O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

OS VIKINGS NOS QUADRINHOS: UMA REVISÃO HISTÓRICA


                                                                       Johnni Langer (UFPB/NEVE)



Os vikings estão na moda: na tv, no cinema, na literatura e na internet. O sucesso da figura do aventureiro nórdico também aparece na nona arte, mas não é uma novidade, pois desde os seus primórdios as histórias em quadrinhos o elegeram como um de seus principais paradigmas temáticos. A seguir concedemos algumas das principais obras quadrinísticas que se dedicaram ao tema, dando ênfase as publicadas em língua portuguesa. Não é uma listagem completa de toda a produção até nossos dias.





   





1. Príncipe Valente.
Um dos grandes clássicos da nona arte: desenho belíssimo, sequências formidáveis e uma narrativa envolvente, criada pelo genial Hal Foster em 1937. A série funde História Medieval com fantasia, deste modo, personagens reais circulam entre seres fantásticos, paisagens fidedignas se mesclam a seres como dragões e outras criaturas. Ao mesmo tempo em que são os heróis (na figura do protagonista), também são vilões – foi uma das principais propulsionadoras do estereótipo do guerreiro viking: com seus chifres e equipamentos imaginários, beberrão, irreverente e intrépido. A fusão de personagens e datas em um mesmo e anacrônico período também acabou sendo um modelo para o cinema até os anos 1960: no início da alta Idade Média, vikings encontram-se com o rei Artur em uma sociedade totalmente feudalizada. Recebeu várias versões ao cinema, sendo a mais famosa a de 1954. O quadrinho foi tema de uma dissertação de mestrado em História Comparada pela UFRJ: Entre luzes e trevas: o Príncipe Valente e as representações políticas e civilizacionais nos quadrinhos, de autoria de Carlos Manoel de Hollanda Cavalcanti (veja aqui).




  



2. Asterix e os normandos.

Um dos quadrinhos franceses mais famosos, o gaulês Asterix recebeu a visita dos nórdicos em 1967, no álbum Asterix et les Normans, com várias traduções brasileiras. Como em grande parte da coleção, o humor, a ironia e o cômico histórico fazem parte desta narrativa, mas também não faltam os estereótipos, presentes especialmente na figura do viking portador de grande quantidade de crânios (para beber, para uso em amuletos, etc). Recebeu uma adaptação cinematográfica em 2006, de grande sucesso. A principal novidade do filme em relação ao quadrinho original foi a inclusão de uma personagem feminina, Abba.





  



3. Os vikings (coleção A descoberta do mundo).

Integrante de uma famosa coleção francesa de 1981 (com nomes de peso como Hugo Pratt, Guido Crepax, Sergio Toppi, Enrique Sió, Sergio Toppi, entre outros). O álbum e a coleção como um todo, se diferencia pelo seu forte caráter histórico, uma espécie de História Universal aos moldes da historiografia dos Annales em forma de quadrinho. O álbum sobre vikings possuí duas narrativas: a primeira, Drakkars a leste, reconstituí a trajetória dos nórdicos no mundo eslavo, com o maravilhoso traço de Eduardo Coelho e argumento de Jean Ollivier. A segunda, Os reis do mar, de José Bielsa e Jacques Bastian, descreve as expedições nórdicas no Atlântico Norte, baseada especialmente nas sagas islandesas. O ponto alto desta segunda historieta fica para a narrativa de Freydís Eiríksdóttir em Vinland, em uma de suas melhores reconstituições visuais até nossos dias.



  





4. Thorgal

Sensacional série criada em 1977 pela dupla francesa Rosinski e Van Hamme, fundindo História Medieval com fantasia aos moldes do universo de Howard Carter e algumas pitadas de ficção científica. O traço é muito colorido e as narrativas envolventes, com personagens admiráveis e belas sequências. No Brasil foram publicados os quatro primeiros álbuns (A feiticeira traída; Os três anciões do país d´Aran; A galera negra; A ilha dos mares gelados, todos pela VHD). A série atualmente conta com 34 álbuns, sendo o 35o. programado para ser lançado no final do presente ano.




  




5. Tex: A ilha misteriosa.

Curiosa produção dos quadrinhos italianos (fumetti), publicada originalmente em 1980, com o mais famoso personagem Tex. A premissa remete ao filme A ilha do topo do mundo (produção Disney de 1974), onde um grupo de caubóis encontra uma comunidade nórdica da Era Viking isolada e vivendo incólume como no medievo, em pleno século XIX. O resultado é um tanto grotesco, onde os vikings são representados como bárbaros primitivos e supersticiosos. Essa idéia de uma “cápsula do tempo” fez muito sucesso na ficção televisiva e quadrinistica, resultando em outros encontros espetaculares entre nórdicos e culturas e temporalidades diversificadas: Tarzan e os vikings (animação para a tv, 1976); a terceira versão de Jonny Quest (episódio: Alligators and Okeechobee Vikings, de 1996).



   




6. Desbravadores

Quadrinho de 2006 criado por Laeta Kalogridis e Christopher Shy, com uma bela arte sequencial, cores escuras e fortes e boas sequências de ação. A narrativa gira em torno do encontro entre os indígenas norte-americanos e os nórdicos, estes últimos vistos de forma negativa e esterotipada. O filme homônimo de 2007 conseguiu piorar visualmente ainda mais os vikings no imaginário coletivo, sendo estes muito mais seres surgidos do mais profundo inferno cristão do que colonos e exploradores do Novo Mundo...




  




7. Vinland Saga

Série de mangá japonês criado por Makoto Yukimura em 2005. As narrativas giram em torno da colonização nórdica no Atlântico Norte, mas com resultados pouco precisos. Equipamentos, cotidiano, contexto histórico e outros detalhes são superficiais ou fantasiosos. De um ponto de vista artístico, a obra também é muito inferior a outros quadrinhos japoneses de teor histórico, como a série Lobo Solitário, de Koike e Gojima.




https://skoob.s3.amazonaws.com/livros/249188/NORDICOS_02_DONZELAS_DE_ESCUDO_1340976214B.jpg    




8. Northlanders (Nórdicos)
Excelente série norte-americana criada por Brian Wood em 2007, com diversos ilustradores e várias narrativas. Para uma visão histórica detalhada da coleção traduzida no Brasil, ver a resenha inserida no boletim Notícias Asgardianas n. 1, páginas 15-19 (clique aqui)


Em especial, a história “Donzelas de escudo” recebeu um artigo analítico pela revista Roda da Fortuna (Guerreiras na Era Viking? clique aqui)




 



9. Hagar
Um dos quadrinhos cômicos mais famosos de todos os tempos, criado por Dik Browne em 1973. Mais do que reconstituir os nórdicos da Era Viking, a série ironiza o estilo de vida e a sociedade norte-americana, com resultados formidáveis e fazendo muito sucesso até nossos dias. A série recebeu uma dissertação de mestrado em História pela PUC-SP: O humor e a crítica em Hagar, de Fabio Antonio Costa (clique aqui).