O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet.
Parceiro do LOFOTR VIKING MUSEUM (Noruega); Centre for Experimental Archaeology and Material Culture (Universidade de Dublin, Irlanda); The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), ABHR e PPPGCR-UFPB. Credenciado no CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Runas e pedras rúnicas: guia visual







Introdução às pedras rúnicas



Leandro Vilar
Doutorando em Ciências das Religiões pela UFPB
Membro do NEVE



A proposta desse texto foi de apresentar alguns aspectos centrais sobre as pedras rúnicas ou estelas rúnicas, monumentos memorialistas erguidos na Escandinávia entre os séculos V ao XII. Os quais em geral apresentavam homenagens para pessoas vivas ou falecidas. Tal prática vivenciou um considerável aumento especificamente no território sueco, entre os séculos XI e XII. 

Introdução: o alfabeto rúnico
Para entender porque as pedras rúnicas eram chamadas como tais, se faz necessário saber o que seria a palavra rúnico, o qual advém da palavra runa, termo utilizado desde o século XVI, para se referir a um tipo de alfabeto de origem europeia, originado por volta do século II ou III d.C. em território germânico. No caso, a origem das runas não é precisa, sabe-se que os vestígios mais antigos foram achados em inscrições localizadas no que hoje é o sul da Alemanha e sul da Suíça, territórios ocupados por povos germânicos e celtas, e sob dominação romana já no século II d.C. (PAGE, 1999).
De qualquer forma, o emprego desse alfabeto foi utilizado por diferentes povos germânicos e celtas, não sabendo-se exatamente quais desses povos que foi responsável pela criação desse alfabeto, o qual apresenta inspiração no alfabeto latino e talvez também no alfabeto grego. Alain Marez (2007) comentou que no século XIX e começo do XX, runólogos e filólogos realizaram pesquisas na tentativa de identificar a origem das runas. Uns defendiam que elas seriam de origem naturalmente germânica, inclusive com a possibilidade de conter elementos indo-europeus. Os que defendiam essa hipótese eram adeptos do nacionalismo pan-germanista do XIX, o qual influenciou as artes e as ciências. Por outro lado, havia runólogos que defendiam a hipótese grega para a origem das runas, como o linguista sueco Otto von Friesen (1870-1942). Outra vertente de hipótese sugeria uma origem baseada no alfabeto latino, como defendia o linguista norueguês Carl J. S. Marstrande (1883-1965). Atualmente a hipótese latina é a mais aceita no meio da runologia. 

A palavra runa e rúnico advém do inglês antigo run, a qual foi latinizada para rune. Todavia, sua aplicação, segundo Raymond Page (1999), somente passou a ser usada no século XVI, quando surgem os primeiros estudiosos interessados em traduzir as inscrições rúnicas. Algumas obras importantes sobre os estudos rúnicos, citadas por Page, são: Runer, seu Danica Literatura Antiquissima (1636), Danicorum Monumetorum Libri Sex (1646) e Specimen Lexici Runici (1650), as quais deram origem a Runologia, ciência linguística que consiste num campo de estudo filológico, cujo principal objetivo é estudar a língua rúnica. Apesar que atualmente runologia também esteja associado com o estudo dos usos e aplicações das runas, não apenas pelo viés filológico e semântico, mas também para se conhecer seus usos históricos, sociais, culturais, etc. 

Pela condição do alfabeto rúnico ter variado ao longo da História, atualmente os runólogos costumam trabalhar com três variações básicas desse alfabeto, as quais são chamadas de futhark, em referência as primeiras letras que o formam. No entanto, o termo futhark não é originário do medievo, mas consiste num termo criado pelos runólogos para se referir a este alfabeto. 

O futhark sofreu variações ao longo de séculos, porém, esteve ativo entre os séculos II ao XV, especialmente nos territórios que hoje compreendem a Alemanha, norte da França, Suíça, Holanda, Bélgica, Áustria, Ucrânia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Inglaterra. Neste caso, sublinha-se que nestes países foram adotadas diferentes versões do alfabeto rúnico. (VENÂNCIO, 2018). Os quais basicamente possuem quatro modelos:
O Antigo Futhark ou Futhark germânico (II-IX), de origem germânica, foi usado em território germânico e escandinavo. Era formado por 24 letras (ou runas) e foi difundido da Suíça até a Suécia. A grafia das runas mudou com o tempo e acabou originando duas variações principais: uma de origem anglo-saxã e outra de origem escandinava. Todavia, encontram-se no século VIII, uma forma de futhark germânico já com 21 runas, a qual viria originar a versão escandinava no mesmo século. 


Imagem 1: O futhark germânico teve como modelo de inspiração o alfabeto latino, como se nota essa comparação vista na imagem. 

A variação anglo-saxã, desenvolvida pelos saxões e frísios, foi levada durante as migrações dos saxões para a Bretanha, passando a ser adotada ao lado do alfabeto latino introduzido pelos missionários cristãos. Devido a essa longeva convivência entre os dois alfabetos, o futhorc como passou a ser conhecido, acabou adotando novas runas, passando a possuir 28 runas, mas alguns modelos mais tardios desse alfabeto, datados dos séculos IX e X, apresentavam até 34 runas. 



