domingo, 4 de dezembro de 2016

Artigo analisa o simbolismo dos bodes de Thor

 
A mais recente edição do periódico acadêmico Diversidade Religiosa traz um artigo sobre o simbolismo dos animais associados ao mais famoso deus nórdico: Thor, o Senhor dos Bodes: um estudo de simbologia animal, escrito por Leandro Vilar Oliveira, doutorando em Ciências das Religiões pela UFPB e membro do NEVE.
 
Resumo: Entre alguns dos epítetos que o deus Thor recebia, estava o de ser o “Senhor dos Bodes”. Os mitos contam que o deus do trovão viajava pelo céu numa carroça puxada por dois bodes. Os mitos narram que outras divindades nórdicas também estavam relacionadas a animais, os quais possuíam um papel importante não apenas na mitologia, mas também na religião e costumes daquela sociedade. A proposta desse artigo foi analisar por quais motivos o deus Thor tinha como animais simbólicos os bodes. Quais características tornavam estes animais dignos de representarem valores simbólicos do deus do trovão nórdico? Para isso, realizou-se um estudo de mitologia e de simbologia, a fim de identificar elementos tanto o âmbito escandinavo como também de outras tradições mitológicas e religiosas, nas quais cabras e bodes estavam associados a trovões e raios.
 
O artigo está disponível clicando aqui.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 26 de novembro de 2016

Contos populares nórdicos são tema de mesa redonda em Recife


Pintura da coletânea Bland tomtar och troll, 1907, de autoria de John Bauer
 
 
MESA REDONDA: SOBRENATURAL E SAGRADO NOS CONTOS POPULARES ESCANDINAVOS
VII CONGRESSO DE LITERATURA FANTÁSTICA DE PERNAMBUCO, 2 de dezembro, 18h, UFPE

Maiores informações, clique aqui


PALESTRA 1: BEBIDA, MAGIA E MORTE: UMA ANÁLISE DO CONTO “O MOÇO E O BARRIL DE CERVEJA”

Profa. Ma. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE)

As mais famosas narrativas folclóricas norueguesas foram recolhidos no século XIX por Peter Christen Asbjørnsen e Jørgen Moe – que passaram a ser conhecidos apenas como Asbjørnsen-Moe – e ganharam uma tradução brasileira em 2003, tornando-se assim, acessível aos leitores, pesquisadores e estudiosos em língua portuguesa. Nessa coletânea encontramos contos que retratam o cotidiano, as crenças dos populações que vivam isoladas em florestas na Noruega do século XIX e, assim conservavam vivas suas superstições e modos de vida que incluíam as fadas, os animais falantes, os trolls, bruxas más, anjos, o diabo e a própria Morte figuram como personagem dessas narrativas. É justamente a figura da Morte a personagem do conto “O moço e o barril de cerveja” que vai protagonizar uma narrativa interessante onde em um cenário de estradas que cortam florestas habitadas por mestres cervejeiros e seus hábeis e talentosos aprendizes que emissários divinos e diabólicos vão disputar com a Morte o privilégio de saciarem sua sede com uma deliciosa cerveja mágica. O desenrolar da trama vai apresentando como o moço, aprendiz cervejeiro consegue obter um barril de cerveja mágica – aqui a cerveja é descrita como uma bebida de sabor maravilhoso e é capaz de restaurar a saúde de quem estiver doente portanto, possuí poderes mágicos - o que proporciona ao jovem dono do barril riqueza e fama e, portanto seja muito procurado pelo ricos proprietários de terra, comerciantes e até reis para que esses se tornem sãos novamente. Mas ao proporcionar novamente a saúde a todos os que estão à beira da morte e, enriquecer com tal feito o moço enfurece a Morte que vai cobrar o seu preço. Essa narrativa de base oral e com elementos folclóricos noruegueses bem delineados nos apresenta alguns aspectos importantes presentes na literatura comumente denominada “contos populares” e “contos-de-fada”, como a presença de seres benignas e malignas que oferecem ao personagem principal riquezas ou então prazeres ilimitados em troca de pequenas tarefas mas em hipótese alguma essas entidades admitem ser enganadas e, caso isso aconteça haverá punição. Portanto a condição do herói está intimamente ligada a cumprir as regras impostas pelo ente mágico. Mas essa regra nem sempre é cumprida e o herói evidenciando seu caráter ingênuo acaba perdendo tudo o que conquistou. Mais do que simplesmente conhecer e difundir esses contos populares e de fadas noruegueses ainda desconhecidos do grande público brasileiro nos propomos a realizar uma análise do entrelaçamento entre os elementos folclóricos e fantásticos presentes na narrativa bem como os do cotidiano rural da Noruega representados pela comida e bebida que são fundamentais para que o sobrenatural possa se fazer presente na vida dos personagens.

