O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative e
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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

NJÁLS SAGA É TEMA DE MESTRADO NA UECE


José Lucas Cordeiro Fernandes, membro do NEVE, acaba de defender o seu mestrado em História pela UECE: IN SORTE DIABOLI: CULTURA ESCRITA E A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO DE DEMONIZAÇÃO DO PAGÃO NA BRENNU-NJÁLS SAGA (SÉC. XIII).

A pesquisa teve como orientador o professor Dr. Gleudson Passos Cardoso e como componentes da banca de defesa: Prof. Dr. Tito Barros Leal de Pontes Medeiros (UVA) e Profa. Dra. Valéria Aparecida Alves (UECE).
A defesa foi realizada no Auditório do Mestrado Acadêmico em História da UECE no dia 16/08/2016 às 9h.
  
RESUMO
Este presente trabalho busca analisar através da compreensão da cultura escrita da Islândia medieval, o processo de construção do imaginário de demonização do pagão, focando nas representações literárias postas na Brennu-Njáls saga (séc. XIII). Analisamos, como as três fases do processo de cristianização da Escandinávia, penetram paulatinamente nos regimes da sociedade, ao ponto da literatura se tornar um instrumento de consolidação e ampliação do Cristianismo, possibilitando também uma nova dinâmica no âmbito da cultura escrita, culminando no surgimento das sagas de islandeses – Íslendingasögur. Logo, vemos como estas narrativas literárias produzidas na terceira e última fase da cristianização (c. séc. XII-XIV) vão estar arraigadas de uma ótica cristã em seu texto, que buscavam subverter a moral pagã e demonizar os sujeitos de fé antagônica a cristã. Neste sentido, vemos o jogo com o passado, onde essas narrativas produzidas entre os séculos XII e XIV, exploram narrar elementos ocorridos nas duas primeiras fases da cristianização, ou seja, entre os séculos IX e XI. Tal elemento permite que possamos ver como uma ótica cristã busca remodelar o passado ocorrido dentro de uma narrativa literária, buscando construir uma representação coletiva, portanto, um imaginário, que favorecesse o cristão, usando por muitas vezes uma demonização do pagão, uma destruição de sua moral, um destronamento de seus deuses, assim como uma derrota nas “disputas mágicas” feitas por estas crenças em disputa. Logo, temos um cenário de análise que busca compreender a formação de um imaginário dentro de uma narrativa literária como instrumento do Cristianismo para se efetivar na região da Escandinávia e especialmente da Islândia, tudo girando em torno das mudanças no cenário da cultura escrita. Nossa investigação vai em busca destes pontos, ao analisar a formação cultural da Escandinávia e da Islândia, assim como seu processo de cristianização e seus elementos para efetivar tal dominância, mudanças e composições do mundo escrito e seus artefatos culturais, para por fim, nos debruçarmos na análise de caso que demonstra em via objetiva a composição no jogo narrativístico que o autor cristão usa, jogando entre passado e presente. Logo, concluímos, juntamente com auxílio do aporte da História Cultural, do método da Nova Escandinavística e da Cultura Escrita, que a força literária modela o imaginário, auxilia na condenação do pagão e aumenta as fímbrias do Cristianismo.
Palavras-Chave: Sagas de Islandeses. Cultura Escrita. Demonização.  



