O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Registrado no CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

domingo, 23 de abril de 2017

Uma introdução ao mito do Ragnarök


 

                                                        Leandro Vilar Oliveira

Doutorando em Ciências das Religiões pela UFPB

Membro do NEVE

 

Devido à popularidade da mitologia nórdica e da história da Era Viking atualmente no cinema, na televisão, na literatura e nos videogames, muita gente que até então desconhecia os mitos, ou conhecia pouco a respeito, passou a se interessar mais pelo assunto. No intuito de prestar um favor aos leitores de primeira viagem que pouco conhecem a respeito do universo fantástico dos mitos nórdicos, esse texto se prestou no intuito de apresentar de forma simples e direta o que seria o mito do Ragnarök, que voltou a ficar em evidência atualmente.

 

O que é o Ragnarök?

O Ragnarök trata-se de um mito de origem nórdica, referente aos povos da Escandinávia medieval. Neste caso, as populações que hoje compreendem os atuais territórios da Dinamarca, Noruega, Suécia e Islândia. Na Idade Média, entre os séculos V e XI, nos chamados Período Vendel (V-VIII) e Era Viking (VIII-XI), os mitos nórdicos se encontravam em vivência, entendendo aqui a condição de eles serem contados, aprendidos, recontados, vivenciados, debatidos, acreditados, etc.

Neste caso, o Ragnarök consistia num mito escatológico, sendo a escatologia a doutrina que se refere a acontecimentos futuros, num período não especificado de tempo, no qual ocorrerão acontecimentos catastróficos que mudarão profundamente o mundo da forma como conhecemos. Pelo senso comum as narrativas escatológicas costumam ser interpretadas como o “fim do mundo” ou “fim dos tempos”, porém, não se trata de uma ideia de fim propriamente, mas de finalidade para algo. Geralmente dizem respeito a um período de mudanças. No caso, a escatologia é encontrada não apenas na mitologia, mas nas religiões também.

 
Em algumas religiões monoteístas como o Judaísmo, Cristianismo, Islã e o Zoroastrismo existem profecias escatológicas, mas relacionadas com a expectativa de salvação eterna, as quais apresentam a promessa de que a humanidade será libertada do sofrimento e da maldade, desde que sejam bons e se arrependam de seus pecados.

Porém, existem também narrativas escatológicas que não abordam a salvação eterna, mas dizem respeito à restauração da ordem universal, o inaugurar de uma nova era, longe dos problemas e máculas anteriores. Tal perspectiva é vista entre os hindus, budistas, maias, hopis, nórdicos, etc.

 
O que significa o termo Ragnarök?

Ainda hoje é comum ler que Ragnarök, palavra do nórdico antigo que significaria “Crepúsculo dos Deuses”, porém, tal interpretação entre os mitólogos e demais estudiosos do assunto se encontra em baixa. A ideia de que o Ragnarök estaria relacionado a uma espécie de “crepúsculo” surgiu com o famoso compositor, maestro, ensaísta e diretor de teatro alemão Richard Wagner (1813-1883), principalmente conhecido por algumas de suas óperas pautadas na mitologia germano-escandinava.

 
Em especial encontra-se a ópera O Anel dos Nibelungos (Der Ring des Nibelugen), dividida em quatro partes foi um dos trabalhos da sua vida, pois Wagner levou mais de vinte anos para concluí-la. Todavia, a influência de Wagner para a definição de Ragnarök se encontra na quarta parte de sua ópera, intitulada Crepúsculo dos Deuses (Götterdämmerung), concluída em 1874. Apesar da ópera Crepúsculo dos Deuses ser levemente inspirada no Ragnarök, à história é bem diferente, ainda assim, o título em alemão Götterdämmerung, acabou por influenciar mitólogos, escritores, artistas, jornalistas, historiadores, etc. (Figura 1).

 


 
Figura 1: Ilustração de Max Brückner para o ato final da ópera Götterdämmerung, o qual se refere ao incêndio que consome Valhala. 1894.