Imagem 2: Versão do futhorc com 34 runas. 


O Novo Futhark ou Futhark escandinavo (IX-XII), usado principalmente em território escandinavo, sendo uma variação do futhark germânico, é um caso atípico, segundo dito por Marez (2007), pela condição de que ao invés de ter mantido o número de 24 runas ou tê-lo ampliado, como ocorreu com o futhorc, a versão escandinava reduziu a quantidade de letras para 16. No entanto, além dessa redução na quantidade de letras, surgiu também variações gráficas como a versão de Rök, surgida no século IX, na Noruega e Suécia, a qual alterava a grafia das runas 8 a 16. A outra versão foi a de Hälsingland, oriunda na Suécia, no século XI, a qual alterava a grafia de todo o alfabeto, simplificando as runas. 





Imagem 3: As três variações do futhark escandinavo. 


Os três alfabetos possuem algumas variações na quantidade de letras, grafia e pronúncia. Tendo sido utilizados ao mesmo tempo em locais distintos, e até interagindo um com o outro, já que se apresentavam como variações fonéticas das línguas pelos quais foram adotados. Entre essas línguas estavam o rúnico, gótico, antigo frísio, antigo alto-alemão, antigo baixo-alemão, anglo-saxão (ou inglês antigo), nórdico antigo, etc. (VENÂNCIO, 2018).

Embora com o fim da Era Viking o uso do futhorc e do futhark escandinavo tenha diminuído, isso não significou que a utilização desse alfabeto teve fim, escritores da Baixa Idade Média (XI-XV) fizeram novos usos para as runas, no que resultou na origem do futhark medieval, surgido no século XII e usado até o XV. Esse novo alfabeto possuía 22 a 23 letras e era baseado no alfabeto latino. Sua origem é escandinava, tratando-se de uma adaptação do futhark escandinavo. A adoção de mais letras devia-se ao fato de que os países nórdicos agora cristianizados, passavam a fazer parte da Europa cristã, na qual o latim era a língua erudita. No entanto, os eruditos escandinavos não abandonaram sua língua de vez e criaram uma versão nova do antigo alfabeto rúnico. O qual foi usado para redigir manuscritos. (KNIRK, 2016). 




Imagem 4: O Codex Runicus (XIII), contendo as Leis da Escânia. 




Alguns usos para as runas:
Apresentado essas informações sobre o alfabeto rúnico, não foi de nosso intuito aprofundar tal discussão, por se tratar de um debate filológico. Assim, prosseguiremos para os usos atribuídos as runas. Pela condição de se tratar de um alfabeto, evidentemente que seu uso central era a escrita, todavia, o intuito dessa escrita, ou melhor, seu conteúdo e motivo, eram variados. As runas foram utilizadas em distintos suportes: madeira, metal, osso, pedra, pergaminho, etc. sendo encontradas em objetos diversos como espadas, escudos, elmos, broches, amuletos, joias, pentes, facas, utensílios, objetos votivos, etc. além de terem sido gravadas em monumentos como as pedras rúnicas, terem sido gravadas em móveis, navios, barcos, paredes, rochas, etc. O uso dado as runas inclusive variavam de acordo com o suporte material que ela se encontrava. (SAWYER, 2006).

As runas foram usadas em geral para formar frases curtas, associadas com o intuito de informar que determinado objeto pertencia a alguém, ou frases para se pedir boa sorte ou proteção, homenagear alguém vivo, homenagear alguém morto, fazer encantamento ou feitiço, fazer maldições, informar sobre determinado feito realizado por alguém (batalha, conquista ou viagem são os temas mais comuns). Alguns objetos pessoais continham inscrições com o nome de seus donos, ou com encantamentos mágicos. Já as runas inscritas em embarcações pediam proteção para a mesma. As pedras rúnicas por sua vez traziam homenagens aos vivos ou aos mortos, ou faziam menções a acontecimentos políticos ou militares, em geral, associados a reis ou chefes. (MAREZ, 2007).

Marez (2007) também comentou que a tradição de usar as runas para prestar homenagem aos vivos e aos mortos é antiga e remonta séculos antes do auge da proliferação das pedras rúnicas no século XI. Marez cita que nos séculos V e VII, durante a Dinastia Merovíngia (c. 450-751), a qual reinou sobre os atuais territórios da França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria e Suíça, encontrou-se amuletos chamados de bracteados, os quais alguns, continham inscrições rúnicas dedicando tais amuletos a memória de entes familiares, vivos ou mortos. Marez também salientou que durante a Era Viking a quantidade de inscrições rúnicas de teor memorialista foi algo visto por todo aquele período, encontrando-se relatos memorialistas não apenas na Escandinávia, mas em outros territórios ocupados pelos nórdicos. 


Imagem 5: Bracteado G 205, encontrado na Suécia e datado do século V, contendo a inscrição “Alu”, talvez uma referência a Wodan. O objeto também traz uma suástica, símbolo sagrado para os germânicos. 

