O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Call for papers: dossier - Norse Myths in the Artistic Reception, Scandia 4, 2021


Call for papers: dossier Norse Myths in the Artistic Reception, Scandia 4, 2021.

Norse myths represent one of the greatest cultural legacies from ancient Scandinavia. Throughout history, they have been perpetuated, re-signified and transformed by the most different artistic means: from doors of Churches in the Middle Ages to today’s media. Some of our contemporary interpretations of such myths depend, to a greater extent, on different images that have been created in the past.

We invite researchers to present proposals on the most different supports, techniques and artistic means, from the period that dates back to the Viking Age to the present day. The Medieval period produced several artifacts and works of material culture that establish some relations between image and orality in myths, such as pendants, tapestries and sculptures, while spaces of Christianity reveal moments of hybridization and religious interpretations (in Church doors, for instance). After the 16th century, many publications and manuscripts started to present a close relationship between text and image, eliciting various situations in which these myths were used as part of ideologies of identity and antiquarianism. After the Nordic Renaissance, images of these myths were frequently and intensively used, becoming one of the main means of expression of Romantic Nationalism in several European countries (K. Ljøgodt, “Northern Gods in Marble", 2012), that were presented in great paintings, public sculptures, theatrical productions, dramas and operas. The 19th century was fundamental for the modern definition of certain iconic categories regarding mythology, a topic that is still full of investigative possibilities, especially for Scandinavism (T. Gerven, Scandinavism overlapping and competing identities in the Nordic world, 2020). Later, other types of media tried to further popularize Norse narratives, such as comics, cinema and electronic games.

Although some major publications have brought several analytical proposals (such as The Pre-Christian Religions of the North: Research and Reception, vol. 1 and 2, 2018), the study of the artistic reception of Norse myths is still a field calling out for new investigations and proposals. We invite the proponents to bring perspectives involving both reception studies and iconographic perspectives, theories of visual culture or artistic analysis methodologies.

The deadline for submissions is July 31, 2021, and they must be done via the website Journal: The dossier will be organized by Professor Johnni Langer (UFPB/NEVE). Scandia Journal will also be accepting articles not dealing with this dossier’s matter, in a free section - the deadline is the same. 



terça-feira, 14 de julho de 2020

NEVE cria vídeos e podcast para divulgação dos estudos nórdicos



O Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos está realizando dois novos projetos midiáticos para divulgação da Escandinavística Medieval e os estudos nórdicos, envolvendo uma nova série de vídeos no seu canal no Youtube, o NEVE RESPONDE e um Podcast, o NEVECAST. Segue uma pequena entrevista com os dois organizadores destes novos projetos: Pablo Gomes de Miranda (doutorando em Ciências das Religiões pela UFPB) e Luciana de Campos (Estagiária de Pós-doutorado em Ciências das Religiões pela UFPB)

1) Pablo, na sua opinião, qual a relevância e o alcance do podcast?
Os podcasts são apenas uma parte das novas experiências digitais e de ampla distribuição de informações distribuídas na internet. Digo novas, mas essas experiências já estão aí faz anos, alguns indivíduos construíram fama e carreira nessas plataformas, da qual YouTube é o exemplo mais famoso. Sendo distribuídas e consumidas de graça, o seu alcance é amplo e está praticamente na palma da mão de qualquer um que queira ouvir ou assistir uma dessas mídias. Digamos que isso justificaria sua relevância: a possibilidade de falar para largas audiências, propondo uma aproximação arrojada ao mesmo tempo em que mantemos a nossa identidade acadêmica. 

2) Como esse sistema pode ajudar a divulgar as pesquisas?
Apesar dessa experiência digital já existir faz anos, não há meios formais de capacitação que possibilite alguém a adotar um modelo coroado de Podcasts. Há diversas propostas: podcasts sobre cultura pop, podcasts de notícias, podcasts de línguas estrangeiras, etc. A academia brasileira relutou, de certa maneira, a entrar nessa área, mas já há exemplos fabulosos principalmente de nossos colegas da área da História, da Filosofia e, sobretudo, da Literatura, que atuam em diversas frentes digitais (YouTube, Instagram, Twitter, etc). 

A atual crise estabelecida pela pandemia do coronavírus fez explodir a exposição e atuação dos profissionais nas mídias digitais, trazendo com isso casos positivos, a exemplo de webinários, lives e entrevistas; e negativos como as pesadas cargas horárias de trabalhos dos professores que precisam gravar e editar seus materiais, os conteúdos de qualidade duvidosa com alto índice de exposição, e o esvaziamento da qualidade nos debates pela internet, entre outros.