Hoje em dia o conceito de Ragnarök já possui distintas interpretações: alguns adotam a expressão “julgamento dos deuses”, “julgamento dos poderes”, “destino dos poderes”, “destino dos deuses", “consumação dos poderes antigos”, etc. Para os mitólogos do século XX e XXI, Ragnarök seria referência a deuses ou poderes (divinos), mas não um crepúsculo, mas uma ideia de julgamento e destino. A hipótese de destino é mais próxima do mito, pois como veremos adiante, trata-se de uma profecia escatológica que está destinada a ser cumprida e é inevitável. Entretanto, a hipótese de julgamento é problemática, pois o Ragnarök não se assemelha a concepção de um “juízo final”, pois não há julgamento.
 

As fontes escritas:

As fontes escritas para se ler a narrativa do Ragnarök encontram-se nas Eddas, obras escritas em islandês medieval, as duas principais obras que versam sobre a mitologia nórdica, sendo composta de dois livros que possuem relações entre si, já que os manuscritos mais antigos conhecidos datam do mesmo século, além de que a narrativa da segunda Edda foi pautada em alguns poemas da primeira Edda.

 
O primeiro livro é chamado de Edda Poética, Edda Velha, Edda Maior, Saemund Edda, etc., consiste numa coletânea de poemas de autoria desconhecida, os quais foram reunidos num manuscrito em fins do século XIII, por volta da década de 1270, na Islândia. Hoje conhecido em termos de indexação como o manuscrito Codex Regius ou GKS 2365 4to. As atuais edições da Edda Poética são formadas por duas partes, totalizando 38 poemas: o Ciclo Mitológico, o qual traz 16 poemas relacionados aos deuses; e o Ciclo Heroico, que se refere a 22 poemas que narram histórias de heróis. (Figura 2).

 


Figura 2: Fotografia do Codex Regius que contém o manuscrito mais antigo conhecido da Edda Poética.

Neste caso para se estudar o Ragnarök, nos interessa o Ciclo Mitológico, em especial os seguintes poemas: o Völuspá (A profecia da Advinha) e o Vaftrudnismál (Os ditos de Vafthrúdnir), os quais consistem nos poemas com o maior número de relatos ao Ragnarök.

 
O Völuspá consiste numa narrativa na qual Odin, interessado em conhecer mais a respeito sobre o passado e o futuro, ressuscita uma völva (advinha, vidente), que responde as perguntas do Pai de Todos (Allföd). O Völuspá neste caso é um poema cosmogônico, teogônico, antropogônico e escatológico, pois em seus 66 versos, ele narra a origem do universo, dos deuses e gigantes, de alguns monstros, da humanidade até terminar com os eventos pós-Ragnarök.

 
No caso do Vaftrudnismál, novamente Odin está à procura de conhecimento. A narrativa se inicia com o rei dos deuses conversando com sua esposa a deusa Frigga. Em meio à conversa ele decide procurar o velho e sábio gigante Vafthrúdnir, a quem dizem saber muito a respeito dos mistérios do mundo. O poema consiste numa diálogo gnóstico no qual o deus e o gigante conversam sobre o universo, o mundo, a vida, a natureza, o passado, o futuro, etc. (Figura 3)

 


Figura 3: Cena do poema Vaftrudnismál, representando Odin e Vafthrúdnir durante sua conversa gnóstica. Ilustração de Lorenz Frølich, 1895.

 
Mas além destes dois poemas, outros que contem breves menções ao mito do Ragnarök, são o Baldrs Draumar (Sonho de Balder) e o Lokasenna (Escárnios de Loki). No Baldrs Draumar, o amado deus Balder está tendo pesadelos que assinalam sua possível morte. Odin preocupado com o filho viaja a Hel, a fim de consultar uma vidente a respeito da interpretação dos sonhos (onirologia) de seu filho. No Ragnarök a morte de Balder é uma das profecias para desencadear a guerra final.

 
Por sua vez, o poema Lokasenna narra o conturbado banquete ocorrido na casa do gigante Égil, o qual convidou os deuses e os elfos, e durante esse banquete Loki se pôs a afrontar, insultar e debochar dos deuses. Em determinados momentos há referências à morte de Balder e o vindouro Ragnarök.

