O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O Ragnarök é pagão ou cristão?


Far away and long ago, 192, desenho do húngaro William Andrew Pogany com base nos lobos Hati e Sköll perseguindo a Lua e o Sol antes do Ragnarök.


Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

johnnilanger@yahoo.com.br

 

Um dos temas mais polêmicos envolvendo a Mitologia Nórdica são os referentes à narrativa do Ragnarök. No Brasil, muitos entusiastas e pesquisadores vem levando em conta uma dicotomia no que se refere ao tema: alguns o consideram de origem totalmente pagã e outros um relato criado pelos cristãos para denegrir ou melhor converter os escandinavos. Nossa principal idéia aqui é apresentar um referencial intermediário: o seu relato literário, na realidade, foi um híbrido entre os dois mundos.

Afinal, o que foi o Ragnarök? Trata-se de uma série de acontecimentos a serem propagados no futuro (portanto, escatológicos), de caráter catastrófico e de transformação do universo, dos deuses e dos humanos. A palavra vem sendo traduzida mais coerentemente como “destino dos deuses” e suas principais fontes primárias são o poema éddico Völuspá e a Edda em Prosa de Snorri.

Tradicionalmente desde o século XIX as narrativas do Ragnarök vinham sendo interpretadas como testemunho antigos sobre os mitos nórdicos, mas a partir das pesquisas de Sophus Bugge, os relatos começaram a ser considerados como tendo sido influenciados por referenciais cristãos, após a sua preservação por escrito.

O principal problema com relação ao Ragnarök é que ele não é encontrado nas fontes literárias e históricas antes do século X d.C. Ele não é citado, sequer mencionado, no período germânico antigo. Nossas pesquisas, contudo, vem apontando que alguns elementos podem ser identificados pela iconografia. Em algumas bracteatas do século V, tanto da Escandinávia quanto da Alemanha, identificamos algumas cenas que tem relação com as narrativas escatológica produzidas no medievo.

O mito de Balder sendo morto, talvez tenha sido reproduzido nas bracteata de Zagórzyn (Kalisz), tipo B, Alemanha, Museu Stuttgart, séc. V-VI; e de Fakse, Dinamarca, séc. V-VI (figuras 1 e 2). Três figuras aparecem nas imagens, talvez Loki, Hoder e Balder, sendo a figura do meio trespassada por um dardo. Mas as imagens mais importantes são referentes à figura do lobo. Este animal como inimigo dos deuses surge em duas bracteatas do século V-VI: Trolhattan, Suécia, séc. V-VI; e Skrydstrup (figuras 3 e 4). Na primeira, uma figura masculina é atacada em sua mão por um canídeo (Tyr e Fenrir?) Na segunda, uma figura masculina possui um elmo com formato e pássaro, outro pássaro está ao lado, com um cervídeo e uma serpente na base. Pelas suas costas, uma figura canídea o ataca, com feições ferozes. Sem sombra de dúvida trata-se de Wotan, já sendo associado com o lobo inimigo.

Mas porque o Ragnarök não aparece nas fontes literárias desta época? Talvez porque não fosse importante. Várias pesquisas arqueológicas estão apontando que catástrofes climáticas (desencadeadas por uma ruppção vulcânica) ocorreram na Escandinávia durante o século VI, ocasionando grande incidência de abandono de vilas, fome e crises sociais (Price, 2015). É neste contexto que poderia ter sido formada a imagem do Fimbulvetr, o período de três invernos que antecede ao Ragnarök na literatura medieval – uma imagem de desolação e crise ambiental. Também durante o século VI que as imagens do disco do Sol e de espirais nas estelas da ilha de Gotland desaparecem, dando lugar à imagens heróicas e figurativas. Uma recente análise da pedra de Rök (800 d.C., Suécia), afirma que o texto alude a morte de um filho com um contexto significativo de eventos escatológicos, uma batalha final contra os poderes cosmológicos destrutivos e uma memória de crise climática (Holmberg, 2018-2019, p. 1-38). Também neste contexto, é de ressaltar que a Völuspá str. 40 ("rauðum dreyra; svört verða sólskin; um sumur eptir/ névoa vermelha, escuro será o sol; que brilhará no verão, tradução nossa) alude a um acontecimento prévio ao Ragnarök, que é típico de um céu diurno após uma erupção vulcânica - o sol fica obsurecido, cinza ou avermelhado durante meses, devido à presença de resíduos na atmosfera.

