O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


terça-feira, 19 de maio de 2015

MITO E ALIMENTAÇÃO NA ESCANDINÁVIA MEDIEVAL


Banquete no Valhala, Carl Emil Doepler, 1905

Os alimentos são uma das mais importantes fontes para o estudo de uma sociedade no passado, extremamente relacionados a diversos aspectos cotidianos e materiais, econômicos, políticos e culturais. Recentemente, os estudos nórdicos vem incorporando análises no sentido de verificar como os alimentos se relacionam com a esfera do sagrado e da religiosidade e em, especial, com os mitos na área nórdica durante o medievo. No Brasil, a pioneira no estudo da alimentação e da gastroarqueologia nórdica é a pesquisadora Luciana de Campos, que foi convidada a escrever vários verbetes sobre o tema no Dicionário de Mitologia Nórdica, que apresentamos a seguir alguns trechos.

"O consumo de carne de caprinos pelo deus Thor está relatado na Edda Menor de Snorri Stúrluson. Nessa passagem é relatada a visita do deus que está acompanhado por Loki a casa de um camponês: ali ao cair da noite Thor mata os dois bodes que puxam a sua carroça, retira toda a carne e deixa os ossos limpos, mas os cobre com suas peles. Enquanto cozinha a carne, ordena para que ninguém mexa nos ossos e que estes sejam bem vigiados."
Excerto do verbete MITOS ALIMENTARES NÓRDICOS, escrito por Luciana de Campos, p. 313-317.

"Apesar dos excessos e da alcoolização extrema ser a conclusão obrigatória destes banquetes, existia uma ritualização na forma de beber (drykkja) e de como beber. Geralmente se bebia por rodadas (sveitardrykkja), devendo cada um passar o corno ou taça para seu vizinho (situação obrigatória para os guerreiros)."
Excerto do verbete BANQUETES RITUAIS DA ERA VIKING, escrito por Luciana de Campos, p. 57-59.

"O vinho era considerado a única bebida que Odin consumia (Grimnismál 19) e o hidromel era associado a festas no mundo dos deuses (o banquete de Égir, Lokasenna 1-65; a cuba mágica dos einherjar, Gylfaginning 38) e também a poesia e ao próprio Odin (Skáldskaparmál 1)."
 Excerto do verbete BEBIDAS SAGRADAS NÓRDICAS, escrito por Luciana de Campos, p. 63-64.


"A maioria das ervas possuía um duplo uso: medicinal e culinário, pois sua utilização como tempero era apreciada por conferir um melhor aos alimentos e também eram utilizados como conservantes dos alimentos. O uso medicinal das ervas da culinária pode ser comprovado tanto pela cultura material e também pela literatura."
Excerto do verbete PLANTAS MÁGICAS, escrito por Luciana de Campos, p. 373-377.
  

"Bebida mitológica conhecida como skáldskapar mjaðar (hidromel poético) ou Suttungmjaðar (hidromel de Suttung), pela qual todos aqueles que a bebem tornam-se capazes de recitar poesia e resolver questões gnômicas ou intelectuais. A bebida é considerada uma metáfora para a inspiração poética e é associada com Odin. Como outras preciosidades, o hidromel poético foi confeccionado pelos anões e obtido pelos ases através dos gigantes."
Excerto do verbete HIDROMEL DA POESIA, p. 247-250.

Cenas de experimentos em gastroarqueologia nórdica, realizados na Islândia