Quanto ao uso mágico das runas, esse uso foi observado como assinalado por MacLeod e Mees (2006), os quais apontaram que se encontram inscrições rúnicas contendo encantamentos para se pedir proteção contra má sorte, doenças, perigos, inimigos, acidentes; feitiços se pedindo cura, boa sorte, proteção, amor, fertilidade, etc. com direito que tais inscrições poderiam aparecer em objetos ou outros suportes. As runas também teriam sido usadas para se prever o futuro ou a sorte de alguém. Inclusive na mitologia nórdica, sua origem é associada com o deus Odin, divindade relacionada com a sabedoria e os mortos. Embora que atualmente o uso mágico das runas esteja ligado mais a reinterpretações esotéricas e ocultistas, que em alguns casos, usam as runas para fins de adivinhação. Os autores MacLeod e Mess alertam para não achar que as práticas mágicas que hoje fazem uso das runas, sejam as mesmas ou parecidas com as que eram feitas no medievo. 

Runas também foram usadas para a escrita de textos mais longos, como poemas e até crônicas ou outros tipos de relatos. Marez (2007) fala do uso das runas em textos sobre jurisprudência como o Codex Runicus citado acima, o qual consiste em um caso de um documento escrito com o alfabeto rúnico medieval. Outro exemplo do emprego das runas na escrita é citado por Raymond Page (2014), ao abordar o chamado poema rúnico irlandês, um tipo de poesia utilizada para se fazer homenagens ou dirigir palavras corteses. Page assinala que há outros estilos de poesia, usando runas. 

As pedras rúnicas: uma breve definição
Uma pedra rúnica ou estela rúnica consiste em um monumento de pedra, erguido na Idade Média, pelos povos de origem escandinava, entre os séculos V e XII, sendo que muitas dessas pedras foram erguidas no final da Era Viking, no século XI. Após esse período a prática cultural de erguer essas pedras decaiu e foi abandonada. Todavia, o que define uma pedra rúnica não é apenas seu contexto histórico, assinalado acima, mas também a questão de ela trazer runas inscritas em sua superfície. No caso, algumas pedras rúnicas poderiam possuir apenas inscrições, enquanto outras traziam inscrições e imagens. Algo que veremos adiante. 

É preciso sublinhar essa característica da presença de escrita, pois os nórdicos também faziam uso de outro tipo de estela, no caso, as pedras gravadas ou pedras pintadas (picture stone, image stone, figure stone). Monumentos que coexistiram no mesmo período das pedras rúnicas, entre os séculos IV ao XI, embora muitos desses ficaram restritos a ilha de Gotland, importante polo rural e comercial do Mar Báltico. A condição de Gotland conter muitas das estelas gravadas levou alguns estudiosos a chama-las de “pedras gotlandesas” (Gotland stones). 

No caso dessas estelas gravadas, elas não trazem textos, apenas imagens, as quais retratam pessoas, animais, embarcações, objetos, armas, símbolos, etc. Os mitólogos, historiadores e arqueólogos tendem a interpretar essas cenas como referências ao cotidiano, batalhas, sacrifícios e narrativas mitológicas. 




Imagem 6: A Hammars I, Gotland, Suécia, é o exemplo mais conhecido de pedra gravada. 


A localização das pedras rúnicas
Sabendo do que se trata uma pedra rúnica, vejamos onde elas se localizam e a quantidade que se conhece desses monumentos, para depois, vermos quais eram seus usos e características mais detalhadas. 

Em 2006 eram estimadas a existência de mais de 3 mil estelas rúnicas, sendo que 90% desse total, estava localizado na Escandinávia (Suécia, Dinamarca e Noruega). Os outros 10% foram encontrados na Inglaterra, Irlanda, ilha de Man, Escócia, etc. Na Islândia não há estelas rúnicas. A maior parte das estelas foram erguidas entre os séculos X e XI, na Suécia, o que representa 89% do total de pedras identificadas. (MARJOSTEIN, 2013).

As estelas rúnicas mais antigas foram encontradas na Dinamarca, apesar de pedras gravadas já fossem erguidas em Gotland, por volta do século IV d.C. As pedras encontradas na Dinamarca, faziam uso do Antigo Futhark, até o século IX, quando se passou a adotar o Novo Futhark. (SAWYER, 2006). 

A Dinamarca possui cerca de 250 estelas rúnicas encontradas, sendo que a Noruega, possui pelo menos 50 estelas detectadas. Já a Suécia concentra cerca de 2.500 estelas, sendo que 1.200, apenas no atual distrito de Uppland. A grande quantidade desses monumentos em território sueco é normalmente atribuída por causa de um grande fluxo de riquezas produzidos no reino, especialmente nas províncias em torno do lago Mälaren, via aquática que conectava o interior do país com o mar Báltico. Nessa região destacou-se cidades como Birka, Sigtuna e Uppsala. A prosperidade local teria favorecido a concentração desses monumentos, já que eram trabalhos dispendiosos, e inacessíveis para algumas camadas sociais menos abastadas. (PRICE, 2015). 


Imagem 7: Mapa da Escandinávia apresentando a localização das principais pedras rúnicas. 

