S. W.; BRINK, Stefan; (Eds.). Sacred sites and holy places: exploring the sacralization of landscape through time and space. London: Brepols Publishers, 2013.
PRICE, Neil. The viking way: Religion and War in Late Iron Age Scandinavia. Uppsala: Department of Archaeology and Ancient History, 2002.
 

RAUDVERE, Catharina. The part of the whole: cosmology as an empirical and analytical concept. Temenos 45(1), 2009, pp. 7-33. Disponível em: http://ojs.tsv.fi/index.php/temenos/article/view/4575
 
 
RAUDVERE, Catharina; SCHJØDT, Jens Peter. (Eds.). More Than Mythology: Narratives, Ritual Practices and Regional Distribution in Pre-Christian Scandinavian Religions. Lund: Nordic Academic Press, 2012.
RENFREW, Colin. The archaeology of religion. In: RENFREW, Colin (Org.). The ancient mind: elements of cognitive archaeology. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.
 
SCHEIDE, John. Por une archéologie du rite. In: Annales v. 55, p. 615-622, 2000.
WHITLEY, David S. & HAYS-GILPIN, Kelley (Eds). Belief in the Past: Theoretical Approaches to the Archaeology of Religion. Walnut Creek: Left Coast Press, 2008.