O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


sábado, 4 de agosto de 2018

Mitos nórdicos na Dinamarca: guia iconográfico



MITOS NÓRDICOS NA DINAMARCA: GUIA ICONOGRÁFICO

Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)



A Dinamarca é um dos países escandinavos com um dos maiores acervos sobre a antiguidade nórdica e alguns dos mais interessantes materiais sobre Mitologia Nórdica. A seguir repassamos algumas destas fontes, separadas por região e cidade.



1.      JUTLÂNDIA



Thor pescando a serpente do mundo. Pedra pintada da Igreja de Hørdum, Koldby (Thorvej 25A, Snedsted, 20km ao sul da cidade de Thisted), norte da Jutlândia. Descoberta em 1954 durante a restauração da igreja, trata-se da imagem mais antiga de uma das mais populares iconografias sobre o deus Thor, datada entre os séculos VIII e IX d.C. A igreja data de 1170 e fontes antigas descrevem que originalmente o local era dedicado ao culto de Odin e Thor.




Pedra de Snaptum, Museu Moesgaard (Moesgaard Allé 15, Aarhus), Jutlândia. Descoberta em 1950 e datada do ano mil, acredita-se que tenha sido originalmente uma pedra de lareira. O bocal de um fole seria inserido no buraco da frente da pedra. O ar soprado faria com que as chamas saíssem pelo topo. A imagem representa um ser masculino com a sua boca costurada – algo associado nas fontes com o deus Loki e este estava relacionado ao fogo. É a principal atração da seção viking do museu, dispondo inclusive de bancada frontal para poder contemplar a peça com mais atenção.



2.      ZELÂNDIA




Pingente de Lejre, Lejre Museum (Orehojvej 4B, Lejre) Uma das mais impressionantes descobertas arqueológicas nórdicas das últimas décadas. Trata-se de um pequeno mas importante amuleto, contendo o deus Odin sentado em seu trono, tendo ao lado quatro animais, dois corvos e dois lobos. É a principal atração do museu, que dispõe de recentes tecnologias visuais para detalhar todos os ângulos e detalhes do objeto.




Pedra rúnica de Snoldelev (DR 248), Museu Nacional da Dinamarca (Ny Vestergade 10, Prinsens Palæ DK-1471, Copenhague). Pedra rúnica datada do século IX, contendo a representação de uma suástica e um símbolo com três cornos entrelaçados – este último pode estar associado ao mito em que o deus Kvasir é morto pelos anões Fjalarr e Galarr e seu sangue é disposto em três vasilhames e depois misturado para fabricar o hidromel. Ambos os símbolos estão associados diretamente com o deus Odin. No fundo da suástica, quase imperceptível, está gravada outro símbolo mais antigo, uma roda solar.




Carro solar de Trundholm, Museu Nacional da Dinamarca (Ny Vestergade 10, Prinsens Palæ DK-1471, Copenhague). Objeto encontrado em um pântano em 1902, sendo um artefato da Idade do Bronze, datado de 1400 a.C. Representa um cavalo puxando uma carroça com um disco solar, um antecessor do cavalo Skinfaxi da mitologia nórdica. A sala onde está exposto possui efeitos de claro e escuro, imitando o dia e a noite, acompanhado de uma projeção automática com uma animação reconstituindo a cosmologia germano-escandinava.




Pingentes de valquírias. Museu Nacional da Dinamarca (Ny Vestergade 10, Prinsens Palæ DK-1471, Copenhague). Dois pingentes de valquírias, um representando duas mulheres armadas e ao lado de um cavalo, enquanto outro pingente apresenta a versão domesticada: uma mulher vestindo longas vestes e protando hidromel em sua mão. Ao lado esquerdo, um conjunto de três imagens masculinas, possivelmente representando deidades ou seres sobrenaturais.




Audumla e Ymir, pintura de Nicolai Abraham Abildgaard (1777), Museu Nacional de Artes da Dinamarca (Sølvgade 48-50, Copenhague).  Uma das mais icônicas e representativas obras de arte do ocidente a representar mitos nórdicos. Representa a vaca primordial alimentando o gigante Ymir, enquanto Búri surge do gelo logo atrás.



O festin de Aegir (Ægirs Gjæstebud, de Constantin Hansen (1861). Museu Nacional de Artes da Dinamarca (Sølvgade 48-50, Copenhague).  Famosa pintura retratando o banquete do Lokasenna, tendo o deus Thor como principal elemento figurativo, ao centro do quadro, portando seu martelo, enquanto Loki surge em primeiro plano.


Friso do Ragnarok, Hermann Ernest Freund (1825-1827), Museu Nacional de Artes da Dinamarca (Sølvgade 48-50, Copenhague). Uma das mais grandiosas esculturas sobre Mitologia Nórdica, originalmente composta por Freund para o palácio Christiansborg, mas foi destruído parcialmente por um incêndio em 1884. Partes do friso são expostos no Statens Museum for Kunst.