Figura 5: pingente em forma de lobo devorando um globo, Dublin, séc. IX-X d.C.

Em nossas pesquisas de etnoastronomia, identificamos que o aglomerado das Hiades (constelação de Touro) era conhecido na Escandinávia pré-cristã como a mandíbula do Lobo (Ulf's Keptr, citado no manuscrito Gks 1812, seção referente a informações celestes do período pagão) e descobrimos que ele esteve associado no céu com vários eclipses totais do Sol, Lua e passagens de cometa (conjunções astronômicas visíveis a olho nú) a partir do século VIII – estes fenômenos tem larga tradição de terem sido associados pelas povos europeus antigos à catástrofes e acontecimentos maléficos. Assim, em um período que vai do século VIII ao X d.C., o céu noturno também passa a ser associado com acontecimentos malignos e a figura do lobo (Langer, 2018, pp. 1-20). Como este animal já era vinculado com os deuses (como vimos nas bacteatas), a representação de um canídeo atacando corpos celestes toma uma forma mais objetiva no imaginário. Um recente estudo do escandinavista italiano Andrea Maraschi reforça os estudos sobre o Fimbulvetr como experiências pessoais associadas com visões apocalípticas, fixando uma memória sobre o antigo acontecimento na tradição oral. Este autor ainda reforça que a tradição do lobo nórdico como representação de catástrofes pode ter sido devida à associação entre eventos celestes sinistros e a constelação da mandíbula do lobo (Maraschi, 2019, p. 35):


É durante o século X que encontramos uma farta quantidade de imagens provindas de áreas nórdicas, todas relacionando o lobo com objetos circulares. A mais contundente é a de um contexto totalmente pagão, de Dublin da Era Viking, onde um pingente representa um lobo em feições ferozes, curvado e devorando uma espécie de globo (figura 5). Também os hogbacks ingleses de Tyningham e Ovingham 1C apresentam esculturas de canídeos atacando globos (Langer, 2012) (figuras 6 e 7).

Figura 6:  relevos  no hogback de Ovingham 1C: em um lado, dois lobos segurando um globo, de outro lado, somente um lobo com globo. Inglaterra, séc. X.


Figura 7: Lobo perseguindo um globo entre duas figuras masculina (uma delas porta um grande corno). Hogback de Tyninghame, Inglaterra, séc. X.

Apesar da poesia escáldica não apresentar diretamente material relativo ao Ragnarök, ela confirma essa tradição mais antiga do lobo como inimigo dos deuses, como em um trecho do Eiríksmál 7 “Hvi namt þu hann sigri þa er þer þotti hann sniallr vera þvi at ovist er at vita sagðe Oðenn ser ulfr enn hausve a siot goða.” (Então, por que privas ele da vitória, quando você mesmo pensou sê-lo bravo? Não prevejo o que deveria para saber, diz Óðinn, entretanto, o lobo cinza olha sombriamente para a morada dos deuses, tradução de Pablo Gomes de Miranda). Eiríksmál é um poema escáldico anônimo, composto sob o patrocínio da rainha Gunnhildr konungamóðir para homenagear o seu marido, Eiríkr blóðøx, morto em 954 d.C. Também o poema Hákonarmál, século X, confirma a concepção do lobo relacionado a eventos escatológicos, estrofe 20 (Mun óbundinn á ýta sjǫt Fenrisulfr fara/ Solto de suas amarras, Fenrir o lobo, andará pelo mundo, tradução nossa).