No arquipélago bretão, as pedras rúnicas começaram a ser erguidas no século IX e continuaram até o X, marcando o período das invasões e colonização nórdica na região. (PAGE, 1999). A ocupação ou colonização dinamarquesa e norueguesa de parte da Bretanha, ocorreu durante a Era Viking, período de grande expansão dos povos nórdicos, que coincide com uma expansão do poder político e econômico de monarcas, nobres, ricos fazendeiros e comerciantes que aproveitaram as expedições, invasões, saques, guerras e colonização desse período. (PRICE, 2015).

Os usos das pedras rúnicas
Em geral as pedras rúnicas apresentam um uso memorialista, seja para enaltecer os feitos de alguém vivo, ou em homenagem póstuma, a alguém que morreu. A maior parte das homenagens eram concedidas a homens, por seus familiares (esposas e filhos), mas há casos de mulheres que receberam homenagem, especialmente mães, esposas e filhas. Os principais homenageados eram maridos e pais, depois vinham os filhos. (SAWYER, 2006). Na Suécia a partir do século X, mas especialmente no XI, observou-se em algumas províncias o aumento de homenagens femininas. Algo ainda não claramente compreendido. (MAREZ, 2007). 

Algumas pedras rúnicas apresentam elementos cristãos, fosse pelo uso da cruz ou por menções a Deus e Nossa Senhora. Alguns arqueólogos e historiadores interpretam isso como reflexo do crescimento do cristianismo nestes países, já que menções a Odin, Thor, Freyr, Freyja não eram usuais nas pedras rúnicas, embora fossem encontradas em outros suportes, como amuletos e outros tipos de objetos, os quais estavam associados a fatores de culto, proteção ou magia. 

No século XI e XII, na Suécia, é comum encontrar as frases “Deus guarde sua alma”, “Deus e a mãe de Deus guardem sua alma”, como referência a condição do morto homenageado fosse cristão. Algo que era reflexo também pela acentuada cristianização desse país, naquele período. (ZILMER, 2011).


Imagem 8: Fotografia da pedra Gs 11 Järvsta, Suécia, século XI. A inscrição contém um epitáfio cristão. Ler-se: “Thjóðgeirr e Guðleifr e Karl, todos esses irmãos ergueram essa pedra em memória de Thjóðmundr, seu pai. Que Deus e a mãe de Deus guardem sua alma. E o filho de Ásmundr Kári marcou as runas”. 

Depois das menções a Deus e a Virgem Maria, encontram-se em pedras suecas e dinamarquesas, menções menos comuns, citando São Miguel, São Bartolomeu e Jesus Cristo. Nestes casos as citações normalmente se referiam a essas divindades e santos no intuito de pedir sua proteção ou ajudar a alma a chegar ao Paraíso. Porém, há casos de algumas pedras rúnicas que fazem menções a Thor, o mais popular dos deuses nórdicos, o qual era convocado para abençoar as runas e o morto. (MAREZ, 2007). 


Imagem 9: Fotografia da pedra de Glavendrup (DR 209), Dinamarca, século X. Nessa pedra a inscrição faz menção ao deus Thor, a um sacerdote e até uma maldição para quem danificar a pedra. Vejamos o que está escrito: “Ragnhildr colocou esta pedra em memória de Alli, o Pálido, sacerdote do santuário, honrado thegn do séquito. Os filhos de Alli fizeram este monumento em memória de seu pai, e sua esposa, em memória de seu marido. E Sóti esculpiu essas runas em memória do seu senhor. Thor abençoe estas runas. Seja amaldiçoado aquele que danificar essa pedra ou a arrastá-la (para ficar) em memória de outra.

Apesar da quantidade de cruzes encontradas em pedras rúnicas, não significa que necessariamente o morto fosse cristão ou tivesse abandonado totalmente fé nos antigos deuses. 

“Ter símbolos cristãos em uma pedra rúnica não quer dizer que ela seja um monumento exclusivamente cristão, tampouco a existência apenas de símbolos pagãos representa exclusividade dessa origem. Pedras como a Sö 112, localizada na Suécia, apresentam uma cruz junto a uma máscara odínica, ou ainda a famosa Sö 101, também na Suécia, que traz cenas da saga lendária de Sigurd junto a inscrições rúnicas que ofertam a construção de uma ponte à alma de alguém. A máscara odínica e a representação de Sigurd são importantes símbolos do paganismo nórdico, assim como a cruz e preocupação pela alma de alguém são elementos trazidos pelo cristianismo”. (OLIVEIRA, 2014, p. 48). 

No tocante ao uso dessas pedras para fator memorialista, Stern Marjolein (2013) comenta que a localização de algumas estelas, era escolhida no intuito de torna-las visíveis. Por isso optar-se ergue-las à beira de estradas, campos, cemitérios e terrenos de igreja. Locais onde tais pedras poderiam ser visualidades pela comunidade. Pois como se tratavam de memoriais ou cenotáfios, se fazia necessário que o nome do homenageado fosse reconhecido na comunidade ou na região, daí fazer uso destes lugares onde havia um fluxo recorrente de pessoas, para que elas pudessem avistar o monumento. E também se faz necessário sublinhar que nem todo mundo conseguiria ler as inscrições, porém, poderiam identificar pelas imagens e a localização, que determinada pedra pertencia a certa pessoa. 