A ideia do Nevecast é a de agregar o que tem sido discutido pelo Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, mostrar quem são os pesquisadores, quais as suas áreas de atuação e mostrar a esse mundo digital a nossa proposta enquanto um núcleo de pesquisadores acadêmicos. Novamente, não há um modelo... o corolário é o de bate papo informal e direto, mas sem esgotar o ouvinte. Nesse caso, alguém que já esteja acostumado com esse formato, consultando o seu agregador favorito de podcasts, nos encontraria ali e poderia iniciar um episódio. Se gostou do assunto e quer se aprofundar, há sempre a indicação do pesquisador entrevistado de quais obras podem ser lidas.

3) Quais os temas pretendem ser abordados?
No nosso calendário ficou de acordo que daremos o palco a cada um dos pesquisadores do NEVE por episódio, portanto os temas são vinculados ao que cada um produziu ou debateu. Nesse momento já estou em processo de edição de um episódios sobre literatura e cristianização na Islândia e outro sobre arqueologia escandinava. Contudo, esgotado esse primeirou round de entrevistas, essa primeira "temporada" de episódios, alguns membros já concordaram em realizar uma roda de debate sobre temas específicos como religião nórdica antiga, literatura e identidade, simbolismo e, claro, metodologia de pesquisa.

4) Luciana, o que levou a criar o projeto NEVE RESPONDE?
A necessidade de esclarecer alguns equívocos sobre a sociedade nórdica que são propagados pela mídia e que infelizmente acabam reforçando os estereótipos e impedem o público de realmente conhecer como realmente era  asociedade e a vida material daquela época.

5) Quais as metas do projeto?
Preparar mais vídeos sobre temas pouco explorados e polêmicos e contando com a consultoria dos membros do NEVE e até mesmo abrir para o público propor novos vídeos/temas. Alguns dos temas futuros já em preparação: runas e magia rúnica, descobrimento da América pelos nórdicos, simbolismos religiosos e mágicos, temas mitológicos (O Ragnarok é pagão ou cristão?), entre outros.
 






quarta-feira, 3 de junho de 2020

10 Anos do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos







  

Pablo Gomes de Miranda
Doutorando em Ciências das Religiões (UFPB/NEVE)
pgdemiranda@gmail.com



No dia 1º de junho de 2020 o NEVE - Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos completou 10 anos. Este que é, talvez, um dos grupos de estudos acadêmicos mais atuantes no Brasil, promovendo eventos, simpósio temáticos, publicações, relevantes ao escopo dos estudos escandinavos, conta ainda com pesquisadores das mais diversas áreas das humanidades que, por sua vez, oferecem diferentes perspectivas nos debates do grupo.

O Núcleo foi formado no início de 2010 e formalizado durante um evento em São Luís, no estado do Maranhão, estando presente no local alguns jovens pesquisadores que desejavam realizar pesquisas no campo da escandinavística. Os desafios eram claros: ausência de fontes, falta de uma tradição de estudos escandinavos no Brasil e a concentração de pós-graduações e atividades de pesquisa no recorte do medievo em poucas instituições de ensino superior no país.

O grupo se reformulou diversas vezes nesses dez anos, alguns pesquisadores se despediram para seguir seus caminhos em outros laboratórios, outros mudaram seus objetos de estudos, mas o NEVE permaneceu realizando suas atividades. Registrado na Universidade Federal da Paraíba, sob orientação do prof. Dr. Johnni Langer, convidamos os leitores a visitar os marcos de nossas conquistas acadêmicas.

Um dos espaços para as discussões de diferentes tópicos dos estudos escandinavos é o Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos (CEVE). A primeira edição ocorreu na Universidade Federal Fluminense, Campus Gragoatá, e contou com a presença de palestrantes de nove instituições diferentes. Desde então, o encontro passou a ser realizado na Universidade Federal da Paraíba, Campus João Pessoa, se firmando como um dos poucos espaços no debate universitário. Entre as suas várias edições, o Colóquio contou ainda com a presença de especialistas estrangeiros, firmando ainda mais a internacionalização do grupo, que se fez mediante suas publicações e a cooperação de seus membros com institutos e projetos internacionais.



Cartaz do 1º Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos na Universidade Federal Fluminense em 2012, em parceria com o Centro de Estudos Interdisciplinares da Antiguidade - CEIA .