A morte de Balder, Christoffer Wilhelm Eckersberg (1817), Real Academia Dinamarquesa de Artes (Philip de Langes Allé 10, Copenhague). 




Fonte de Gefion (Gefionspringvandet, Churchillparken 1263, Copenhague). Esculpida por Anders Bundgaard em 1908, a fonte foi encomendada pela fundação Carlsberg. A escultura representa a deusa Gefion, associada coma criação mítica da ilha da Zelândia e cuja narrativa foi preservada pelo poema escáldico Ragnarsdrápa e pela Ynglinga saga de Snorri Sturluson. A escultura representa a deusa de modo extremamente soberbo e poderoso, conduzindo quatro touros vigorosos. A indumentária da deusa foi influenciada pelas descobertas arqueológicas oitocentistas, como o detalhe da sua tiara, de modelo da Idade do Bronze, cujos vários exemplares estão expostos no Museu Nacional da Dinamarca. A fonte localiza-se bem próxima da estátua da pequena sereia, a principal atração turística de Copenhague.




Valquiria, escultura de Stephan Sinding, Churchillparken/Kastellet (Gl. Hovedvagt, Kastellet 1, 2100, Copenhague). Estátua executada em Paris em 1908, baseada num desenho de 1872. Uma pequena versão em bronze está em exibição na Ny Carlsberg Glyptotek, também em Copenhague.




A batalha de Thor contra os gigantes, Ny Carlsberg Bryghus (Gamle Carlsberg Vej 111799, Copenhague)  Escultura de Carl Johan Bonnesen para a cervejaria Carlsberg, realizada em 1901. Trata-se de uma majestosa obra, apresentado o deus Thor em uma vigorosa posição de batalha contra os gigantes. A escultura foi influenciada pela pintura Thor de M. Winge (1872) e apresenta o filho de Odin como uma divindade solar e ariana, dentro dos critérios oitocentistas. Seguindo também essas tendências artísticas, Bonnesen inseriu grandes suásticas nas rodas e pequenas na parte superior da biga (no quadro de Winge este símbolo está no cinto da deidade).




Odin, escultura de Hermann Ernest Freund (1829), Ny Carlsberg Glyptotek (Dantes Plads 7, Copenhague).  O primeiro artista dinamarquês a esculpir obras sobre mitologia nórdica, todas inspiradas na estética classicista.




Thor, escultura de Hermann Ernest Freund (1828-29), Ny Carlsberg Glyptotek (Dantes Plads 7, Copenhague). 




Loki, escultura de Hermann Ernest Freund (1822). Ny Carlsberg Glyptotek (Dantes Plads 7, Copenhague). 




Valquíria, escultura de Herman Wilhelm Bissen (1858). Ny Carlsberg Glyptotek (Dantes Plads 7, Copenhague). 




Idunna, escultura de Herman Wilhelm Bissen (1858). Ny Carlsberg Glyptotek (Dantes Plads 7, Copenhague).




Brunhilde, escultura de Herman Wilhelm Bissen (1857). Ny Carlsberg Glyptotek (Dantes Plads 7, Copenhague). 




Ingeborg, escultura de Herman Wilhelm Bissen (1857). Ny Carlsberg Glyptotek (Dantes Plads 7, Copenhague). 




3.      FIÔNIA




A batalha de Thor contra os gigantes (Thors kamp med Jætterne), outra estátua do escultor Carl Johan Bonnesen, realizada em 1918. A escultura foi encomendada por Harald Plum e vendida para a fábrica Hastrup, onde localiza-se atualmente (Næsbyvej 20, Odense). Ao contrário de sua obra da cervejaria Calsberg, esta estátua não apresenta elmo germânico nem capa, sendo muito mais dentro dos padrões estéticos neoclássicos: tanto o deus quanto os gigantes foram representados nus, com formas extremamente musculosas e vigorosas.




O poço de Ymir (Ymerbrønden), de Kai Nielsen (1913), Faaborg Museum (Groennegade 75, Faaborg). Ao contrário de Abildgaard, a obra de Nielsen apresenta um Ymir muito mais contemporâneo: aqui o gigante possui um corpo maior do que a vaca primordial, mas a sua posição é de submissão, ficando deitado com a cabeça totalmente abaixo do animal.



 Bibliografia:

BOYER, Régis. Héros et dieux du Nord: guide iconographique. Paris: Flammarion, 1997.

Danish Prehistory. Copenhagen: National Museum of Denmark, 2016.

Follow the vikings: highlights of the viking world. Uppsala: Almqvist, 1996.

HANSEN, Jakob. Copenhaga. León: Editorial Evergráfica, 1998.

LANGER, Johnni (Org.). Dicionário de Mitologia Nórdica. São Paulo: Hedra, 2015.

LAURING, Palle. A History of Denmark. Copenhagen: Host, 2016.

Vikings in Denmark: a travel guide. Kobenhavn: Politikens Forlag, 2018.

Vikingernes Aros. Aarhus: Moesgard Museum, 2005.

WILIAMS, Gareth et al (Org.). Viking. Kobenhavn: Nationalmuseet, 2013.