O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

SEPULTURAS DE GUERREIRAS NÓRDICAS?


 

                                        Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB-NEVE-VIVARIUM)

 

Existiram mulheres guerreiras na Era Viking? Essa é a pergunta central do artigo “Warrior woman in Viking Age Scandinavia?A preliminary archaeological study. In: Analecta Archaeologica Ressoviensia, Rzeszow 2013, Vol. 8, pp. 273-309, realizado pelo pesquisador Leszek Gardela.


Ele realiza uma síntese sobre as investigações arqueológicas envolvendo sepulturas femininas com armamento até o presente momento. Em primeiro lugar, nunca foram encontradas sepulturas femininas simples (com somente um corpo) com espadas – o principal símbolo marcial na Era Viking. Em algumas sepulturas foram encontrados vestígios de machado, em outras de lança. É possível que estes objetos não tenham sido utilizados em sentido prático e marcial – machados foram símbolos do culto a Thor e as lanças a Odin (ou associadas com bastões mágicos de ritos femininos). Não podemos esquecer que sepulturas são demarcadoras de crenças em vida após a morte – a conexão entre objetos e religiosidade é muito grande.


O tipo mais comum de objetos belicosos encontrados nas sepulturas são facas e punhais dos mais variados tipos e tamanhos – algo totalmente condizente com a maioria das sagas islandesas (especialmente as sagas de família). Foram utilizadas tanto para uso doméstico e no cotidiano das fazendas, quanto para matar pessoas (mesmo por mulheres, seja por vingança ou proteção). Também foram encontrados vestígios de projéteis de arquearia – condizente com caça e defesa feminina das comunidades, não necessariamente uso em guerra.


E Gardela também alerta para a problemática da interpretação dos vestígios arqueológicos no contexto funerário – não sendo “espelhos” da vida cotidiana (reflete muito mais as estruturas sociais, políticas e religiosas da comunidade que enterrou o defunto do que a vida cotidiana do defunto em si). Assim, ele afirma que os vestígios arqueológicos ainda não podem auxiliar a definitivamente conceder um quadro afirmativo para a questão da mulher ter participado ativamente de batalhas e expedições predatórias.


Ele mesmo afirma que a questão pode ter um contexto mais definido quando forem realizados exames osteológicos em corpos nórdicos encontrados mais recentemente – como nas mulheres sármatas (pesquisa efetuada pela arqueóloga Davis-Kimball na região da Ásia Central), onde foi comprovada em exames dos ossos que elas estiveram em diretamente em batalhas (como cortes, fraturas e sinais de contusão causados por armamentos bélicos do período). Mas até o presente momento, a Arqueologia não comprova a questão para a área escandinava, que está em aberto. Gardela promete novas publicações sobre o tema para 2016.


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