O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
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sábado, 8 de outubro de 2016

Guerra e Poder na Escandinávia: os reis guerreiros da Era Viking.


Batalha de Stamford Bridge, Nicolai Peter Arbo, 1870.
Guerra e Poder na Escandinávia medieval: Os reis guerreiros da Era Viking.

Fábio Baldez Silva

Mestrando em História – UFRRJ, membro do NEVE
 

 Introdução:

      Guerra e monarquia constituíam elementos inseparáveis na Escandinávia medieval no período histórico da Era Viking (Séculos VIII a XI). A Era Viking é assim chamada, por se tratar do momento da História dos povos escandinavos em que os mesmos empreenderam seus maiores movimentos de expansão pela Europa quase como um todo e até mesmo para outras partes do mundo em maior ou menor grau.

     O termo Viking tem por significado mais aproximado a palavra “pirata”, pois mais designava uma ocupação, e não uma etnia, ao contrário do que muito se pensa erroneamente (MUCENIECKS, 2010). Portanto, quando se fala em Era Viking, devemos ter em mente o período de maior expansão dos nórdicos na Idade Média relacionada majoritariamente aos atos de pilhagem, saques e pirataria, que tanto era praticada por homens comuns como por aristocratas e reis escandinavos, se constituindo assim uma característica cultural destes povos, ou seja, uma cultura guerreira que permeava toda essa sociedade em praticamente todos os seus diversos aspectos, e era marcante sobretudo também na constituição do poder monárquico dos povos nórdicos neste período.

     Tomando como exemplo reis noruegueses da Era Viking, este trabalho tem como objetivo fazer uma breve discussão sobre a relação entre guerra e poder muito presente nos relatos sobre os reis noruegueses contidos no Heimskringla, uma das principais fontes escritas relativas aos mesmos no período Viking, e também à luz de referenciais teóricos que nos permitam melhor compreender as questões relacionadas à guerra e poder, e as relações que desses elementos podemos traçar através de estudos de casos dos reis da Noruega no referido recorte temporal.

 Guerra, cultura e poder: Elementos possibilitadores de uma análise:

      Para podermos tecer uma melhor análise sobre as ações dos reis guerreiros na Era Viking, utilizaremos como suporte teórico a ideia da guerra como elemento cultural, e análises sobre a natureza do poder e de elementos simbólicos do mesmo. Assim, neste suporte teórico de que nos valeremos estão presentes autores e análises como a da natureza cultural da guerra, como apresentada pelo historiador militar John Keegan, o conceito de liderança carismática de Max Weber, a ideia de poder simbólico como apresentada por Pierre Bourdier, e dentro ainda das análises relativas à noção de poder, e assim e assim também relacionando-se aos estudos de Weber e Bourdier, trabalharemos também com a ideia de imaginação social apresentada por Bronislaw Baczko, de forma assim a nos possibilitar um melhor estudo das relações entre guerra e poder.

     John Keegan apresenta uma perspectiva sobre a natureza da guerra diferente da historiografia militar tradicional, em que costuma-se associar a guerra predominantemente a uma natureza política, uma perspectiva muito presente no pensamento do historiador militar iluminista Clausewitz. Assim, Keegan faz uma crítica a esta perspectiva em seu trabalho Uma História da guerra (KEEGAN, 2006), apresentando assim uma nova sobre a natureza da guerra e dos feitos guerreiros, onde não apenas os fatores políticos estão relacionados a tais ações, mas principalmente os fatores culturais se encontram no modo em que cada povo entende a guerra e a pratica. Partindo então desta ideia defendida por Keegan, podemos então analisar o que a guerra representava para os escandinavos e seus monarcas na Era Viking no contexto cultural em que estavam inseridos.

     Assim, segundo a ideia proposta por John Keegan em oposição a historiadores militares tradicionais como Clausewitz, a guerra não se trata apenas de uma continuação da política por outros meios, pois a mesma precede ao surgimento dos Estados e das relações interestatais, e mesmo após o surgimento das organizações políticas mais complexas, continua sendo ditada por elementos culturais peculiares. Dessa forma, a conclusão de Keegan é a de que cada povo e seu contexto cultural e temporal possui um ethos guerreiro próprio, uma ética própria ditada por sua cultura no tocante a se fazer guerra, podendo também sofrer modificações ou incorporações em sua ética guerreira de outros povos. Dessa forma, guerra e política nem sempre serão elementos que se misturarão em seu Modus operandi, pois constituem-se em esferas autônomas e nem em todos os casos convergentes dentro das atividades humanas, porém guerra e cultura no campo de batalha se tornam elementos inseparáveis (KEEGAN, 2006, pp. 18-21).