Algumas estelas rúnicas se encontram em terrenos de igrejas, ou foram relocadas para lá. Um dos motivos se deve que o morto homenageado era cristão. Embora haja casos de pedras rúnicas que foram colocadas dentro de igrejas ou usadas na construção dessas. (SAWYER, 2006). 

As pedras rúnicas representavam sinal de status social elevado, pois eram monumentos caros. Inclusive alguns são citados como tendo participado de expedições em outras nações, tendo retornado com triunfo ou perecido na jornada. Um dos casos mais conhecidos dessas expedições, foi a viagem de Ingvar, o Viajado até o Mar Cáspio, na Ásia. O relato dessa viagem em parte é descrito na Saga de Ingvar, o Viajado (Yngvars saga vidförla). Ele no século XI liderou uma expedição para o leste europeu até o Mar Negro, de onde seguiu até o Mar Cáspio, já em território muçulmano. Na saga, aquela região é chamada de “Terra dos Sarracenos”. No entanto, alguns membros dessa expedição receberam pedras rúnicas. No caso, Marez (2007) comenta a existência de pelo menos 26 pedras dedicadas a membros dessa expedição. 


Imagem 10: A Pedra de Gripsholm (Sö 179), Suécia, século XI. Nessa estela diz que Tula mandou erigir essa pedra em memória de seu filho Haroldo, o qual participou da expedição de Ingvar, mas faleceu em viagem, na terra dos Sarracenos. 

Outro exemplo com teor histórico e memorialista dado as pedras rúnicas é o caso das Pedras de Jelling. Situadas no terreno da Igreja de Jelling, na Dinamarca, essas pedras datadas do século X, foram erguidas por dois reis, pai e filho. A pedra menor que é a DR 41 Jelling 1, foi erguida pelo rei Gorm, o Velho a sua esposa Thyra, e ao reino que governavam, a Dinamarca. Já a segunda pedra, que é maior e apresenta uma imagem de Cristo crucificado, na parte de trás, foi erguida pelo filho de Gorm e Thyra, Haroldo Dente Azul, que governou de 958 a 986. Na pedra DR 42 Jelling 2, o rei Haroldo mandou escrever que dedicava aquela pedra aos seus pais, e também dizia que durante seu reinado ele governava a Dinamarca, conquistou a Noruega e converteu seu povo ao cristianismo. Historicamente são dados reais. O que revela o uso político dessa pedra, como forma do rei promover algumas de suas façanhas. 


Imagem 11: As duas Pedras de Jelling, Dinamarca, século X. 


Um outro exemplo do uso histórico e memorialista dessas estelas, está associado com as campanhas militares do rei Canuto, o Grande, o qual foi rei da Dinamarca, Noruega e Inglaterra, tendo governado estes países entre 1018 a 1035. No caso dos relatos rúnicos contidos nas pedras, esses em geral remetem-se ao período das campanhas empreendidas por Canuto para se apossar do reino da Inglaterra. Marez (2007) assinala que quatro pedras rúnicas importantes mencionam os conflitos promovidos pelo rei Canuto, o Grande. Essas pedras são: Yttergärd, Landeryd, Väsby e Galte. Apesar de haver outras 26 pedras que compõe o “grupo inglês”, que faz referência a conquista da Inglaterra pelo rei Canuto. 


Imagem 12: A pedra U 194, Suécia, século XI. A inscrição diz que Ali ergueu essa pedra em memória de si. Por sua vez, ele aceitou servir o rei Canuto na Inglaterra. 

Entretanto, há exemplos de pedras rúnicas que contém referencias mitológicas. Por mais que tenham prestado homenagem a alguém ou algum acontecimento, ela traz imagens associadas com mitos. Temos dois casos nos quais as pedras fazem menção ao mito de Sigurd o Matador de Fafnir, onde o herói confronta o dragão Fafnir. Algo visto nas estelas Gs 9, U 1163, U 1175, Sö 101, entre outras. Outro mito citado é o da pescaria da Serpente do Mundo, onde o deus Thor tentou pescar Jormungand. Esse mito é representado na pedra rúnica U 1161, conhecida como Pedra de Altuna. 


Imagem 13: Detalhe da Pedra de Altuna, com a imagem realçada de Thor pescando Jormungand. 

Como se fazia uma pedra rúnica
Os dados sobre como era a feitura dessas pedras são praticamente inexistentes. O que se dispõe são hipóteses de técnicas que seriam adotadas na época. Mas como o trabalho de se fazer uma pedra rúnica não era algo que requeresse um conhecimento matemático ou de engenharia para tal, isso facilita deduzir como tais monumentos eram feitos. Em primeiro lugar muitas das pedras rúnicas eram blocos talhados ou as vezes polidos, para ganhar uma superfície plana, e facilitar seu transporte. A parte mais difícil era talhar-se as runas, e no caso das pedras que possuíam imagens, fazer tais desenhos, os quais geralmente são de animais, mas há casos de pedras que trazem pessoas, monstros e símbolos solares, cruzes, suásticas, etc. 