 
 

PALESTRA 2: SOBRENATURAL E COSMOLOGIA NO CONTO NORUEGUÊS “O MOINHO QUE GIRA NO FUNDO DO MAR”.

Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

Nosso intento é a análise do conto “Kvernen som står og maler på havsens bunn” (lit. “O moinho que gira no fundo do mar”), integrante da coletânea Norske Folkeeventyr (Contos populares noruegueses). Ela foi publicada em 1841 pelos pesquisadores Peter Christen Asbjørnsen e Jørgen Moe e é baseada em material folclórico escandinavo. A obra de Asbjørnsen e Moe, como é conhecida a dupla de pesquisadores, foi inspirada diretamente nas pesquisas dos irmãos Grimm, que além da metodologia alemã de pesquisa folclórica, também foram influenciados pelo nacionalismo norueguês do Oitocentos. O conto narra a estória de dois irmãos, um pobre e outro rico. O pobre foi pedir ao abastado irmão comida para o Natal. O irmão rico presenteia-o com presunto, mas ao mesmo tempo lhe remete ao inferno. Ele realmente vai para este local maldito e encontra o diabo, que lhe presenteia com um moinho mágico. Por lá ainda um ancião lhe ensina como utilizar o instrumento. No retorno, ele consegue obter muita comida com o moinho. O irmão mais rico compra o mesmo, mas não consegue controlar o aparelho, que é comprado novamente pelo antigo proprietário. Ele se torna muito abastado e com vasta propriedade. Com o tempo, vende o moinho para um capitão, que sem saber controlar o instrumento, afunda o seu navio e ele vai parar no fundo do mar. Como nunca parou de fazer sal, isso explicaria porque o mar é salgado. O conto pode ser analisado em vários níveis. O primeiro, remete às condições sociais do mundo rural na Escandinávia, pobre e com poucos recursos, onde o espectro da fome era vigente e o tema da comida é um viés que percorre todo o texto, dando ao mesmo tempo condições ao pesquisador de saber das práticas alimentares deste universo rural: Primeiro nível (Cotidiano alimentar): alimentos cotidianos da camada mais pobre do mundo rural: coalhada e pão; alimento diferenciado da camada mais pobre do mundo rural: presunto (“comida rara no inferno”); alimentação ideal para o Natal, maior festa comemorativa do mundo cristão: comida e cerveja; alimentação do irmão mais rico: mingau e arenque. Neste nível, o moinho é um instrumento mágico afim de se obter mais alimento, de forma semelhante a outros objetos mágicos dos contos populares e da fadas (como a mesa mágica nos irmãos Grimm:). Segundo nível: a obtenção do instrumento mágico. Vivendo num mundo onde as regras são do cristianismo (galhinhos em forma de cruz para colocar abaixo do mingau de Natal; sinal da cruz; doze badaladas da noite do Natal; três dias depois de obter o moinho o dono conta ao irmão a procedência do moinho – simbolismo da trindade), o fantástico só pode ser procedente de um outro mundo, no caso, do inferno – neste caso, a quebra da normalidade se dá por uma transgressão advinda fora da cristandade. Terceiro nível: transgressão e moralidade. O personagem que consegue o moinho (o irmão pobre) não é punido, ao contrário do irmão rico, que não consegue controlar o instrumento e acaba tendo que pagar um alto preço por ele. A pobreza é identificada como uma situação sócioeconômica onde os valores éticos e morais sobrevivem, apesar das dificuldades, mas sempre em conexão com o cristianismo. Neste nível, o moinho torna-se um objeto mágico que produz riquezas e ouro. Quarto nível: relação com o mito e a cosmologia antiga. O tema do moinho mágico estava presente na antiga mitologia escandinava, tanto na área finlandesa quanto nórdica, na figura do sampo, um moinho mágico (entre outras formas) que fabricava sal, ouro e grãos, como em outras mitologias, como na figura da cornucópia da área clássica. No Kalevala, o sampo é destruído caindo nas águas do mar. A etiologia do conto também é idêntica ao poema éddico Grottasöngr, onde um moinho afundado no mar explica porque este é salgado. Diversas pesquisas contemporâneas apontam que o tema do moinho mágico tem conexão com a cosmologia de um eixo vertical, invisível, sobrenatural e sagrado, ligando o céu ao mundo terrestre, em conexão com a estrela Polaris, visível de forma fixa em todo o Hemisfério Norte.