Então, de maneira objetiva, as informações iconográficas e etnoastronômicas nos levam a considerar que as cenas da morte de Balder, de Odin sendo atacado por um lobo e dos astros serem devorados pelo mesmo animal (vargǫld, a Era do lobo), já existiam anteriormente ao ano mil. Somando-se à então recente erupção do vulcão Eldgjá na Islândia do ano 940 d. C. (Oppenhelmer, 2018), os pavores coletivos devem ter ficado ainda mais acirrados. E todos eles devem ter sido incorporadas em uma narrativa que se somava aos crescentes medos escatológicos provenientes da Inglaterra do século X: é a narrativa da Völuspá, que pode se tratar de um híbrido entre tradições orais cristã e pagãs (Abram, 2011, p. 165), todas incorporadas pelo paganismo tardio, antes deste desaparecer totalmente (Cardoso, 2006, p. 36). Era um período onde pagãos e cristãos conviviam plenamente, de forma ampla e circular. Então, antes de desaparecer com a cristianização, o próprio paganismo incorporou elementos cristãos em sua cosmovisão e concepção escatológica (interpretatio Norrœna). Neste caso, o poema Völuspá é originalmente um produto literário híbrido e não como se pensava na academia de tempos atrás - que o relato pagão teria sido preservado por escrito em tempos cristãos e sua escrita alterada pelo modo de ver do escriba, já cristianizado.

Mas com relação à Edda em Prosa, de Snorri Sturluson, o conteúdo híbrido sobre o Ragnarök da Völuspá é inserido em uma grande sistematização uniforme dos mitos antigos e se torna ainda mais um produto de seu tempo (Abram, 2011, p. 208), conectando o velho mundo com o novo – especialmente na volta de Balder de Hel e com o casal de humanos sobrevivente. A própria produção da Edda em Prosa foi devida à existência de uma cultura cristã na região, mas também o seu conteúdo sobre paganismo foi filtrado pela nova religião (Sêmedo & Fernandes, 2017, p. 212).

 

Bibliografia:

ABRAM, Christopher. Myths of the pagan North. London: Continnum, 2011.

CARDOSO, Ciro Flamarion. Aspectos da cosmogonia e das cosmografias escandinavas. Brathair 6 (2), 2006, pp. 32-48.

HOLMBERG, Per et al. The Rök Runestone and the End of the World. Futhark 9-10 (2018-2019), pp. 1-38.

LANGER, Johnni. Um vulcão cristianizou a Islândia? Blog do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, 30 de março de 2018.

LANGER, Johnni. The Wolf's Jaw: an Astronomical Interpretation of Ragnarök, ARCHAEOASTRONOMY AND ANCIENT TECHNOLOGIES 6(1), 2018, pp. 1-20.

LANGER, Johnni. A morte de Odin? As representações do Ragnarök na arte das Ilhas Britânicas (séc. X). MEDIEVALISTA 11, 2012. 

LANGER, Johnni. Völuspá. In: LANGER, Johnni (Org.). Dicionário de Mitologia Nórdica. São Paulo: Hedra, 2015, pp. 555-558.

MARASCHI, Andrea. Learning from the Past to Understand the Present: 536 AD and its Consequences for Man and the Landscape from a Catastrophist Perspective. Ceræ: An Australasian Journal of Medieval and Early Modern Studies, 6, 2019, pp. 23-44.

OPPENHELMER, Clive et al. The Eldgjá eruption: timing, long-range impacts and influence on the Christianisation of Iceland. Climatic Changes 3/4(147), 2018.

PRICE, Neil; GRASLUND, Bo. Excavating the Fimbulwinter? Archaeology, Geomythology and the Climate Event(s) of AD 536. In: Past Vulnerability: Volcanic Eruptions and Human Vulnerability in Traditional Societies Past and Present, ed. Felix Riede, 2015, pp. 109–32. 

SÊMEDO, Rafael & FERNANDES, Isabela. The Context of Christianity and the Process of Composition of the Prose Edda. Roda da Fortuna 6(1), 2017, pp. 197-214.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Como pesquisar pedras rúnicas pela internet

 

Imagem 1: alguns exemplos de pedras rúnicas. 




Leandro Vilar 

Doutor em Ciências das Religiões pela UFPB/NEVE 

vilarleandro@hotmail.com

Introdução

Esse pequeno texto consiste num material de auxílio para os interessados em querer trabalhar com as pedras rúnicas, mas não sabem como ter acesso a esse material arqueológico, e também como utilizá-lo para estudar a Era Viking e outros períodos da Escandinávia da Alta Idade Média (V-X). 