 
No que se refere à segunda Edda, essa é conhecida como Edda em Prosa, Edda Menor, Edda de Snorri, Edda Jovem, etc. Também escrita no século XIII, sua autoria é creditada ao poeta e orador das leis Snorri Sturluson (1179-1241), suposto autor de outros trabalhos como a Heimskringla. Snorri teria escrito seu livro na década de 1220, porém, os manuscritos conhecidos datam dos séculos XIII, XIV e XV. (Figura 4).

 


Figura 4: Capa de uma versão da Edda em Prosa do século XVIII, conhecida como manuscrito IB 299 4to, depositado no Icelandic National Library.

 
São conhecidos quatro manuscritos da Edda em Prosa, identificados como Codex Upsaliensis (o único que contém o nome de Snorri como sendo o autor, e o mais antigo dos manuscritos), o Codex Trajectinus, o Codex Wormianus e o Codex Konungsbunus. Cada um destes manuscritos possuem algumas variações no texto, mas não chegam ser tão marcantes para alterar a narrativa em si.

 
A Edda em Prosa é dividida em quatro partes: o prólogo, o qual alguns consideram ter sido um acréscimo posterior, pois sua linguagem é diferente do restante da obra, apresentando um pensamento evemerista e cristão do mundo, no qual considerava que os deuses nórdicos eram falsas divindades, tendo na verdade sido reis advindos de Troia, que migraram para o norte da Europa, e com o tempo se tornaram mitos.

 A segunda parte que é a mais importa é chamada de Gylfaginning (Alucinações de Gylfi), que a partir de uma conversa entre o rei Gylfi e três reis (que na verdade trata-se de Odin disfarçado), Gylfi indaga a essas misteriosas figuras acerca da história do mundo, com isso, cada um dos reis lhe narra a origem do universo até o fim do Ragnarök. O Gylfaginning consiste numa adaptação de vários mitos vistos também na Edda Poética, numa narrativa coesa e contínua. Não obstante, há algumas narrativas mitológicas que estão apenas presentes na obra de Snorri, além de que algumas informações e detalhes também são exclusivos de seu livro.

A terceira parte é o Skáldskaparmál (Linguagem da Poesia), que consiste num diálogo entre o gigante Égil e Bragi, o deus da poesia. Snorri como era um poeta, ele procurou escrever uma espécie de manual de poesia para instruir os novos poetas (skald) a como compor poesia de base mitológica, daí ele apresenta no Skáldskaparmál e na quarta parte, o Háttatal (“Lista de versos”) instruções sobre métrica, rimas, composições, etc.

 
Nomenclatura:

Para situar alguns leitores acerca do nome de deuses, monstros e lugares que estão relacionados ao mito do Ragnarök, aqui segue uma breve nomenclatura, com dados básicos.

·         Balder: filho de Odin e Frigga. Deus conhecido por ser belo, inteligente, justo, honrado e sábio. É admirado pelos deuses. Sua importância é somente encontrada nos mitos.

·         Bifrost: ponte em forma de arco-íris que conecta Asgard (terra dos deuses) a Midgard (terra dos homens).

·         Fenrir: o lobo gigante filho de Loki e Angrboda.

·         Freyr: filho de Njörd e irmão gêmeo de Freyja. Freyr é o deus da caça e da fertilidade.

·         Garm: o cão de guarda de Hel.

·         Heimdall: deus que guarda Asgard e sentinela da Bifrost.

·         Hel: Filha de Loki e Angrboda. É a deusa dos mortos que vão para Hel.

·         Hoder: filho de Odin e Frigga. É o deus cego.

·         Hrymir: gigante que comandará os exércitos de Jotunheim (terra dos gigantes).

·         Jormungand: a Serpente de Midgard, colossal criatura que habita os mares, circundando o mundo. É um dos três filhos monstruosos de Loki e Angrboda.

·         Loki: o trickster da mitologia nórdica. É um gigante que vive entre os deuses, que ora os ajuda ou ora os atrapalha e causa problemas.

·         Mimir: gigante conhecido por sua sabedoria. Foi morto por Odin, porém, o deus lhe cortou sua cabeça e lhe concedeu vida, para que assim pudesse conversar com Mimir e tomar conselhos.

·         Modi e Magni: filhos de Thor. Magni é filho de Thor e a giganta Járnsaxa, porém, se desconhece a mãe de Modi.

·         Nagflar: navio feito com as unhas dos mortos.