 

 PALESTRA 3: SINTO O CHEIRO DE CRISTÃO: A REPRESENTAÇÃO DOS TROLLS E O ESPAÇO SELVAGEM NOS CONTOS DE ASBJØRNSEN E MOE

Me. Pablo Gomes de Miranda (PPGCR-UFPB/NEVE)

O objetivo da nossa comunicação é analisar alguns contos de fadas retirados da antologia Contos Populares Noruegueses (Norske Folkeeventyr), coletados e adaptados por Peter Christe Asbjørnsen e Jørgen Engebretsen Moe. Os Contos Populares Noruegueses é uma antologia publicada pela primeira vez em 1841 e que teve como uma das razões de seu sucesso o favorável clima político fruto da parcial independência da Dinamarca, portanto uma obra que impulsionou o sentimento nacionalista do país. Asbjørnsen e Moe se inspiraram no trabalho dos irmãos Grimm, porém a dupla coletou os contos pessoalmente antes de adaptá-los para a publicação. Nesses contos, nós temos um interesse especial nas relações espaciais desenvolvidas pelo encontro entre os humanos (geralmente crianças perdidas) e os Trolls, personagens complexos e emblemáticos do folclore escandinavo: seres monstruosos, poderosos, donos de riquezas maravilhosas e um certo apetite para a carne de cristãos perdidos. Desde as suas primeiras descrições nas sagas e nos poemas medievais, os Trolls ocupam os ermos, as florestas, as montanhas, sendo ocasionalmente encontrados pelos homens que travam com eles disputas de conhecimentos gnômicos. Entre as suas diversas representações, os Trolls são geralmente detentores de segredos mágicos ligados ao submundo e ao mundo dos mortos, o que também os identificam com a figura da feiticeira (Trollkona) que vive foram das cidades, vilas e assentamento no mundo nórdico. Nos parece que de alguma forma tais representações firmaram raízes importantes no folclore e na cultura oral escandinava. Nos contos “O Garoto das Cinzas que do Troll Roubou os Patos de Prata” (Askeladden som stjal sølvendene til trollet) e “O Garoto das Cinzas que Teve uma Disputa de Comida com um Troll” (Askeladden som kappåt med trollet), o Garoto das Cinzas (Askeladden) precisa enganar um Troll com a finalidade de sobreviver ao encontro e obter, no fim, as riquezas anteriormente possuídas pela criatura. Em “Os Garotos que Encontraram os Trolls na Floresta de Hedale” (Småguttene som traff trollene på Hedalsskogen) os garotos que vagam pela floresta de Hedale encontram três gigantes Trolls e uma bruxa com quem conviviam, e conseguem enganá-los para conseguir ouro e prata. Talvez haja aqui questões espaciais interessantíssimas: 1) os garotos precisam se retirar do seio familiar, vagar até o ermo selvagem onde irão encontrar as criaturas fantásticas; 2) devem vencê-las utilizando para isso a sua esperteza, muitas vezes enganando as criaturas que são incapazes de vencer a astúcia dos jovens; 3) retornar ricos com os louros de suas vitórias. Essas questões inclusive são apresentadas a nós de maneira similar no conto “Os Três Cabritos Rudes” (De Tre Bukkene Bruse), da mesma antologia, onde os animais precisam atravessar uma ponte para se alimentar da grama fresca que cresce em um prado próximo, a ponte, porém, é guardada por um Troll que vive ali por perto e que quer devorá-los, o conto procede de maneira similar aos outros apontados anteriormente, com o monstro vencido e os cabritos obtendo a riqueza disposta naquele prado. Ficam nossos questionamentos: há origens históricas para tais construções? Quais as implicações para o desenvolvimento desses Trolls nas narrativas dos contos populares?