ABSTRACT
This essay aims to analyze through the understanding of the writing of Iceland medieval culture, the process of imagination construction by demonization of what is pagan, focusing on literary representations displayed in Brennu-Njáls saga (XIIIth century). We analyzed how the three phases of Scandinavia Christianization process, gradually penetrate in society schemes, to the point of literature becoming a Christianity's consolidation and expansion tool, also making a new dynamic in the written culture possible, culminating in the emergence of Icelanders' sagas - Íslendingasögur. Therefore we see how these literary narratives produced in the third and final phase of Christianization (between XIIth XIVth centuries) will be rooted in a Christian perspective in its text, which sought to subvert the pagan moral and demonize subjects with antagonistic faiths or creeds to Christian's. In this sense, we see the playing with the past where these narratives produced between the twelfth and fourteenth centuries explore narrating elements occurring in the first two phases of Christianization, ie, between centuries IX and XI. Such element allows us to see how a Christian perspective seeks to reshape the past occurred within a literary narrative, seeking to build a collective representation, an imaginarium, favoring Christians, by often using the demonization of paganism to destroy their morals, dethrone their gods and defeat them in the "magic disputes" made by these disputing beliefs. So we have a scenario analysis that seeks to understand the formation of an imaginary in a literary narrative as Christianity's instrument to be effectively implanted in the Scandinavian region and especially Iceland, all revolving around the changes in the writing culture scene. Our research goes in search of these points when analyzing the cultural background of Scandinavia and Iceland, as well as the process of Christianization and its elements to effect such dominance, changes and compositions of the written word and its cultural artifacts to, in the end, delve into in the case analysis that demonstrates, in an objective way, the novelty composition game that the Christian author uses, mixturing past and present. Therefore we conclude, along with the contribution of Cultural History, the method of the New Scandinavianistic and Written Culture, that literary force shapes the imaginarium, helps condemnation of the pagan and increases the fringes of Christianity.
Keywords: Sagas of Icelanders. Writing Culture. Demonization.

RESUMEN
Este presente trabajo busca analizar a través de la comprensión de la cultura escrita de la Islandia Medieval el proceso de construcción del imaginario de demonización del pagano, centrado en las representaciones literarias puestas en la Brennu-Njáls saga (siglo XIII). Analizamos, como las tres fases de cristianización de la Escandinavia, penetran paulatinamente en los regímenes de la sociedad a tal punto que la literatura se torna un instrumento de consolidación y ampliación del Cristianismo, posibilitando así una nueva dinámica en el ámbito de la cultura escrita, culminando en el surgimiento de las sagas de islandeses - Íslendingasögur. Sin embargo, percibimos como estas narrativas literarias producidas en la tercera y última fase de cristianización (siglos XII-XIV) estarán arraigadas de una óptica cristiana en su texto, que buscaban subvertir la moral pagana y demonizar los sujetos de fe antagónica a cristiana. En este sentido, vemos el juego con el pasado, donde estas narrativas producidas entre los siglos XII y XIV, exploran narrar elementos ocurridos en las dos primeras fases de la cristianización, entre los siglos IX y XI. Tal elemento permite que posamos ver como una óptica cristiana busca remodelar el pasado ocurrido dentro de una narrativa literaria, buscando construir una representación colectiva, o sea, un imaginario, que favoreciera el cristiano, usando por muchas veces una demonización del pagano, una destrucción de su moral, un destronamiento de sus dioses, así como una derrota en las “disputas mágicas” hechas por estas creencias en disputa. Sin embargo, tenemos un escenario de análisis que busca comprender la formación de un imaginario dentro de una narrativa literaria como instrumento del Cristianismo para confirmarse en la región de Escandinavia y especialmente de Islandia, todo alrededor de los cambios en el escenario de la cultura escrita. Nuestra investigación va en dirección a estos puntos, al analizar la formación cultural de la Escandinavia y de la Islandia, así como su proceso de cristianización y sus elementos para confirmar tal dominancia, cambios y composiciones del mundo escrito y sus artefactos culturales, para finalizar, debrucémonos en el análisis de caso que demuestra en vía objetiva la composición en el juego narrativo que el autor cristiano utiliza, jugando entre pasado y presente. Luego, concluimos, juntamente con la ayuda del aporte de la Historia Cultural, del método de la Nueva Escandinavia y de la Cultura Escrita, que la fuerza literaria modela el imaginario, auxilia en la condenación del pagano y aumenta las fimbrias del Cristianismo.

Palabras-Clave: Sagas de Islandeses. Cultura Escrita. Demonización.