·         Odin: rei dos deuses, senhor da guerra, um dos deuses dos mortos. Odin também está relacionado com a sabedoria e o conhecimento rúnico.

·         Sól e Mani: deuses que representam o Sol e a Lua.

·         Skoll e Hati: lobos gigantes filhos de Fenrir.

·         Surt: gigante de fogo, senhor de Mulspelheim.

·         Thor: filho de Odin e Jörd. É o deus do trovão, raios, tempestades e chuvas. Campeão dos deuses e protetor dos homens.

·         Tyr: deus da guerra (apesar de que Odin e Thor tivessem mais significância religiosa para a guerra do que ele). Conhecido por sua bravura e honra. Perdeu a mão direita para Fenrir.

·         Valhala: literalmente o “salão dos mortos”, é um dos salões de Asgard, morada de Odin, e para onde vão os bravos guerreiros que faleceram em combate.

·         Vali: filho de Odin e Rindi. Deus de pouca expressividade na mitologia.

·         Vidar: filho de Odin e Frigga, conhecido por sua força e impetuosidade. Possui pouca relevância nos mitos e nenhuma conhecida na religião.

·         Vigrid: planície na qual ocorrerá a grande batalha do Ragnarök.

·         Yggdrasil: árvore que sustenta o mundo. Personifica a árvore da vida, a árvore cósmica.

 
Esquematização do mito:

A narrativa do Ragnarök pode ser dividida em três partes: na primeira, temos as profecias e o cumprimento destas, as quais desencadeariam a grande guerra; na segunda, temos a marcha dos exércitos e o relato sobre a Batalha de Vigrid, onde deuses, gigantes, monstros e os homens lutariam; na terceira, a descrição dos acontecimentos após o término da guerra. Com base nessa divisão vejamos um resumo da narrativa, apresentando aqui uma mescla dos relatos contidos no Völuspá e no Gylfaginning, assinalando que ambos apesar de possuírem semelhanças, ainda assim, eles possuem diferenças também, inclusive.

 
1.      As profecias. Não existe uma ordem propriamente nas profecias. Inclusive Snorri ao tentar sistematiza-las, não incluiu algumas delas em seu relato.

a.      Morte de Balder tramada por Loki, e executada ingenuamente por Hoder, o deus cego. (Völuspá 33; Gylfaginning 49).

 


Figura 5: A morte de Balder. Christoffer Wilhelm Eckersberg, 1816.

 

b.      Skoll e Hati finalmente devorarão o sol e a lua, deixando o mundo em profunda escuridão. (Völuspá 40; Vaftrúdnismál 45-46; Grimnismál 39; Gylfaginning 51).

c.       O cantar de três galos: o galo de madeira (Fjalar) do gigante Eggther; o galo dourado (Gollinkambi) em Valhala e o galo vermelho-ferrugem em Hel. (Völuspá 42, 43).

d.      Garm, o cão de guarda de Hel, quebrará sua corrente e participará da batalha final. (Völuspá 44, 49, 58).

e.       O Ragnarök ocorrerá na Era dos Lobos (Vargöld), uma alusão aos lobos Skoll e Hati que perseguem os deuses Sól (Sol) e Mani (Lua). Todavia, no poema Völuspá se menciona que a Era dos Lobos será precedida de outras três épocas: a Era dos Machados (Skeggjöld), a Era das Espadas (Skalmöld) e a Era dos Ventos (Vindöld). Essas três eras seriam marcadas por guerras, desordem, depravação, imoralidade, etc., seriam tempos difíceis e severos. (Völuspá 45, Gylfaginning 51).

f.       Ocorrência de um longo inverno que duraria três anos seguidos, chamado de Fimbulvertr (“longo inverno”). (Vaftrúdnismál 44; Gylfaginning 51).

g.      Prisão de Loki. No Lokasenna a prisão não tem relação direta com o Ragnarök, mas na Edda em prosa Snorri relatou que os deuses ao descobrirem que Loki era responsável pela morte de Balder, ele foi aprisionado por causa disso, vindo a se libertar apenas no Ragnarök. (Gylfaginning 50).

 



Figura 6: Loki and Sigyn. Mårten Eskil Winge, 1863.