 

PALESTRA 4: INFANTICÍDIO E A CONSTRUÇÃO DO HORROR NO CONTO ISLANDÊS MÓÐIR MÍN Í KVÍ, KVÍ

Andressa Furlan Ferreira (PPGCR-UFPB/NEVE)

Nos mais diversos períodos históricos, o abandono infantil e o infanticídio fizeram-se presentes nas sociedades humanas. Tais práticas poderiam decorrer de crises de subsistência (a nível social ou familiar) e pressões socioculturais, no que concerne à rejeição diante de deformidade física do bebê ou da preferência pelo sexo masculino, entre outros fatores. Na Idade Média, os países escandinavos parecem ter enfrentado uma longa tradição social de abandono infantil, a qual, segundo Juha Pentikäinen (1990, p. 75), teria sido comum e relativamente aceitável até o advento da cristianização. A partir desta, por volta do ano 1000, o infanticídio foi gradualmente criminalizado nos países nórdicos embora a criminalização desse ato não fosse suficiente para impedi-lo de ocorrer. A frequência do abandono e do infanticídio pode ser depreendida de fontes literárias, como as sagas, além de leis provinciais da Noruega e da Islândia, que previam sanções frente a essas práticas. Outra fonte que contribui para os estudos relacionados ao tema, apesar de ainda pouco explorada, é o folclore. No folclore islandês, de acordo com os registros coletados por Jón Árnason (1862), os útburði referem-se a uma categoria de fantasmas de crianças que foram assassinadas por seus entes, especialmente seus pais. Árnason (1862, p. 224) especifica que o local onde os bebês foram deixados reproduzem sons terríveis, parecidos com uivos ou choros estridentes, que podem ser associados ao mau tempo. Além disso, o escritor discorre que os útburði podem permanecer próximos ao lugar onde foram deixados, assustando a quem por eles passa, ou podem assombrar as famílias que os abandonaram, causando insanidade aos responsáveis. A existência desse tipo de assombração no folclore islandês denota aspectos sociais que se relacionam com a tradição nórdica pré-cristã, referente à inserção do sobrenatural na vida cotidiana. Com o objetivo de abordar questões históricas e literárias em fontes folclóricas, este artigo propõe analisar o papel do útburður no conto “Móðir mín í kví, kví”, o qual também foi coletado por Árnason, a fim de analisar os elementos que compõem essa narrativa e verificar de que modo o horror foi construído nela. Além das obras já citadas, utilizaremos os trabalhos de Green (1997), Lawing (2013) e Guðmundudóttir (2016).

 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Thorsdrapa recebe tradução ao português

Thor combate a serpente do mundo, Carl Emil Doepler, 1905
 
O poema escáldico Þórsdrápa (Canção de elogio ao deus Thor) acaba de receber sua primeira tradução acadêmica ao português, efetuada por Yuri Fabri Venâncio, mestrando em letras pela USP. O poema já havia recebido traduções em outras línguas neolatinas, como francês e espanhol, mas somente agora foi vertido para a língua lusófona. Yuri Venâncio além da tradução, realizou um prefácio e extensas notas explicativas e analíticas do léxico em nórdico antigo.
 
O poema foi escrito durante o reinado do líder norueguês Hákon Sigurðarson (entre 975 a 995 d.C.) pelo poeta Eilífr Goðrúnarson e é uma das fontes mais importantes para o estudo do deus Thor.
 
O poema encontra-se na coletânea Desvendando os vikings, organizada por Johnni Langer e Munir Lutfe Ayoub e está disponível gratuitamente no Academia, clique aqui.
 
 
 
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Os melhores filmes sobre vikings segundo o NEVE



Os vikings fazem parte da história do cinema desde o seu início, ocupando atenção de Hollywood quanto da Europa. Realizar uma lista de melhores filmes são é uma tarefa muito fácil, devido à grande quantidade de produções. Inquirindo os membros do NEVE, obtivemos listagens que incluem não apenas produções reconstituindo a Era Viking, mas também de períodos posteriores e mesmo do final do medievo na Escandinávia, além de outras que mesclam ficção científica e fantasia. O resultado muitas vezes é bem pessoal. Os comentários a seguir foram realizados pelo professor Johnni Langer e as listas pessoais seguem posteriormente, divididas por cada membro.