Na Escandinávia da Alta Idade Média, dois tipos de monumentos de pedra predominaram naquele território: as pedras gravadas (Picture stones), as quais possuem apenas imagens (pessoas, animais, objetos, lugares, armas, embarcações, etc.), estando restritas a ilha de Gotland (atualmente território sueco) e as pedras rúnicas (Runestones). Como a proposta desse texto é abordar o segundo tipo de monumento, foquei apenas em dissertar um pouco a respeito dele. 

Uma pedra rúnica ou estela rúnica, consiste num monumento erguido entre os séculos V ao XII, na Suécia, Dinamarca e Noruega, mas estando presente também na Inglaterra, Ilha de Man, Estônia e Rússia. Todavia, 80% desses monumentos concentram-se em território sueco, sendo datados principalmente do século XI, o qual representa o final da Era Viking. (ver imagem 1)

As pedras rúnicas inicialmente eram pequenas e continham apenas runas do Antigo Futhark (um dos alfabetos rúnicos de origem germânica). Por volta do século X, pedras rúnicas contendo imagens de pessoas, animais, símbolos e ornamentos, tornaram-se mais comuns. Além de passarem a usar o Novo Futhark, uma variação escandinava do alfabeto rúnico, possuindo menos letras, variações gráficas e fonéticas. Esse novo alfabeto predominou na produção desses monumentos até o século XII. 

No entanto, qual teria sido a função delas? As pedras rúnicas essencialmente são monumentos memorialistas e comemorativos, trazendo textos curtos, os quais destacam algum tipo de homenagem para uma pessoa específica. A maioria dos homenageados são homens, mas há casos de mulheres terem sido homenageadas. 

E nesse ponto, as homenagens eram prestadas para pessoas vivas, ou para se celebrar algum acontecimento, mas em muitos casos, principalmente no século XI, as homenagens eram de caráter póstumo, sendo dedicadas a pessoas que haviam falecido. Esses textos também eram curtos e expressavam informações diversas como nomes, descendentes, antepassados, local de falecimento ou de moradia, causa da morte, algum feito, acontecimento, uma oração (principalmente de tom cristão), etc. 

Agora sabendo um pouco o que são as pedras rúnicas e seus usos no passado, como elas podem servir de fonte de estudo? 

As pedras rúnicas não são apenas fontes arqueológicas, mas também são fontes escritas e iconológicas, o que revela três possibilidades distintas para o mesmo tipo de monumento, permitindo estudá-lo pelo âmbito da Arqueologia, História, Runologia (estudo das runas), Iconografia, Simbologia, etc. 

O conteúdo escrito permite uma série de possibilidades como estudos sobre localidades, territórios estrangeiros visitados (pois algumas informam sobre homens que faleceram em campanhas ou expedições), nomes próprios, relações familiares, usos da memória, recordação dos mortos, usos religiosos, acontecimentos históricos (ex: governo do rei Haroldo I da Dinamarca, as guerras do rei Canuto, o Grande, a expedição de Ingvar, o Viajante), etc. 

A nível iconológico é possível estudar os simbolismos presentes nestes monumentos e sua correlação com a arte, cultura, sociedade e religião do período. Nesse ponto, pode-se analisar os motivos ornamentais, os animais, pessoas, plantas, signos, etc. E há casos de algumas pedras rúnicas fazerem referências a mitos, como o de Sigurd lutando contra o dragão Fafnir, ou o do deus Thor pescando a serpente Jormungand. 

Estando diante dessas possibilidades que podem ser realizadas tendo as pedras rúnicas como fontes de pesquisa, agora falarei de como poder ter acesso a esse material sem precisar ter que viajar até o lugar. 

Nem sempre o pesquisador possui recursos e possibilidade para viajar até o local onde se encontram suas fontes, principalmente quando falamos em áreas como a Arqueologia, História e Antropologia. O pesquisador que tem interesse em estudar algo de um país distante, mas não possui condições de viajar para lá, isso para algumas pessoas se torna frustrante a ponto de fazê-las desistir de sua pesquisa. 

No entanto, graças a iniciativa de universidades, institutos, academias, grupos de pesquisas e estudiosos, acervos digitais foram criados. E no caso das pedras rúnicas existem vários sites que apresentam catálogos desses monumentos, o que ajuda bastante na hora de poder estudá-los, sem requerer a necessidade de ter que viajar a campo.