     Max Weber teoriza que um Estado, e assim sendo os que detêm o poder dentro do mesmo, utilizam-se do monopólio do uso da força física para se legitimarem. Assim, dentro de um sistema estatal aqueles que possuem posição de liderança valem-se de determinadas prerrogativas que tornem a sua dominação sobre outros indivíduos legítima, e dentre as prerrogativas apresentadas por Weber para o domínio destes indivíduos está a do conceito de dominação carismática. Desta forma, segundo Weber, a dominação carismática se caracteriza como uma forma de liderança que se legitima através do poder pessoal de um líder pelo mecanismo de autoridade denominado pelo autor como “dom da graça”.

     O dom da graça apresentado por Weber consistiria num tipo de carisma pessoal que faria com que um líder fosse admirado por seus aliados, dessa forma legitimando seu domínio. Este carisma poderia ser adquirido pelo líder através do heroísmo que poderia assim ser conquistado por atos guerreiros, distribuição de espólios em troca de alianças e apoio de uma aristocracia por exemplo, consolidando assim e reforçando uma relação de domínio sobre os setores mais subalternos de uma determinada sociedade (WEBER, 1982, pp. 98-99). Através também deste viés teórico apresentado por Max Weber, podemos encaixar perfeitamente o conceito de dominação carismática ao caso dos reis nórdicos da Era Viking, pois baseavam seu poder dentro de uma prerrogativa de líderes guerreiros baseados por exemplo, em uma fonte de carisma originada dentro de prerrogativas que poderiam ser de origem ancestral, religiosa ou mítica, fontes das quais Weber afirma em seu conceito, que podem fazer a legitimação  da dominação de um líder assim chamado carismático (WEBER, 2004, pp. 323-324).

     Na concepção de Bourdier (BOURDIER, 1989), tomando como base ideias desenvolvidas por teóricos como Marx e Durkheim, o mito, a língua, a arte, a ciência e outros instrumentos de conhecimento constituem universos simbólicos. Estes universos simbólicos e suas produções também simbólicas relacionam-se e acabam tornando-se instrumentos de dominação pela classe dominante e servem assim aos seus interesses. Assim, as ideologias acabam servindo a interesses particulares sob uma capa de estarem servindo a interesses universais, coletivos e comuns, produzindo assim uma cultura dominante, esta cultura dominante então serve de meio de distinção em relação a cultura das classes dominadas e objetiva ao mesmo tempo suplantá-la.

     Assim, a classe dominante se utiliza dos meios de produção simbólica para de forma implícita impor a sua cultura de dominação visando através de uma violência simbólica “domesticar” as classes e frações de classe dominadas com o objetivo de produzir um consenso em torno de suas ideias, e esta dominação acaba ocorrendo muitas vezes de forma despercebida. A produção simbólica como instrumento das classes dominantes então é levada a efeito por especialistas como ideólogos religiosos e das produções artísticas que através de seus dogmas ou arte, trazem os elementos de dominação e coesão social pretendidos pela classe dominante a que servem.

     Bronislaw Baczcko, em uma perspectiva que muito dialoga com autores como Marx, Weber e Bourdier, trabalha com a ideia de Imaginação social (BACZCKO, 1989). Esta imaginação em muito é um resultado de representações que uma sociedade tem ou constrói de si mesma, suas próprias “mitologias” na linguagem do autor, que podem ser utilizadas pelos poderes dominantes para impor sua vontade baseada na imaginação que criam sobre si mesmos, e de como deve ser a sociedade de acordo com seus objetivos. Segundo Baczcko, uma mudança de poder, por exemplo, através de lutas como guerras e revoluções produzirá uma imaginação social própria dos grupos participantes, e aquele grupo que chegar ao poder a irá impor, por exemplo, aos dominados ou derrotados como sendo um ideal, assim a dominação carismática, as ideologias desenvolvidas dentro das sociedades e o poder simbólico se encontram dentro do universo do imaginário social.