 


1.      O 13º. Guerreiro

(The 13th Warrior), produção norte-americana de 1999, dirigido por John McTiernan, baseado no romance Os devoradores de mortos, de Michael Crichton.

Sinopse: Um aventureiro árabe, ao fugir de problemas em sua cidade, envolve-se numa aventura no mundo nórdico da Era Viking, confrontando seres fantásticos chamados de Wendols.

Comentário: O filme funde elementos históricos com fantásticos, assim como o livro de Crichton, que é uma mistura do relato árabe de Ibn Fadlan com o épico anglo-saxão Beowulf. Apesar de apresentar diversos erros de reconstituição histórica, nos equipamentos bélicos, na sociedade, vestimentas, habitações, etc, o filme foi o mais votado pelos escandinavistas pelo fato de ter uma narrativa envolvente, uma ação vigorosa e uma atuação memorável de seus atores, muitos de origem nórdica (Dennis Storhøi, Sven Wollter, Turid Balke, Maria Bonnevie, entre outros). Particularmente, o filme estreitou no Brasil durante o início das novas pesquisas acadêmicas sobre Escandinávia (em 1999), o que confere também um apreço especial a ele pelos pesquisadores.

 

 

2.      Vikings, os conquistadores

(The vikings), produção norte-americana de 1958, dirigido por Richard Fleischer.

Sinopse: Dois irmãos de origem escandinava, separados no nascimento, disputam o amor pela mesma mulher – uma princesa inglesa, iniciando uma disputa que torna-se o clímax da narrativa.

Comentário: o mais famoso e importante filme com temática nórdica da história do cinema. Influenciou diretamente a moda viking cinematográfica até os anos 1970, mas ainda tendo influências estéticas mesmo em nossos dias. Faz parte da onda épica dos anos 1950, tendo a frente do elenco nomes importantes deste estilo, como Kirk Douglas – memorável no papel de Einar, assim como o ator Ernest Bornigne no papel de Ragnar – popularizando a imagem irreverente e aventureira do viking no imaginário contemporâneo. Apesar de ter auxiliado a desconstrução de diversos estereótipos sobre os escandinavos medievais – como a ausência de elmos chifrudos e a barbárie selvagem, além de uma das primeiras produções que reconstituem as vilas e as embarcações da Escandinávia (todos com assessoria de historiadores nativos desta região), o filme também contém diversos problemas historiográficos e outros erros de interpretação do passado (como o uso de bússolas magnéticas; a falta de calças em alguns personagens masculinos; a mistura de tempos históricos, como a mescla do período feudal e castelos com Alta Idade Média, etc). Ainda assim, possui cenas memoráveis e uma narrativa empolgante, típicas do cinema clássico.

 


3.      Os legendários vikings

(The long ships), produção norte-americana de 1964, dirigido por Jack Cardiff. Baseado no famoso romance Röde Orm escrito por Frank G. Bengtsson em 1941, mas influenciado esteticamente por Vikings, os conquistadores.

Sinopse: Um jovem líder viking envolve-se na busca por um lendário sino de ouro, do mesmo modo que um príncipe mouro.

Comentário: O filme é uma das poucas produções que teve como tema o encontro dos nórdicos com as populações islâmicas da África, mas também contém elementos fantasiosos. O ponto mais positivo do filme é a atuação do excepcional ator Sidney Poitier, no papel de Aly Mansuh.

 


4.      As aventuras de Erik o viking

(Erik, the viking), produção norte-americana de 1989, dirigida por Terry Jones, baseado em seu próprio livro homônimo.

Sinopse: Um viking de nome Erik, após assassinar acidentalmente uma mulher, parte em busca dos deuses nórdicos.

Comentário: A mais famosa comédia sobre o tema. Consegue manter o ritmo divertido do início ao final, trazendo diversas paródias e muita irreverência ao tratar especialmente da mitologia e religiosidade nórdica. As cenas em que o sacerdote cristão não vê a mesma realidade que os pagãos (por não acreditar nelas) é um dos pontos fortes do filme.

 


5.      O último rei

(Birkebeinerne), produção norueguesa, 2016, dirigida por Nils Gaup.

