O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

quinta-feira, 21 de maio de 2015

INTRODUÇÃO À LITERATURA NÓRDICA MEDIEVAL

A literatura produzida na Escandinávia Medieval é uma das mais ricas e importantes de toda a Europa. Embora as pesquisas literárias constituam um dos campos mais relevantes dos estudos nórdicos, ela ainda é insipiente em nosso país. A seguir elencamos um pequeno guia bibliográfico e analítico para os interessados no tema. Ao início destacamos as obras mais relevantes em inglês e ao final, alguns títulos em português.
 
 
 
Old Norse-Icelandic literature: a short introduction, de Heather O´Donoghue.  London: Wiley-Blackwell, 2004.
Excelente introdução aos estudos literários da Escandinávia Medieval, abrangendo as sagas islandesas, poesia éddica e escáldica, estudos de oralidade e runas, entre outros.
 
 
 
 
A Companion to Old Norse-Icelandic Literature and Culture, editado por Rory Mcturk. London: Blackwell, 2005.
O mais completo e abrangente estudo sobre literatura e cultura nórdica antiga. Especialmente os capítulos sobre poesia éddica (Terry Gunnell), oralidade e literatura (Gísli Sigurdsson) e sagas lendárias (Torfi Tulinius) são imprescindíveis a todos os iniciantes nos estudos nórdicos.
 
 
 
Old Norse-Icelandic literature: a critical guide, editado por Carol Clover e John Lindow. Toronto: University of Toronto Press, 2005.
Prestigiada coletânea organizadas por dois dos mais famosos escandinavistas norte-americanos. Abrange somente seis temas, sendo dois relacionados a mitologia (mitografia e poesia éddica), um sobre poesia escáldica e três sobre sagas islandesas. A revisão bibliográfica fornecida pelos estudos nesta obra ainda é quase insuperável nos estudos nórdicos.
 
 
 
Old Icelandic Literature and society, editado por Margaret Clunies Ross. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
Excelente estudo sobre a relação entre literatura e sociedade nórdica medieval, com vários estudos de caso que se tornaram referência na área (como The conservation and reinterpretation of myth in medieval icelandic writings, de Margaret Ross). É necessário certo conhecimento básico nos estudos de literatura nórdica.
 
 
The Cambridge introduction to the Old Norse Icelandic Saga, de Margaret Clunies Ross. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
Uma das melhores introduções ao estudo das sagas islandesa, apresentando não somente aspectos literários e estilísticos, mas também cronologia, história e composição. A autora também fornece alguns estudos de caso e modelos de análise (advindos da teoria estruturalista) para cada tipo de saga islandesa.
 
 
A history of Old Norse Poetry and Poetics, de Margaret Clunies Ross. Cambridge: D.S. Brewyr, 2005.
Manual teórico e histórico sobre a poesia nórdica medieval, de autoria de uma das mais célebres escandinavistas.
 
 
 
Old Norse Women´s poetry, de Sandra Ballif Straubhaar. London: D.S. Brewer, 2011.
Recente obra que reúne o corpus poético feminino da Escandinávia, da Era Viking ao baixo medievo.


The saga of icelanders: a selection, vários tradutores. London: Penguin, 2000.
Uma das mais populares edições das sagas islandesas, com traduções ao inglês de 10 sagas de família e seis contos.


   
Três sagas islandesas. Curitiba: UFPR, 2007; Saga dos Volsungos. São Paulo: Hedra, 2009; A saga de Gunnlaug língua de serpente. Belo Horizonte: Fino Traço, 2014. Cinco sagas islandesas traduzidas do nórdico antigo ao português por Théo de Borba Moosburger, membro do NEVE. 
 

 
Dicionário de mitologia nórdica. São Paulo: Hedra, 2015.
Obra que apresenta vários verbetes sobre literatura nórdica medieval: Canção das lanças; Edda em Prosa; Edda Poética; Eddica Minora; Eiriksmál; Escaldos, Hákonarmál; Hervor; Heimskringla; Poesia pagã feminina; Ragnarsdrápa; Saga de Frithiof; Sagas islandesas; Saga dos Volsungos; Sagas lendárias; Sagas reais; Tolkien e os mitos nórdicos; Ynglinga saga.



terça-feira, 19 de maio de 2015

MITO E ALIMENTAÇÃO NA ESCANDINÁVIA MEDIEVAL


Banquete no Valhala, Carl Emil Doepler, 1905

Os alimentos são uma das mais importantes fontes para o estudo de uma sociedade no passado, extremamente relacionados a diversos aspectos cotidianos e materiais, econômicos, políticos e culturais. Recentemente, os estudos nórdicos vem incorporando análises no sentido de verificar como os alimentos se relacionam com a esfera do sagrado e da religiosidade e em, especial, com os mitos na área nórdica durante o medievo. No Brasil, a pioneira no estudo da alimentação e da gastroarqueologia nórdica é a pesquisadora Luciana de Campos, que foi convidada a escrever vários verbetes sobre o tema no Dicionário de Mitologia Nórdica, que apresentamos a seguir alguns trechos.

"O consumo de carne de caprinos pelo deus Thor está relatado na Edda Menor de Snorri Stúrluson. Nessa passagem é relatada a visita do deus que está acompanhado por Loki a casa de um camponês: ali ao cair da noite Thor mata os dois bodes que puxam a sua carroça, retira toda a carne e deixa os ossos limpos, mas os cobre com suas peles. Enquanto cozinha a carne, ordena para que ninguém mexa nos ossos e que estes sejam bem vigiados."
Excerto do verbete MITOS ALIMENTARES NÓRDICOS, escrito por Luciana de Campos, p. 313-317.

"Apesar dos excessos e da alcoolização extrema ser a conclusão obrigatória destes banquetes, existia uma ritualização na forma de beber (drykkja) e de como beber. Geralmente se bebia por rodadas (sveitardrykkja), devendo cada um passar o corno ou taça para seu vizinho (situação obrigatória para os guerreiros)."
Excerto do verbete BANQUETES RITUAIS DA ERA VIKING, escrito por Luciana de Campos, p. 57-59.

"O vinho era considerado a única bebida que Odin consumia (Grimnismál 19) e o hidromel era associado a festas no mundo dos deuses (o banquete de Égir, Lokasenna 1-65; a cuba mágica dos einherjar, Gylfaginning 38) e também a poesia e ao próprio Odin (Skáldskaparmál 1)."
 Excerto do verbete BEBIDAS SAGRADAS NÓRDICAS, escrito por Luciana de Campos, p. 63-64.


"A maioria das ervas possuía um duplo uso: medicinal e culinário, pois sua utilização como tempero era apreciada por conferir um melhor aos alimentos e também eram utilizados como conservantes dos alimentos. O uso medicinal das ervas da culinária pode ser comprovado tanto pela cultura material e também pela literatura."
Excerto do verbete PLANTAS MÁGICAS, escrito por Luciana de Campos, p. 373-377.
  

"Bebida mitológica conhecida como skáldskapar mjaðar (hidromel poético) ou Suttungmjaðar (hidromel de Suttung), pela qual todos aqueles que a bebem tornam-se capazes de recitar poesia e resolver questões gnômicas ou intelectuais. A bebida é considerada uma metáfora para a inspiração poética e é associada com Odin. Como outras preciosidades, o hidromel poético foi confeccionado pelos anões e obtido pelos ases através dos gigantes."
Excerto do verbete HIDROMEL DA POESIA, p. 247-250.

Cenas de experimentos em gastroarqueologia nórdica, realizados na Islândia