O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


sexta-feira, 22 de junho de 2018

Recriando a cerâmica da Era Viking


 
 
Recriando a cerâmica da Era Viking: uma atividade  em Arqueologia experimental.

 Profa. Dra. Luciana de Campos
Pós-doutoranda em Educação pela UFPB
NEVE/Northern Women Arts Collaborative
 
Nos últimos vinte anos foi crescente o número de pesquisadores que se dedicaram a desenvolver atividades em diversos centros de estudos que envolvem a Arqueologia experimental. Essas atividades muitas vezes contam com a colaboração de leigos que, mesmo não estando ligados a nenhum centro de pesquisa envolvem-se nos experimentos graças ao contato estreito com os pesquisadores, leituras de publicações e estudos da área, proporcionando assim uma interatividade onde todos os envolvidos são beneficiados.
Em Dublin (Irlanda), no campus da University College Dublin há a o Centro de Arqueologia Experimental e Cultura Material da Escola de Arqueologia que se dedica à pesquisa experimental tanto no ensino de graduação como de pós-graduação. No espaço do campus universitário são reconstituídos não só elementos da cultura material da Idade do Bronze e do Ferro (incluindo a Era Viking) tais como copos, pontas de lanças, mas também casas, utensílios agrícolas e até pequenos campos arados. O espaço é dirigido pelo PhD Aidan O’Sullivan e conta com a colaboração de outros pesquisadores como a Dra. Aoife Daly (Universidade de Copenhagen, Dinamarca), uma das maiores referências mundiais em dendrocronologia.
Além de contar com a colaboração de pesquisadores renomados, o Centro de Arqueologia Experimental da UCD mantém parceiras com o grupo recriacionista escandinavo “Hands on History” e um dos seus integrantes é um mestre egresso do programa de pós-graduação em Arqueologia experimental.Incentivando a parceira entre pesquisadores e entusiastas o Centro procura mostrar como a Aqueologia experimental é uma ferramenta útil para o processo ensino-aprendizado de crianças e jovens em idade escolar e, também é importante para a divulgação das pesquisas, abrindo suas portas para todos os interessados, mostrando que o conhecimento é para todos, sem distinções - como infelizmente ainda podemos observar em alguns centros de pesquisas do Brasil, que se fecham para os interessados mas que  não possuem vínculos ou títulos acadêmicos.
Uma experiência com a Arqueologia experimental que se concentrou na reconstituição de potes e utensílios da Era Viking foi realizada no início de junho em uma propriedade em Nuanda, no estado de Nova York e foi conduzida por arqueólogos experimentais amadores que contando com a sua experiência, anos de estudo e o apoio de pesquisadores conseguiram com sucesso, reconstituir peças cerâmicas da Era Viking.
Utilizando materiais semelhantes aos que eram usados na Era Viking, como madeira, palha e estrume, Andrea Glass, Thorsol Solinauga, e Gail Hope Kellog trabalharam durantes alguns dias confeccionando as peças em argila, pratos, copos e terrinas e, depois aplicaram resina vegetal em casa uma antes de leva-las para a queima. Para o forno que abrigaria as peças, foi aberta uma cova que foi forrada com madeira e selada com argila para reter ainda mais o calor. No “leito” da cova foi espalhado o carvão e o estrume e, logo depois foi colocada a lenha e as peças foram cuidadosamente cheias com palha e madeira e foram justapostas e, depois cobertas com mais madeira a fim de que o calor do fogo queimassem cada peça por todos os lados. O fogo eram constantemente alimentado para que a temperatura se mantivesse a mesma por muitas horas a fim de que todas as peças fossem cozidas. O processo de queima levou mais de doze horas e, assim que o fogo deixou de ser alimentado as brasas foram esfriadas naturalmente e foram mais dois dias para isso pois se a temperatura fosse baixada com qualquer tipo de resfriamento artificial as peças se quebrariam.
Um vídeo de vinte e cinco minutos foi feito sobre essa experiência bem sucedida de reconstituição de cerâmica da Era Viking mostrando que leigos quando estão em parceria séria e comprometida com acadêmicos igualmente sérios conseguem reproduzir os mais variados artefatos, utilizando técnicas e materiais que são semelhantes àqueles utilizados na Era Viking.
Este experimento mostra que atividades como a Arqueologia experimental pode fazer parte de uma nova proposta de Educação museológica, onde a teoria e a prática estão aliadas e concede espaço e visibilidade aos recconstrucionistas sérios e comprometidos que trabalham para que a pesquisa científica desenvolvida em laboratórios e universidades extrapolem seus muros e se tornem, cada dia mais presentes no cotidiano de todos.
 
Vídeo: Viking Pottery Pit Firing


 
 
 
Site do grupo recriacionista Hands on History.