Comentário: Excelente produção fílmica norueguesa, reproduz alguns momentos da guerra civil norueguesa após a Era Viking (séculos XII-XIII d.C.). Gaup é especialista em filmes históricos retratando cenas de batalhas nórdicas em neve, como "Fugindo da morte", original: Ofelas, 1987, produção enfocando a região da Lapônia do ano mil. Entre os personagens principais da produção O último rei, está o ator Kristofer Hivju (que interpreta o personagem Tormund Giantsbane, da série Game of Thrones). A principal trama do filme é a fuga de um bebê bastardo (futuro rei Hakon IV), conduzido por dois homens, um tema icônico na cultura norueguesa (em 1869 o pintor Knud Bergslien realizou a famosa pintura "Birkebeinerne på Ski over Fjeldet med Kongsbarnet"). Se as questões políticas e sociais não são tão aprofundadas no filme, a narrativa é muito bem conduzida e as cenas de ação são excelentes. O filme possui reconstituições de batalha muito superiores a outras produções escandinavas reproduzindo o medievo, como a islandesa "O desafio de um guerreiro" (The Viking Sagas, 1995). O reinado de Hakon IV é um dos mais famosos da Noruega medieval (durou quase 50 anos). Sob seu mecenato cultural algumas das grandes produções literárias do medievo nórdico foram produzidas, como a Volsunga saga e a versão norrena de Tristão e Isolda. O título do filme, Birkebeinerne, se refere a um grupo militar-político da Noruega, criado entre os anos 1174 a 1218, originalmente criado contra o rei Magnus V da Noruega.

 


6.      A lenda de Grendel
(Beowulf & Grendel),  produção islandesa/francesa/canadense de 2005, dirigida por Sturla Gunnarsson.
 
Sinopse: O rei da Dinamarca mata um grande troll, mas deixa escapar seu filho, que depois retorna (já crescido), em busca de vingança.

Comentário: Uma das várias adaptações cinematográficas do épico anglo-saxão Beowulf, com personagens escandinavos. As filmagens na Islândia, a direção e diversos atores escandinavos conferem uma atmosfera extremamente condizente com a ambientação do relato, apesar de modificar muito a sua narrativa original. Um dos poucos filmes sobre nórdicos medievais em que todos estão caracterizados corretamente com equipamento militar da época (cotas de malhas e elmos). Destaque para a representação da feiticeira e suas práticas mágicas. É considerado por vários escandinavistas como a melhor adaptação do épico britânico.

 


7.      À sombra do corvo

(Í skugga hrafnsins), produção islandesa de 1988, dirigida por Hrafn Gunnlaugsson.

Sinopse: O personagem Trausti volta para a Islândia e se envolve com uma briga familiar, devido a um cadáver de baleia. Sua mãe é ferida e ele acaba se envolvendo amorosamente com Isold.

Comentário: Segundo filme da trilogia “viking” do diretor Gunnlaugsson, baseado na narrativa de Tristão e Isolda, mas também mesclando diversas sagas islandesas. Considerado pela crítica um dos melhores filmes abordando a questão da cristianização na Escandinávia. O diretor também utiliza de diversos elementos simbólicos relacionados com a cultura islandesa ao longo do filme, como o véu branco e o corvo negro.

 

 

8.      Em nome do Sol

(Stara basn: kiedy slonce bylo bogiem), produção polonesa de 2003, dirigida por Jerzy Hoffman.

Sinopse: No século 9 d.C., os poloneses são atacados por incursões vikings.

Comentário: Interessante filme polonês sobre o período da Alta Idade Média, mesclando elementos históricos com fantasia e sobrenatural. Os vikings aparecem de forma estereotipada, com exceção do personagem arqueiro. As cenas de ação e o roteiro em geral são razoáveis. Destaque para as cenas religiosas e as práticas mágicas.

 


9.      O desafio de um guerreiro

(The viking sagas), produção norte-americana de 1995, direção de Michael Chapman.

Sinopse: Na Islândia da Era Viking, o jovem Kjartan inicia uma jornada para vingar a morte de seu pai.

Comentário: Produção de baixo orçamento, com roteiro envolvente e personagens cativantes. As cenas de ação e batalhas são muito fracas, mas as relações familiares, os conflitos e as disputas de poder são bem condizentes com os relatos das sagas islandesas, o que confere um grande atrativo ao filme.

