O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


sábado, 20 de dezembro de 2014

CALL FOR PAPERS: MITO E MITOLOGIA NAS SOCIEDADES ANTIGAS E MEDIEVAIS



Call for Papers – 2015/1 – Revista Roda da Fortuna

Mito e Mitologia nas sociedades Antiga e Medieval

Há mais de três décadas, o historiador Paul Veyne intitulou de forma interrogativa um de seus livros sobre o mundo antigo: Les Grecs ont-ils cru à leurs mythes? Após estudar as fontes disponíveis, o autor chegou à conclusão de que, embora a partir do século VI a.C. os pensadores gregos não tenham mais interpretado os mitos de forma literal, estes não foram abandonados, pois carregavam uma importância pedagógica singular e contribuíam para “explicar o inexplicável”.[1]
De fato, por milênios as narrativas míticas criadas pelas civilizações ao redor do mundo buscaram esclarecer a origem do universo, transmitir valores e exemplos, construir identidades, etc. Durante a Idade Média, como demonstraram Jean-Claude Schmitt e Hilário Franco Júnior, o próprio cristianismo apresentava todas as facetas de uma mitologia, ainda que procurasse se preservar de ser encarado dessa forma, já que contava uma “história santa”.[2]
Atualmente, o termo “mito” é entendido tanto no sentido de “ficção” quanto naquele reconhecido especialmente entre os sociólogos, etnólogos e historiadores das religiões, de “tradição sagrada, revelação primordial, modelo exemplar”, como afirmou Mircea Eliade.[3] Com o surgimento da ciência mitológica, as apreciações valorativas foram ultrapassadas e os mitos deixaram de ser percebidos como histórias sem sentido, do contrário ninguém teria acreditado neles. Em razão de sua vigorosa resistência, o mito também pode ser acompanhado na “longa duração” (longue durée) histórica.
O presente Dossiê (2015/1) da Revista Roda da Fortuna tem o propósito de aglutinar as múltiplas manifestações do pensamento mítico nas sociedades antiga e medieval. Entre as possibilidades de pesquisa do mito podemos mencionar a análise de suas expressões (messiânica, escatológica, etiológica, hierofânica...), simbologias, permanências e atualizações na “longa duração”, etc.

Os prazos para o envio de artigos, resenhas, entrevistas e traduções são:
- envio de propostas: até 30/04/2015
- aceite dos trabalhos: junho de 2015
- publicação do Dossiê: julho de 2015
As propostas devem ser enviadas para o e-mail: revistarodadafortuna@gmail.com


Atenciosamente,
Guilherme Queiroz de Souza
Editor-Chefe (2015/1)


Referências:

[1] VEYNE, Paul. Les Grecs ont-ils cru à leurs mythes? Paris: Le Seuil, 1983.
[2] SCHMITT, Jean-Claude. Problèmes du mythe dans l’Occident médiéval. Razo. Cahiers du Centre d'Études Médiévales de Nice, vol. 8, 1988, p. 03-17; FRANCO JÚNIOR, Hilário. Cristianismo medieval e mitologia: reflexões sobre um problema historiográfico. In: A Eva Barbada. Ensaios de Mitologia Medieval. São Paulo: EDUSP, 1996, p. 45-70.
[3] ELIADE, Mircea. Myth and Reality. Prospect Heights, IL: Waveland Press, 1998, p. 01.