     Assim, tanto a ideia do poder simbólico quanto a perspectiva do imaginário social, são também de grande utilidade para a compreensão das lideranças monárquicas da Escandinávia medieval, pois como algo comum aos líderes carismáticos, exerciam seu poder através de produções simbólicas construídas através de mitos ou poesias épicas que reforçavam sua legitimidade como lideranças constituídas dentro de um código cultural peculiar, que se insere dessa forma também num imaginário social. Mais adiante veremos como podem ser traçadas de uma forma exemplificada as relações deste campo teórico aqui exposto com nosso objeto de estudo, ou seja, os reis guerreiros da Era Viking.

 A cultura guerreira nórdica e os reis escandinavos da Era Viking:

      Partindo do princípio de que a guerra obedece aos parâmetros culturais de cada povo que a pratica, cabe-nos agora discorrer sobre a cultura guerreira que permeava a sociedade escandinava medieval e exemplificar de que forma a mesma era praticada pelos reis noruegueses na Era Viking. A cultura guerreira era algo que permeava praticamente todos os aspectos da cultura dos escandinavos no período histórico ao qual estamos tratando, e os ideais de coragem e bravura eram ensinados e transmitidos de geração a geração, as próprias representações de seus deuses e heróis atestava para tal fato, pois traziam em suas narrativas, por exemplo, virtudes de coragem em campo de batalha, pois para os nórdicos deste período a guerra era um meio de obtenção  tanto de meios de sobrevivência quanto de conquista de poder e prestígio, tanto quanto a manutenção de tais status, Assim, as virtudes guerreiras e heroicas constituíam valores morais em vários aspectos de sua sociedade. Desta forma, como o povo nórdico do período histórico ao qual estamos trabalhando estava imerso em uma cultura violenta, as representações e histórias relacionadas a deuses e heróis envolvidos em guerras eram passadas aos nórdicos desde sua tenra juventude, o que formava assim uma idealização da vida na guerra (PALAMIN, 2013).
Batalha de Stiklestad, Nicolai peter Arbo, 1860.
     A guerra também era crucial na constituição do poder monárquico para os povos nórdicos. A ideologia que permeava a monarquia escandinava na Era Viking também se conectava com a religião, os mitos, e o papel da guerra na ascensão do poder dos reis, pois haviam alianças construídas entre os reis e a aristocracia que possuíam um forte caráter militar, pois a guerra e a obtenção de saques era de grande importância para se obter recursos nesta sociedade, bem como a distribuição de produtos  dentro da mesma  e a generosidade conforme o rei os distribuía entre a aristocracia constituía um elemento chave na manutenção das alianças dentro das quais os reis distribuíam riquezas e bens, e desta forma seus aliados tinham por obrigação em troca fornecer homens para a guerra (STEINSLAND, 2011, pp. 4-8).

     A transmissão dos valores guerreiros de coragem e bravura dentro da sociedade nórdica se dava principalmente através dos poetas de corte, os chamados Skalds (LANGER 2009, pp. 189-190). Os mesmos eram responsáveis por narrar também os feitos guerreiros dos reis e transmiti-los à posteridade, e é de sua tradição que temos grande parte dos relatos a respeito dos reis noruegueses que são nosso foco no presente trabalho. Assim, através dos relatos orais foi possível já no século XIII, num período posterior à Era Viking, após já ter sido adotada a tradição escrita na Escandinávia, a produção das sagas ou crônicas sobre famílias e reis das quais a nossa fonte primária é o Heimskringla. Portanto esta é a saga escrita que trata da história dos reis da Noruega que nos ajudará a exemplificar a seguir os atos guerreiros dos mesmos e seu prestígio militar necessário na busca pela obtenção ou manutenção do poder.

     Destacaremos aqui alguns exemplos trazidos pelo Heimskringla de atos guerreiros e prestígio militar conseguidos por reis Noruegueses da Era Viking, como o objetivo de tentar mostrar à luz de nosso campo teórico como se dava a relação entre guerra e poder monárquico na Escandinávia medieval. O rei Harald Harfager, responsável pela unificação da Noruega sob um único reinado, no caso o seu próprio, tem uma Saga dedicada a seus feitos dentro de nossa fonte primária, e o capítulo do qual retiramos o trecho a seguir narra como foi a batalha de Hafrsfjord, a última batalha contra reis inimigos para a concretização do objetivo de unificar toda a Noruega sob seu governo, pois até então era dividida em vários pequenos reinos e territórios sob o poder desses reis:

 Tidings came from the South that the people of Horthland and Rogaland, of Agthir and Thelamork gathered an army and planned a rebellion. They had ships, weapons, and a great host. The originators of this uprising were Eírik, the king of Horthaland, Súlki, the king of Rogaland, and his brother, Earl Sóti; also, Kjotvi the wealthy, king of Aghtir, and his son Thórir Haklang; and from Thelamork the two brothers, Hróald Hrygg, and Hadd the Hard.