 


10.  O senhor da guerra

(The war lord), produção norte-americana de 1965, dirigido por Franklin J. Schaffner

Sinopse: O nobre Chrysagon recebe terras na Normandia, assolada frequentemente por ataques frísios. Ele se envolve com uma camponesa e reclama o direito de jus primae noctis, o que acaba originado conflitos com a população local.

Comentário: Apesar de não ser diretamente um filme sobre nórdicos, os frísios são retratados como vikings pagãos, inclusive portando martelos do deus Thor. O filme é magistral, tendo como protagonista um dos maiores atores épicos de todos os tempos, Charlton Heston.

 
Bibliografia:

HARTY, Kevin (Ed.). The vikings on fílm. Essas on depictions of the Nordic Middle Ages. North Carolina: McFaland & Company, 2011.

LANGER, Johnni. Fé, exotismo e macabro: algumas considerações sobre a Religião Nórdica Antiga no cinema. Ciências da Religião 13(2), 2015. Disponível aqui.

 
LISTA DE FILMES POR MEMBRO DO NEVE
 
André de Oliveira:
1. O sétimo selo, 1957
2. O 13º Guerreiro, 1999
3. Vikings, Os Conquistadores, 1958
 
Fabio Baldez Silva:
1. O 13° guerreiro, 1999
2. A maldição do anel, 2004
3. A lenda de Grendel, 2007
4. Desbravadores, 2007
 
Johnni Langer:
1. Vikings, os conquistadores, 1958
2. A vingança dos vikings, 1961
3. Os bravos tártaros, 1961
4. Os legendários vikings, 1964
5. O senhor da guerra, 1965
6. À sombra do corvo, 1988
7. As aventuras de Erik, o Viking, 1989
8. O desafio de um guerreiro, 1995
9. O 13o. guerreiro, 1999
10. O último rei, 2016
 
José Lucas Cordeiro Fernandes:
1. O 13° guerreiro, 1999
2. Os legendários Vikings, 1964
3. Vikings, os conquistadores, 1958
4. O último rei, 2016
5. Outlaw: The Saga of Gisli. 1981
6. As aventuras de Erik, o Viking, 1989
7. Os Nibelungos: A morte de Siegfried, 1924
8. Deuses Vencidos/O Viking, 1928
9. A lenda de Grendel, 2007
10. O desafio de um Guerreiro, 1995
 
Leandro Vilar Oliveira:
1. O Senhor da Guerra, 1965
2. O 13º Guerreiro, 1999
3. Erik, o Conquistador, 1961
4. O último dos vikings, 1961
5. Vikings: os conquistadores, 1958
6. Alfredo, o Grande, 1969
7. A lenda de Grendel, 2005
8. A maldição do anel, 2004
9. Príncipe Valente, 1957
10. Northmen: A Saga Viking, 2014
 
Luciana de Campos:
1. Vikings, os conquistadores, 1958
2. A fonte da donzela, 1960
3. O sétimo selo, 1957
4. Arn, o cavaleiro templário, 2007
5. Os legendários Vikings, 1964
6. Outlander, guerreiro vs predador, 2008
7. Em nome do Sol, 2003
8. O ultimo rei, 2016
9. As aventuras de Erik, o Viking, 1989
10. Kristin Lavransdatter, 1995
 
Marlon Maltauro
1. O 13o. Guerreiro, 1999
2. Vikings, Os Conquistadores, 1958
3.  A Saga de Biorn, 2011
4. A Maldição do Anel, 2004
5.  As aventuras de Erik, o Viking, 1989
 
Pablo Gomes de Miranda:
1. As aventuras de Erik, o Viking, 1989
2. Quando os Corvos Voam, 1984
3. Vikings, os conquistadores, 1958
4. A Lenda de Grendel, 2005
5. O 13o Guerreiro, 1999
6. Fora da Lei, 1981
7. O Viking Branco, 1991
8. Arn, o cavaleiro templário, 2007
9. Em nome do sol, 2003
10. A Sombra do Corvo, 1988
 
Ricardo Wagner Menezes de Oliveira:
1. A lenda de Grendel, 2005
2. Vikings, os conquistadores, 1958
3. O 13o Guerreiro, 1999
4. A lenda de Beowulf, 2007
5. Os legendários vikings, 1964