O artesão responsável por essas pedras era chamado de mestre das runas (runemaster) ou runográfo (runecarver). No caso, tratava-se de um artesão letrado, um diferencial importante em uma sociedade majoritariamente analfabeta. Sendo assim, raros eram os artesãos que sabiam ler e escrever, o que tornava seu ofício algo mais exclusivo e caro. Alain Marez (2007) considerava o mestre das runas não apenas o artesão que fazia pedras rúnicas, mas qualquer artesão que soubesse talhar runas, o que incluía escrever runas em joias, objetos e outras superfícies. Para Marez os metres das runas além do conhecimento artífice em esculpir, gravar, talhar, ourivesaria, metalurgia, etc. também teriam conhecimento mágico, para escrever encantamentos, feitiços e maldições. Apesar que haja a possibilidade de praticantes de magia que não eram mestres das runas, mas que soubessem fazer uso desse alfabeto.

Por outro lado, estudiosos como James Graham-Campbell (2006), consideram que o termo mestre das runas seja melhor aplicado para os artesãos que faziam as pedras rúnicas. Mas e quanto a feitura dessas pedras? Nós não dispomos de quanto tempo levaria para uma estela dessa ser feita e o custo envolvido. Experimento arqueológicos feitos na Escandinávia, onde arqueólogos e outros estudiosos aplicam as técnicas da época, que basicamente se resumem a usar um martelo e cinzeis, mostram que a depender do tamanho da pedra e das figuras nelas contidas, o trabalho poderia levar semanas ou meses. 

Muitos mestres das runas conhecidos viveram na Suécia no século XI. Pelo fato de algumas dessas pedras terem sido assinadas por um ou dois artesãos, conseguiu-se identificar o nome de vários deles, dentre um dos mais conhecidos estava Asmund Kareson, especialista no estilo Urnes, o qual teria vivido em algum lugar na província de Uppland ou nas províncias vizinhas. Asmund é autor de mais de vinte pedras rúnicas, a maioria encontrada em Uppland, mas algumas em Gästrikland. A grande quantidade de trabalho de sua autoria, sugere que tenha sido um artesão renomado e conhecido em seu tempo. (FUGLESANG, 1998). 

Apesar da identificação de alguns desses mestres das runas, Henrik Williams (2014, p. 18), assinala que algumas dúvidas ainda se mantém: “havia um padrão sobre quem era responsável pela inscrição rúnica (ou quais partes) e pelas partes ornamentais? Por que há apenas algumas certas inscrições assinadas, essas assinaturas sempre indicam quem realmente fez o trabalho? Haviam “escolas” de artistas com mestres e pupilos? A ortografia do runógrafo era influenciada pelo dialeto, região, colegas ou clientes dele ou dela”?

As perguntas lançadas por Williams já alguns anos, ainda são um campo pouco explorado nos estudos runológos. Procurar entender como funcionava o serviço desses runográfos e mestres das runas e sua repercussão na sociedade. 

O Projeto Rundata: a catalogação das runas
Pela condição de existir mais de 3 mil pedras rúnicas, foi necessário um catálogo para poder identificar todos esses monumentos. Para isso surgiu o Projeto Rundata (Runic-text Data Base). Projeto de catalogação das pedras rúnicas e das inscrições rúnicas, iniciado na Universidade de Uppsala, Suécia, no ano de 1986. O projeto foi iniciado pelo Departamento de Linguística, posteriormente ganhando apoio e colaboração do Departamento de Arqueologia e do Departamento de História. A catalogação inicialmente em língua sueca, identifica por letras e números a localização das pedras, seu registro, datação e até estilo. 

Embora tenha sido concebido em 1986, o projeto sofreu com problemas para se estabilizar e prosseguir com suas atividades. Apenas na década de 1990 recebeu verbas e suporte para poder exercer sua pesquisa e catalogação. Desde 2008 o site do Rundata vem sendo atualizado, já registrando mais de 6.500 inscrições rúnicas, sendo que quase metade disso, oriunda de pedras rúnicas. No caso, o Rundata cataloga as pedras baseando-se nos seguintes elementos de identificação:

Código de área: assinala através de uma letra ou letras, uma abreviação para identificar a província sueca, país ou outra localidade que a pedra foi encontrada.

Código numérico: identifica a posição na classificação regional. Há casos de pedras que as inscrições indicam o ano de sua descoberta. 

Código linguístico: identifica o tipo de alfabeto rúnico, se ele foi escrito no futhark germânico, no futhorc ou no futhark nórdico. 

Nome do local: no intuito de precisar melhor a localização da pedra, pode-se pôr o nome local (estrada, distrito, bairro, rua, igreja, cemitério, etc.). Isso facilita quando a região possuí muitas pedras próximas da outra. 

Período: datações aproximadas, usando-se o recorte temporal de séculos, que varia do V ao XII. Se utiliza também como marco de datação, antes de Jelling e depois de Jelling, tomando o reinado de Haroldo Dente Azul como marco. Já outro marco de datação é antes da Era Viking e durante a Era Vking. 