     As soon as king Harald became aware of these tidings he collected an army, launched his ships, and outfitted his troops, then sailed south along the land with many troops from every district. When he had rounded the promontory of Stath, King Eírik, who had by that time gathered all the troops he could expect to get, learned of that and  proceeded south to join the force he knew would arrive from the east. So, the entire fleet (of the enemies of Harald) met north of Jathar and put into the Hafrsfjord. There, King Harald and his fleet lay anchored.

    At once began a great battle which was both violent and long lasting. But finally King Harald was victorious.[i] (HEIMSKRINGLA, 2011, pp. 73-74)

     After this battle, no further resistance was made to King Harald in Norway. All of his greatest antagonists had fallen, though some had fled the country[ii]. (HEIMSKRINGLA, 2011, p. 76)

 

     Pouco antes de sua morte, Harald Harfager aponta seu filho Eric, o Machado sangrento como seu sucessor, e após Harald morrer, mesmo com a indicação do pai, Eric acaba enfrentando alguns de seus irmãos em batalha para poder deter sozinho o domínio sobre o território deixado por Harald:

     During the year following the death of King Harald, king Eirík collected all the revenues owing to the King in the western districts, Ólaf did the same in Vík, and Sigröth, their brother, those in the Trondheim district. Eirík was mightily displeased with this, and it was rumored that he would try with force regain from his brothers the sole dominion over all the land which his father had given him. (…)

     The same spring Eirík summoned a great force and a fleet and steered east to Vík. (…) And when he arrived at Túnsberg, Ólaf and Sigröth with their forces issued forth and drew up their troops in battle array on the hills east of the town. Eirík had a greatly superior force and was victorious. Both Ólaf and Sigröth fell there, and the burial mound of both of them is on the hill where they fell.

     Thereupon Eirík proceeded about the Vík district, bringing it onto his power, and remained there a long time during the summer. (…)

     Eirík was a large and handsome man, strong and of great prowess, a great and victorious warrior, violent of disposition, cruel, gruff, and taciturn.[iii] (HEIMSKRINGLA, 2011, p. 95)

      Os exemplos retirados da Saga de Harald Harfager contendo relatos da conquista de seu reinado e do início do reinado de seu filho Eric no Heimskringla, nos possibilitam traçar as relações pretendidas com nosso campo teórico no concernente à cultura guerreira dos reis noruegueses da Era Viking e de suas relações de poder.

     Ao observarmos a forma como tanto Harald quanto Eric derrotam seus inimigos, no caso de Eric seus próprios irmãos, vemos traços de uma cultura na qual se conquistar ou reconquistar territórios através da guerra e assim obter ou assegurar um reinado através da mesma legitima a posição de um rei nórdico como líder, assegurando-lhe automaticamente um carisma frente a seus seguidores, notando-se o fato de conseguirem juntar um grande número de tropas para sua causa, obviamente também sendo a fonte desse carisma a distribuição de despojos de guerra e a garantia de posições importantes também aos aliados após a vitória. Podemos notar também a produção simbólica em torno destes reis através da própria tradição oral e no caso das Sagas posteriormente escritas, onde podemos notar os elogios às qualidades do rei Eric, por exemplo, apresentado na Saga como um homem de bons adjetivos e descrito como “um grande e vitorioso guerreiro”, onde percebemos assim a forma como esses reis emanavam um grande poder simbólico. Assim, tanto o carisma, quanto o poder simbólico, e a cultura guerreira que dita as regras de liderança na monarquia norueguesa da Era Viking, constroem assim a representação do ideal de rei na sociedade escandinava medieval deste período histórico, constituindo-se assim todos estes elementos como parte de sua imaginação social.

 FONTE:

 SURLURSON, Snorri. The Saga of Harald Fairhair. in: Heimskringla, History of the kings of Norway. Tradução ao inglês por Lee M. Hollander. Austin: University of Texas Press, 2011.