Alguns sites são mais simples, possuindo acervos pequenos e poucas informações, sendo organizados ou mantidos por voluntários, estudiosos independentes, estudantes ou até mesmo curiosos no tema. Mas para esse texto optamos em abordar dois sites profissionais, e citar um terceiro que serve para complemento. 

Rundata

Nomeado Scandinavian Runic-text Data Base ou em sueco Samnordisk runtextdatabas, consiste numa base de dados online e de acesso livre, a qual reúne informações sobre pedras rúnicas e inscrições rúnicas, contendo milhares de fontes. Anualmente a base de dados é atualizada com as descobertas. Consistindo num catálogo bastante preciso. 

O projeto do Rundata como é mais conhecido, foi iniciado em 1986 pelo Departamento de Línguas Escandinavas da Universidade de Uppsala, na Suécia. Inicialmente de uso interno, tornou-se público anos depois. A url de acesso é https://rundata.info/. 

O site atualmente está totalmente disponível em língua inglesa, já que originalmente era apenas em sueco. No site do Rundata é possível ter acesso a um acervo com mais de 6.700 mil itens. 

A interface do site não é de uso difícil, apresentando um mapa no lado direito com a localização das fontes, incluindo a quantidade por localidade. Ao centro temos as informações sobre o item escolhido, através de uma janela com barra de rolagem, a qual contém seu código de entrada (ou de catalogação), transcrição das runas, tradução para o inglês, informações complementares, e fotografias (embora nem todo item possua fotografia disponível). Ao lado esquerdo existe uma lista com barra de rolagem, que apresenta cada item do acervo, organizado pelo código geográfico (sigla da província ou país) e em sequência númerica. (ver imagem 2)




Imagem 2: página do site Rundata.


O site também permite usar a barra de pesquisa, onde insere-se o código de entrada referente a item a ser procurado. Pode-se também pesquisá-lo pelo mapa. O site também disponibiliza um link para referências bibliográficas, mas essas se encontram em sueco. 

Runic Dictionary

A interface desse dicionário rúnico foi desenvolvida pelo professor Tarrin Wills, e está online desde 2008. Tendo sido incorporada ao Nottingham Rune Dictionary. O site do Runic Dictionary está disponível na url: https://skaldic.abdn.ac.uk/db.php?if=runic&table=database&view=runic.  

Como o nome salienta, o site atua não apenas como uma base de dados contendo pedras rúnicas e inscrições, mas também outros tipos de informações de teor linguístico, pois disponibiliza um dicionário rúnico, onde pode-se inserir palavras em nórdico antigo, e procurar por seus siginificados, pois a interface do site permite cruzar dados com alguns dicionários de nórdico antigo. (ver imagem 3)

Imagem 3: página inicial do Runic Dictionary.

No entanto, no que diz respeito as pedras rúnicas, para se ter acesso ao catálogo, basta clicar na aba ”regions”, a qual mostrará a localização geográfica pela sigla e o nome do país ou território, e ao lado do nome haverá uma numeração identificando a quantidade de itens por localidade. Do lado direito da tela aparece uma lista específica, contendo todos os itens disponíveis daquela localização, ordenado em ordem númerica e nome da localidade onde foi encontrado. (ver imagem 4)

Imagem 4: página do catálogo de pedras rúnicas do Runic Dictionary. 


Ao se clicar em um deles, abrirá uma nova janela com as informações da pedra rúnica dentro de uma tabela no lado esquerdo, mostrando código de entrada, localização, coordenadas, transcrição das runas, tradução para o inglês, periodização e outras informações. No lado direito encontra-se o mapa com a localização e coordenadas no monumento. E abaixo, ficam as fotografias, quando disponíveis. No entanto, a maioria dos itens do Runic Dictionary não possuem imagens, e algumas são de baixa qualidade, o que requer conferir as fotografias ou ilustrações a partir de outros sites. (ver imagem 5)

Imagem 5: página da pedra rúnica Jelling 2 no Runic Dictionary.


Runeindskrifter

É um site mais simples, cujo título significa “Inscrições Rúnicas”, podendo ser acessado pela url: https://www.schleugerhard.com/. Diferente do Rundata e do Runic Dictionary os quais possuem mais informações, o Runeindskrifter embora possua um catálogo com milhares de itens, ele não traz informações sobre periodização, localização exata, entre outros informes. Além disso, a tradução das runas é feita para o dinamarquês, não o inglês. 