 

2.      Marcha dos exércitos e a batalha: Apesar de se tratar de uma guerra, os relatos mitológicos não a descrevem propriamente, apenas mencionam certas particularidades, embora Snorri procurou fornecer mais informações sobre esse conflito final.

a.       Os elfos estarão atônitos, os anões chorarão diante de suas portas de pedra, os gigantes começaram a marchar, e os deuses se reunirão em conselho de guerra. (Völuspá 48; Gylfaginning 51).

b.      O gigante Hrymir comandará o navio Nagflar. (Völuspá 50; Gylfaginning 51).

c.       Loki liderará o exército dos mortos de Hel, vindo do Norte. (Völuspá 51, Gylfaginning 51).

d.      Fuga de Fenrir, o qual rasgará o céu com suas presas. (Gylfaginning 51).

e.       A Serpente de Midgard sairá do mar, causando maremotos, inundações e cuspindo veneno sobre o mundo. (Gylfaginning 51).

f.       Surt liderará os filhos de Muspell, vindos do Sul, indo para o campo de Vigrid. (Völuspá 52; Gylfaginning 51).

g.      Heimdall soprará sua corneta Gjallarhorn, anunciando a vinda dos gigantes. (Völuspá 46; Gylfaginning 51).

h.      Odin visitará o Poço de Mimir para tomar conselhos antes de ir à guerra. (Völuspá 47; Gylfaginning 51).

i.        Odin cavalgará a frente do exército de Valhala. (Gylfaginning 51).

j.        Odin lutará contra Fenrir, mas será morto. (Völuspá 53; Gylfaginning 51).

 


Figura 7: Battle of the Doomed Gods. Friedrich Wilhelm Heine, 1882. Na imagem podemos ver Odin contra Fenrir, Thor contra Jormungand, Freyr contra Surt, entre outros guerreiros.

 

k.      Vidar lutará contra Fenrir, matando o lobo e vingando o pai. (Völuspá 54; Gylfaginning 51).

l.        Thor lutará contra Jormungand. Apesar de conseguir matar a colossal serpente, acabará morrendo devido ao veneno desta. (Völuspá 55-56; Gylfaginning 51).

m.    Freyr lutará contra Surt, mas acabará sendo morto. (Gylfaginning 51).

n.      Garm lutará contra Tyr, ambos morrerão. (Gylfaginning 51).

o.      Loki e Heimdall lutarão e ambos se matarão. (Gylfaginning 51).

p.      Surt destruirá a ponte Bifrost e com sua espada flamejante, incendiará o céu. (Gylfaginning 51).

q.      O mundo continuará em trevas, as estrelas cairão do céu, toda a vida morrerá, e as chamas arderão. (Völuspá 57; Gylfaginning 51).

 

3.      A renovação do mundo:

a.       O mundo se regenera das catástrofes ocorridas. As águas baixarão, as plantas voltarão a crescer, as águias voltarão a pescar entre os penhascos, etc. (Völuspá 59-62; Gylfaginning 53).

b.      Os deuses sobreviventes se reunirão em Idavoll para deliberar acerca do novo mundo. (Völuspá 60).

c.       Gimlé, Brimir e Sindri serão novas moradas celestes. (Völuspá 64; Gylfaginning 52).

d.      Balder e Hoder retornarão de Hel. Balder se tornará o novo rei dos deuses. (Völuspá 62; Gylfaginning 53).

e.       Vidar e Vali sobreviverão. Modi e Magni também sobreviverão e herdarão o Mjölnir. (Gylfaginning 53).

f.       Escondidos em Hoddmimis, em algum lugar da base da Yggdrasil, estavam um casal de humanos chamados Lif e Lifthrasir, os quais sobreviverão à destruição do mundo causada por Surt. Consistindo nos únicos humanos a terem sobrevivido. (Gylfaginning 53). (Figura 8).

g.      A filha da deusa Sól, tornara-se o novo sol a iluminar o mundo. (Gylfaginning 53).

 


Figura 8: Lif e Lifthrasir, o casal de humanos sobrevivente ao Ragnarök, segundo a Edda em Prosa. Ilustração de Lorenz Frølich, 1895.

 

Referências:

 

Fontes:

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