 

BIBLIOGRAFIA:

 - BACZCKO, B. “Imaginação social” in: Enciclopédia Einaudi. Antropos-homem. Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da moeda, Vol. 5, 1989.

 - BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989.

 - KEEGAN, John. Uma História da Guerra. São Paulo, Companhia das letras, 2006.

 - LANGER, Johnni. Deuses, monstros, heróis: ensaios de mitologia e religião viking. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2009.

 - MUCENIECKS, André Szczawlinska. Notas sobre o termo viking: usos, abusos, etnia e profissão. Revista Alethéia de estudos sobre antiguidade e medievo – Volume 2/2, Agosto a Dezembro de 2010.

 - PALAMIN, Flávio Guadagnucci. O Ideal De Coragem Do Guerreiro Viking Representado Nos Heróis Sigmund E Sinfjolth. Disponível em: < http://www.cih.uem.br/anais/2013/trabalhos/501_trabalho.pdf> Acesso em: 16 de novembro de 2014.

 - STEINSLAND, Gro. Ideology and power in the Viking and middle ages Scandinavia, Iceland, Ireland, Orkney and the Faeroes.  In: STEINSLAND, Gro. SIGURDSSON Jón V. REKDAL, Jan E. e BEUERMANN, Ian. (Orgs.). Ideology and power in the Viking and middle ages. Boston: Brill, 2011.

 - WEBER, Max. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Ltc editora, 1982.

 - ____________. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. São Paulo: Unb editora, 2004, Vol. 2.


NOTAS

[i][i]  Vieram notícias do Sul de que o povo de Horthland e Rogaland, de Agthir e Thelamork reuniu um exército e planejou uma rebelião. Eles tinham navios, armas, e um grande exército. Os originadores deste levante foram Eirik, o rei de Horthaland, Sulki, o rei de Rogaland, e seu irmão, Earl Soti; Também, Kjotvi o rico, rei de Aghtir, e seu filho Thórir Haklang; e de Thelamork os dois irmãos, Hróald Hrygg e Hadd o duro.
     Assim que o rei Harald soube destas notícias ele reuniu um exército, lançou seus navios, e equipou suas tropas, em seguida, navegou para o sul ao longo da terra com muitas tropas de todos os distritos. Quando ele tinha cercado o promontório de Stath, o Rei Eirik, que tinha nesse momento reunido todas as tropas que ele poderia ter esperado juntar, soube disso e prosseguiu para o sul para se juntar à força que ele sabia que iria chegar a partir do leste. Assim, toda a frota (dos inimigos de Harald) se encontrou ao norte de Jathar e se colocaram em Hafrsfjord. Lá, o rei Harald e sua frota jazia ancorada.
    No mesmo instante começou uma grande batalha, que foi ao mesmo tempo violenta e longa. Mas, finalmente, o Rei Harald foi vitorioso. (Tradução nossa)
[ii] Após esta batalha, nenhuma resistência foi mais feita ao rei Harald na Noruega. Todos os seus maiores antagonistas haviam caído, embora alguns tenham fugido do país. (Tradução independente)
[iii] Durante o ano seguinte à morte do rei Harald, O rei Eirik coletou todas as receitas devidas ao Rei nos distritos ocidentais, OLAF fez o mesmo em Vík, e Sigröth, seu irmão, as do distrito de Trondheim. Eirik desagradou-se disto, e havia rumores de que ele iria tentar pela força recuperar de seus irmãos o domínio único sobre toda a terra que seu pai lhe dera. (...)
     Na mesma primavera Eirik convocou uma grande força e uma frota e se dirigiu a leste para Vík. (...) E quando ele chegou a Túnsberg, OLAF e Sigröth com suas forças preparadas colocaram suas tropas em ordem de batalha nos montes ao leste da cidade. Eirik tinha uma força muito superior e foi vitorioso. Ambos OLAF e Sigröth lá caíram, e o túmulo de ambos está na colina onde eles caíram.
     Então Eirik foi para o distrito de Vík, trazendo-o a seu poder, e lá permaneceu um longo tempo durante o verão. (...)
     Eirik era um homem grande e bonito, forte e de grande destreza, um grande e vitorioso guerreiro, violento de disposição, cruel, rude e taciturno. (Tradução independente)


Batalha de Svolder, Angus McBride (séc. XX)