O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Registrado no CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

quinta-feira, 30 de março de 2017

Afinal, qual era a língua dos vikings?


 

Afinal, qual era a língua dos "vikings"?
 

Andressa Furlan Ferreira (PPGCR-UFPB/NEVE)

A Linguística Histórica é uma complexa área que se ocupa do estudo de linguagens passadas. Naturalmente, entender o modus operandi de línguas antigas requer muito estudo e dedicação. Este post não tem a ambição de explanar todas as particularidades das línguas nórdicas, mas de divulgar e simplificar um tema que pode ser nebuloso para muitos leitores brasileiros. Tendo em vista esse objetivo, resolvemos disponibilizar em língua portuguesa o texto a seguir, que foi retirado do site The Dockyards. Trata-se de um texto curto e didático para que o leitor tenha uma noção da língua e do sistema de escrita empregados pelos antigos povos nórdicos.

O nórdico antigo (em inglês, "Old Norse", comumente abreviado por ON) foi uma língua germânica falada pelos antigos habitantes indo-europeus da Escandinávia, assim como por seus descendentes nas colônias do Atlântico Norte durante a Era Viking (por exemplo, as Ilhas Faroé, Islândia, Groenlândia, Inglaterra, Irlanda e "Vinland", área correspondente ao Canadá atual). Foi a língua predominante na maioria desses territórios entre os séculos IX e XII, tendo sido usada como um dos principais meios de comunicação no que concerne à diplomacia, comércio e religião.

De acordo com pesquisas da Linguística Comparativa, o nórdico antigo foi descendente do proto-nórdico, uma língua indo-europeia anterior ao nórdico antigo que era falada na Europa Setentrional da Antiguidade Tardia até o início da Era Viking (século II até o século VIII). Dessa forma, temos: proto-nórdico >> nórdico antigo >> línguas nórdicas modernas (dinamarquês, sueco, islandês, norueguês).

O alfabeto usado pelo proto-nórdico e pelo nórdico antigo não era a escrita latina, a qual somos familiarizados, mas uma escrita rúnica (isto é, que emprega runas), conhecida como "futhark". A grosso modo, pode-se entender "runa" como uma letra do "alfabeto nórdico", que também poderia apresentar funções mágicas quando empregada para determinados fins. O site do Museu Nacional da Dinamarca fornece mais informações sobre magia rúnica (em inglês, clique aqui).
 
 
Havia algumas diferenças entre o sistema rúnico do proto-nórdico e do nórdico antigo e, para tanto, criou-se o nome "Elder Futhark" (Futhark mais antigo) para referenciar a escrita rúnica do proto-nórdico e "Younger Futhark" (Futhark mais novo) para a escrita do nórdico antigo. O "Elder Futhark" foi empregado até o século VIII, seguido do "Younger Futhark" (século IX ao XII), que perpassou a Era Viking. Após a cristianização da Escandinávia, o uso do "Younger Futhark" gradualmente desvaneceu e foi substituído pelo alfabeto latino.

O nórdico antigo englobava três dialetos principais:

· Nórdico antigo do Leste ("Old East Norse"; era falado nas regiões atuais da Dinamarca, sul da Suécia, Normandia e escassamente no Leste da Europa)

· Nórdico antigo do Oeste ("Old West Norse"; era falado na região costeira da atual Noruega, Islândia, Ilhas Faroé, partes da Irlanda, Escócia e País de Gales)

· Gotlandês antigo ("Old Gutnish"; era falado especificamente em Gotland, a maior ilha da Suécia)

Depois do fim da Era Viking, os dialetos do nórdico antigo se desenvolveram para as línguas germânicas do Norte modernas (dinamarquês, sueco, norueguês, islandês, feroês...).
 
 

Para mais leituras em português sobre runas e runologia, confira a edição 7 do Notícias Asgardianas Boletim do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, clique aqui.

Texto original (inglês), clique aqui.


 
Tradução e adaptação de Andressa Furlan Ferreira.