O grupo interinstitucional NEVE (criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro do LOFOTR VIKING MUSEUM (Noruega), LAEX (Laboratório de Arqueologia Experimental, Universidad Autónoma de Madrid), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), ABHR e PPPGCR-UFPB. Credenciado no CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

terça-feira, 16 de abril de 2019

O estudo fundador da Nova Escandinavística Brasileira


O ESTUDO FUNDADOR DA NOVA ESCANDINAVÍSTICA BRASILEIRA
Uma recente historiografia da Escandinavística brasileira omitiu toda a importante produção carioca dos anos 1990 e 2000. Ciente do seu papel, não somente de produtor e divulgador científico, mas também de preservador da memória historiográfica nacional, o NEVE acaba de disponibilizar eletronicamente o artigo fundador da Nova Escandinavística Brasileira: "O conto islandês de Helgi Thorisson", publicado em 1997 pelo historiador Ciro Flamarion Cardoso (1942-2013).
Neste estudo Ciro analisa historica-literariamente um þáttr (conto) produzido no século XIV, sendo este o primeiro trabalho brasileiro sobre o tema da literatura nórdica medieval. Esta brilhante análise semiótica de Ciro Cardoso seria retomada anos depois com o estudo Mythica Scandia, publicado pela revista Brathair em 2006. No artigo "O conto islandês de Helgi Thorisson", o historiador aplica a perspectiva conceitual e metodológica do formalismo russo (Todorov e Propp), utilizando a narrativa literária como fonte histórica para se entender a sociedade islandesa do medievo.
O NEVE também anuncia que recuperou outro importante estudo de Ciro Flamarion Cardoso: "Beowulf e as estruturas da Escandinávia Pré- Viking", de 2004, que estava indisponível há cerca de onze anos. Ele será republicado no Scandia: Journal of Medieval Norse Studies em sua segunda edição, prevista para o final de 2019.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Mestrado e Doutorado em temas nórdicos na UFPB


Está disponível o edital de seleção do programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da UFPB. O professor Johnni langer estará ofertando 3 vagas para o Mestrado (Linha 4) e 3 vagas para o doutorado (2 vagas para a linha 4 e 1 vaga para a linha 5), nas seguintes áreas: Mitologia Nórdica; Magia, rito e religião na Escandinávia Medieval; História das Religiões e das práticas mágicas; Literatura e Sagrado. A bibliografia, documentação, calendário e demais informações da seleção estão disponíveis no site do PPGCR.
Informações sobre possibilidades de orientação: johnnilanger@yahoo.com.br



quinta-feira, 28 de março de 2019

Nova inscrição rúnica é descoberta na Dinamarca




NOVA INSCRIÇÃO RÚNICA É ENCONTRADA NA DINAMARCA

Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

Um pote cerâmico (possivelmente um copo) foi encontrado em Uglvig (Jutlândia, Dinamarca), com 3 runas ao fundo do recipiente, formando a palavra "Alu". O objeto foi datado como sendo da Idade do Ferro, entre 200 a 500 d.C., pertencente à classe intermediária (nesta época a aristocracia e as classes populares mesclavam-se em uma mesma área habitacional). É a primeira descoberta de um objeto cerâmico com runas na Dinamarca.




Fundo de copo cerâmico, Museu Nacional da Dinamarca


Os indícios apontam que o objeto foi moldado imitando os copos da Europa central e seu último uso foi como oferenda na casa de uma fazenda. A conexão entre embriaguez e runas geralmente foi interpretada como sendo típica da aristocracia germânica, mas essa descoberta evidencia que sua prática pode ter sido também popular.


A inscrição "Alu" é uma das mais controversas da runologia. Ela é encontrada em diversos objetos da Europa, desde anéis da Polônia a pedras rúnicas da Noruega ou bracteatas do período de migrações germânicas. Segundo Lisbeth Imer (Museu Nacional da Dinamarca) se a palavra da Idade do Ferro "ǫl" tivesse sobrevivido até a Idade Média, poderia ter evoluido para a palavra "øl" - o termo medieval para cerveja, o que levou alguns pesquisadores a acreditarem que se trata da palavra cerveja para os povos da Idade do Ferro. Segundo os etimologistas, a palavra também pode significar "poder", "proteção", "força". No caso do objeto encontrado, talvez os dois sentidos estejam conectados, segundo Imer: "muito poder com um copo de cerveja".


Broche de Værløse, Museu Nacional da Dinamarca.



Outro objeto encontrado na dinamarca e com quase a mesma datação, 200 d.C., possui também a palavra "Alu": trata-se do broche de Værløse, descoberto em 1944 em uma tumba feminina na ilha de Sjælland (Zelândia). A inscrição do objeto completa é: "Alugod" e é acompanhada da figura de uma suástica. Alguns runólogos interpretam a inscrição como sendo um nome próprio feminino, mas MACLEOD;MEESS 2006, p. 21 apontam a possibilidade de ser um "heiti" para o deus Wotan-Odin, com a finalidade de propiciar sorte ou saúde. Para MAREZ 2007, p. 121, a suástica deste objeto representaria saúde, enquanto para MACLEOD;MEESS 2006, p. 21 seria um símbolo sagrado e para propiciar sorte.

De nossa parte, aventamos a possibilidade da palavra "Alu" estar conectada diretamente com Wotan-Odin e o próprio símbolo da suástica está objetivamente relacionado com o culto desta deidade (surgindo em lanças, objetos militares germânicos antigos) e estando relacionado também a figuras de cornos de bebidas (como na pedra rúnica de Snoldelev, DR 248, Dinamarca da Era Viking, associando suástica com triskelion de cornos). Assim, um copo possivelmente utilizado para beber cerveja com a inscrição "Alu", ainda na Idade do Ferro, pode remeter diretamente à conexão de êxtase e sagrado relacionado aos rituais com bebidas e mitos do deus caolho.
 

Referências bibliográficas:






MACLEOD, Mindy & MEES, Bernard. Runic amulets and magic objects. London: Boydell, 2006.

MAREZ, Alain. Anthologie runique. Paris: Les Belles Lettres, 2007.