Estilo: Proposto por Anne-Sofie Gräslund é normalmente aplicado as pedras suecas do século XI, as quais apresentam um estilo serpentiforme bem difundido. Nesse tipo de catalogação, a autora utiliza como marcos referenciais o formato da cabeça, cauda, entrelaçamento e patas das serpentes e lindworns (dragão serpentiforme com duas patas). 


Imagem 14: Catálogo de Gräslund quanto a identificação do estilo artístico das pedras rúnicas suecas. 

Outra forma de identificar o estilo artístico dessas pedras é através da “arte viking”. Essa arte é dividida em sete estilos, os quais apresentam variações estéticas, simbólicas e de padrão ao longo de 300 anos. Os estilos coexistiram ao mesmo tempo que outros, representando variações regionais. Pedras gravadas e pedras rúnicas com imagens podem ter sua datação identificada a partir da análise do estilo artístico das imagens retratadas nelas. (WILSON; KLINDT-JENSEN, 1966). 

Gräslund (2006) observa que a maior parte das pedras rúnicas suecas e dinamarquesas correspondem aos estilos Ringerike e Urnes. Dentro do estilo Urnes, Gräslund observou variações secundárias. Pelo fato desses estilos serem referentes principalmente a Era Viking, significa que as pedras rúnicas anteriores a esse período, não podem ser catalogadas por esses estilos. 

Além do estilo artístico e dos detalhes de alguns animais e símbolos, é possível identificar as pedras por seu formato, layout, tipo de runas adotado, posicionamento da escrita, tamanho das pedras, se os monumentos eram pedras trabalhadas ou pedras “cruas”, ou local onde foi erguido, etc. consistam em informações que ajudem o pesquisador a identificar o contexto desses monumentos. Inclusive podendo haver mais de um estilo em uso no mesmo período e lugar. (OLIVEIRA, 2014). 


Imagem 15: Tabela apresentando a datação aproximada de duração dos estilos da arte viking. A maioria das pedras rúnicas foram erguidas dentro dos estilos Mammen, Ringerike e Urnes. 

O acesso ao Projeto Rundata pode ser realizado no próprio site do projeto ou através de outros sites que apresentam catálogos de pedras rúnicas, um deles é o Runic Dictionary, concebido pelo prof. Dr. Tarrin Wills, do Departamento de Linguística da Universidade de Copenhague. O site do dicionário está online desde 2008. No site encontra-se o registro de estelas rúnicas e inscrições rúnicas, tendo sido catalogado mais de 5 mil exemplares. Ele apresenta dados da catalogação das estelas, mapa com sua localização via satélite, algumas imagens da mesma, tradução de suas inscrições, um léxico de nórdico antigo, além de links para documentos, dicionários e outros sites. O projeto do professor Wills foi incorporado no Nottingham Rune Dictionary, estando vinculado ao Rundata. 

Feito esses comentários, vamos mostrar alguns exemplos de como procede a catalogação das runas. 


Imagem 16: Aqui temos a fotografia da pedra Sö 65 Djulefors. No caso, Sö é abreviação para Södermanland (província sueca), 65 é seu número de catálogo, Djulefors é sua localização. No entanto, ao analisar a foto da pedra, podemos observar a partir do seu estilo que se trata de uma pedra do estilo Ringerike, datada do começo do século XI.  



Imagem 17: Gravura da pedra rúnica Br Olsen 189 Ballaugh MM 106. Trata-se de uma pedra localizada na Bretanha (Br), identificada por Olsen, numerada como 189, mas por estar na Ilha de Man (MM), recebe um código extra, o 106. Nota-se por seu formato de cruz, como esse tipo de monumento foi adaptado aos costumes dos cristãos anglo-saxãos. 


A importância das pedras rúnicas como fonte histórica
As pedras rúnicas servem tanto de fonte escrita quanto de fonte visual. No tocante ao nível da escrita, apesar de seus textos serem curtos, e em geral, de caráter memorialista ou de epitáfio, ainda assim, existem elementos singulares que permitem conhecer alguns aspectos históricos da Era Viking. Temos pedras que mencionam lugares visitados pelos nórdicos: Inglaterra, Irlanda, Frísia, Normandia, Novgrod, Kiev, Lombardia, Império Bizantino (chamada de Greikland – terra dos gregos), Canato de Khazar (chamado de Sarstland – terra dos sarracenos). Tais evidências corroboram a expansão viking, além de mostrar evidências que sustentam que o comércio medieval não era a nível local, como se sugerira no passado. Estamos falando de mercadores que percorriam o continente, passando por várias terras, criando rotas comerciais transcontinentais. 

Por outro lado, há pedras que fazem menções a governos e governantes, como as pedras dos reis dinamarqueses Gorm, o Velho e seu filho Haroldo Dente Azul. Ou as pedras que citam homens que lutaram por Canuto, o Grande. Essas estelas também podem fornecer informações religiosas sobre a cristianização da Dinamarca, Noruega e Suécia, observando uma maior quantidade de estelas com elementos cristãos, o que seja reflexo da acentuação dessa religião naqueles reinos. A pedra de Jelling 2 é um caso excelente nesse quesito político e religioso, pois temos Haroldo Dente Azul declarando ser rei da Dinamarca e da Noruega, inclusive encontramos menções a esses dois países já no século X, além de que o monarca também dizia que foi responsável por cristianizar seu povo. Lembrando que a Dinamarca foi o primeiro território nórdico a receber missionários e a declarar fazer parte da cristandade. 