Cartaz do 7º Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos na Universidade Federal da Paraíba em 2019, que contou com o apoio do Lofotr Vikingmuseum e do coletivo Northern Women Arts Collaborative.



Entre os anos de 2012 e 2017, o NEVE publicou um boletim de divulgação científica chamado Notícias Asgardianas (continuação de um projeto homônimo publicado ininterruptamente entre os anos de 2003 e 2007), com artigos curtos, traduções, entrevistas e resenhas sobre as áreas de Mitologia, Religiosidade, Literatura, História, Cultura Material, Iconografia e Arqueologia não só na Era Viking, mas também com seus desdobramentos no imaginário contemporâneo.

Foram publicadas 12 edições do novo Notícias Asgardianas, com dossiês de grandes destaques como “Bruxaria e Feitiçaria Nórdica”, “Runas e Runologia”, “Ritos e Crenças Nórdicas”, “Série Vikings”, etc. Além disso, esse periódico de divulgação científica foi o ensaio do grupo para mais tarde redirecionar seus esforços na organização do Scandia – Journal of Medieval Norse Studies, do qual falaremos adiante. Todos os números podem ser acessados na íntegra através do site do projeto, clique aqui. 

            Durante o período de publicação do Notícias Asgardianas, os membros, sob a liderança do prof. Dr. Johnni Langer, organizaram e publicaram dois dicionários temáticos através da editora Hedra. Com verbetes que contemplam os tópicos debatidos por anos pelos membros do NEVE, esse foi também um projeto que serviu para aproximar o grupo com os seus membros estrangeiros e colaboradores externos.

O Dicionário de Mitologia Nórdica – símbolos, mitos e ritos, foi publicado em 2015 e contou com o prefácio do prof. Dr. Ruy de Oliveira Andrade Filho (UNESP/Assis), a contribuição de vinte e dois membros, distribuído entre as suas mais de quinhentas e oitenta páginas, duzentos e dez verbetes e quarenta ilustrações, além de fartas referências bibliográficas.

            O Dicionário de História e Cultura da Era Viking, publicado em 2018, foi ainda mais ambiciosa; prefaciado pelo prof. Dr. Neil Price (Universidade de Uppsala), com a contribuição de trinta e três autores que elaboraram duzentos e vinte e quatro verbetes ao longo de mais de setecentas e sessenta páginas, fruto não só do amadurecimento do grupo e de seus membros, mas também da expansão dos contatos no Brasil e exterior.



Dicionários de Mitologia Nórdica e de História e de Cultura da Era Viking publicados pela Hedra em 2015 e 2018 respectivamente



            Cada membro do NEVE conta ainda com a sua produção acadêmica expressa em artigos, livros, capítulos de livros, traduções, palestras e entrevistas, ou seja, no meio acadêmico padrão, mas também dialogam com diferentes mídias e audiências, apostando em um modelo de difusão cultural, não se encastelando nas usuais torres de marfim acadêmicas, mas estabelecendo uma ponte de contato quando requisitado. Desse modo os seus membros participam de canais no YouTube, podcasts, matérias em jornais e para a televisão. A conta do NEVE no YouTube, por exemplo, possui alguns milhares de visualizações entre os seus doze vídeos.

Por fim o Scandia – Journal of Medieval Studies, a grande empreitada do grupo que decidiu, em um país sem qualquer tradição de estudos escandinavos, organizar e publicar o primeiro periódico acadêmico totalmente dedicado a esse campo. O primeiro número publicado em 2018 conta com artigos, traduções, resenhas e uma entrevista com um conhecido pesquisador no campo da Religião Nórdica Antiga, Jens Peter Schjødt. No segundo volume, publicado no ano seguinte, 2019, um dossiê dedicado ao tema da Magia e da Religião na Escandinávia Medieval, é possível também notar as contribuições de dois reconhecidos tradutores espanhóis, Luís Lerate de Castro e Mariano González Campo. O terceiro volume teve o seu prazo de submissões adiado para o final de junho e será publicado ainda esse ano.

O Scandia é indexado em diferentes plataformas, com destaque para Norwegian Register for Scientific Journals, Series and Publishers; IBICT/Diadorim; Latindex; WorldCat; German National Library of Science and Technology (TIB)/ Leibniz Universität Hannover; Bibliothekssystem Universität Hamburg; Universitätsbibliothek Leipzig e Biblioteca Central UNAM.

Dez anos de comprometimento acadêmico e de esforços coletivos levados a frente pelos seus pesquisadores, os frutos estão aí para serem colhidos, que venham mais dez anos de trabalho e companheirismo.