Entretanto, o destacamos aqui pelo fato de ele possuir imagens que as vezes não são encontradas no Rundata e no Runic Dictionary, o que torna esse site um complemento de pesquisa, sendo recomendado usá-lo como suporte para os outros sites mencionados. 

A interface do site é bem simples. No lado esquerdo há uma lista de localidades, e no lado direito encontram-se as imagens, ordenadas numericamente por região. (ver imagem 6).

Imagem 6: página do Runeindskrifter


Considerações

Os três sites apresentados aqui consistem em base de dados, embora que o Runic Dictionary também disponibilize o serviço de dicionário. No entanto, tais sites não servem necessariamente para estudar o que são pedras rúnicas, já que o objetivo deles é apresentar catálogos contendo informações básicas sobre elas e algumas imagens. 

Sendo assim, eles não possuem seções próprias para abordar as funções, origens, usos e estilos desses monumentos. Para se ter acesso a isso, deve-se recorrer a livros e artigos especializados. Recordando que nem sempre um livro sobre runas, vá abordar pedras rúnicas. Além disso, existe pouco material em língua portuguesa referente as pedras rúnicas. Sendo assim, abaixo segue uma bibliografia básica sobre esses monumentos. 

Referências básicas: 

ANDRÉN, Anders. Re-reading embodied texts – an interpretation of rune-stones. Current Swedish Archaeology, vol. 8, p. 7-32, 2000. 

GRÄSLUND, Anne-Sofie. Dating the Swedish Viking-Age rune stones on stylistic grounds. In: STOKLUND, Marie [et. Al] (eds.). Runes and their Secret. Studys in Runology. Copenhagen: Museum Tusculanum Press, 2006, p. 117-139.  

GRÄSLUND, Anne-Sofie. The Late Viking Age Runestones of Västergötland: On Ornamentation and Chronology, Lund Archaeological Review, v. 20, p. 39-53, 2014.

JANSSON, Sven B. F. Runes in Sweden. Translation by Peter Foote. 2. ed. Värnamo: Gidlunds/Royal Academy of Letters, History and Antiquities, 1987.  

OLIVEIRA, Leandro Vilar. A guardiã dos mortos: um estudo do simbolismo religioso da serpente em monumentos da Era Viking (sécs. VIII-XI). Tese (Doutorado em Ciências das Religiões), Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões, Universidade Federal da Paraíba, 2020. (consultar o capítulo 4)

OLIVEIRA, Ricardo Wagner Menezes de. As religiosidades vikings em monumentos de pedra. Notícias Asgardianas, n. 8, p. 43-52, 2014. 

OLIVEIRA, Ricardo Wagner Menezes de. Feras petrificadas: o simbolismo religioso dos animais na Era Viking. Dissertação (Mestrado em Ciências das Religiões), Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2016.

PAGE, Raymond. Runes and Runic Inscriptions. London: Boydell Press, 1999.

SAWYER, Birgit. The Viking-age rune-stones: custom and commemoration in early medieval Scandinavia. Oxford: Oxford University Press, 2000. 

RUNDATA. Disponível em: https://rundata.info/. 

RUNEINDSKRIFTER. Disponível em: https://www.schleugerhard.com/.

RUNIC Dictionary. Disponível em: https://skaldic.abdn.ac.uk/db.php?if=runic&table=database&view=runic. 

THOMPSON, Clairbone W. Studies in Runography. Austin: University of Texas Press, 2016.

ZILMER, Kristel. Crosses on rune-stones: functions and interpretations. Current Swedish Archaeology, vol. 19, p. 87-112, 2011.


Leia também:


Runas e pedras rúnicas: guia visual


Sete erros históricos sobre Runas e Magia Rúnica






quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Lançamento: Dicionário de História das Religiões na Antiguidade e Medievo

 



Novo livro publicado pela Editora Vozes: 137 verbetes, redigidos por 43 pesquisadores nacionais e estrangeiros, com 570 páginas. Organizado por Johnni Langer (UFPB/NEVE) e prefácio de Hilário Franco Júnior (USP).


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