Como fonte visual, as imagens e símbolos contidos também são objetos de estudo para se conhecer os estilos, arte, simbolismo, signos, imaginário e crenças daqueles povos. O desenvolvimento artístico das pedras rúnicas mostra não apenas o surgimento de novos estilos próprios, mas também a adoção de elementos artísticos de outros povos, como os germânicos e os anglo-saxões. A adoção de símbolos como cruzes e suásticas, também são informações para se compreender elementos religiosos daquelas culturas. A grande localidade dessas pedras em determinadas regiões, nos fornecem evidências para a concentração de riqueza, artesãos e artistas, além de gostos culturais, pois como comentado anteriormente, apesar dessas pedras datarem desde o século V, foi no século XI que houve um grande desenvolvimento delas, e no século seguinte, isso entrou em declínio e tal prática funerária e memorialista foi abandonada. 

Referências Bibliográficas: 


FLUGESANG, Signe Horn. Swedish Runestones of the Eleventh Century: Ornament and Dating. In: NOWAK, Sean; DÜWEL, Klaus (eds.). Runeninschriften als Quellen interdisziplinärer Forschung Unauthenticated. Berlin/New York: Walter de Gruyter, 1998. p. 197-218. 

GRAHAM-CAMPBELL, James. Os Vikings. Barcelona: Editora Folio, 2006. (Coleção civilizações do passado).

GRÄSLUND, Anne-Sofie. Dating the Swedish Viking-Age rune stones on stylistic grounds. In: STOKLUND, Marie [et. Al] (eds.). Runes and their Secret. Studys in Runology. Copenhagen: Museum Tusculanum Press, 2006.

KNIRK, James E. Runes e Runic inscriptions: introduction. In: PULSIANO, Phillip; WOLF, Kirsten (eds.). Medieval Scandinavia: An Encyclopedia. New York: Routledge, 2016, p. 545-552.

MACLEOD, Mindy; MEES, Bernard. Runic amulets and magic objects. Woodbridge: Boydell Press, 2006.

MAREZ, Alain. Anthologie Runique. Paris: Les Belles Lettres, 2007. (Classiques du Nord).


PAGE, Raymond I. An Introduction English Runes. London: Boydell e Brewer Ltd, 1999.

PRICE, T. Douglas. Ancient Scandinavia. Oxford: Oxford University Press, 2015.

SAWYER, Birgit. Viking-Age Rune-Stones. Oxford: Oxford University Press, 2006.

VENÂNCIO, Yuri Fabri. Inscrições rúnicas. In: LANGER, Johnni (org.). Dicionário de História e Cultura da Era Viking. São Paulo: Hedra, 2018, p. 415-423. 


WILSON, David M; KLINDT-JENSEN, Ole. Viking Art. New York: Cornell University Press, 1966. 

ZILMER, Kristel. Crosses on rune-stones: functions and interpretations. Current Swedish Archaeology, vol. 19, 2011, p. 87-112.

Referência on-line:

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Membro do NEVE é citado no Medievalists.net



O professor Johnni Langer (UFPB-NEVE) acaba de ser citado em matéria no site Medievalist.net, a respeito de seu artigo The Wolf’s Jaw: an Astronomical Interpretation of Ragnarök publicado na revista russa Archaeoastronomy and Ancient Technologies no início de 2018.

A matéria pode ser acessada clicando aqui.


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

NEVE estabelece parceria com museu norueguês

Fotografia de um casal com vestimentas nórdicas da Era Viking em frente ao Museu Lofotr da Noruega.



O NEVE acaba de firmar parceria com o Lofotr Viking Museum (Bøstad, Noruega). O primeiro fruto desta colaboração é realizar no Brasil a atividade Meet the myths, desenvolvida no Lofotr no dia 13 de outubro deste ano.

A atividade consistiu na narração de alguns mitos nórdicos, tendo a seguinte chamada: "Você já conhece os vikings, agora é o momento de conhecer os seus mitos". Dois funcionários do museu devidamente caracterizados em volta de uma fogueira, na área externa do museu, narraram alguns dos principais mitos nórdicos para um público variado, de crianças até idosos. Segundo os curadores, a atividade teve duração de setenta e cinco minutos, onde o público além de ouvir as narrativas míticas, pode também interagir com os narradores fazendo algumas questões sobre o que eles escutavam. Essa pode ser caracterizada como uma ação de Living History onde o público é imerso em uma atmosfera antiga podendo assim experimentar um pouco do que os  nórdicos da Era Viking vivenciavam durante as noites de inverno.



A atividade terá o nome no Brasil de "Encontro com os mitos" e será realizada no próximo Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos na UFPB em 2019. O museu Lofotr está fornecendo toda a assessoria e material para o NEVE. 

Novidades sobre esta atividade serão publicadas futuramente no blog e página do NEVE no Facebook.