O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


domingo, 4 de agosto de 2013

O NEVE EM EVENTO DA UNESP-FRANCA

O grupo NEVE participará de mais um evento relacionado aos estudos medievais. Desta vez, trata-se do XIII CICLO DE ESTUDOS ANTIGOS E MEDIEVAIS E V CICLO INTERNACIONAL DE ESTUDOS ANTIGOS E MEDIEVAIS DO NÚCLEO DE ESTUDOS ANTIGOS E MEDIEVAIS, promovido pelo NEAM DA UNESP CAMPI ASSIS/FRANCA, a ser realizado de 19 a 23 de AGOSTO. Os membros do NEVE participarão de duas sessões de comunicações e serão responsáveis por dois mini-cursos. 
As sessões: 8: ESPECIFICIDADES SOBRE ESCANDINÁVIA E INGLATERRA MEDIEVAIS, Local: Sala 23, Dia: 21/08/2013 – Quarta-feira, Hora: 14:30 às 16:30 E SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 3: ESTUDOS SOBRE O GÊNERO FEMININO NA ANTIGUIDADE E NO MEDIEVO, Local: Sala 22, Dia: 20/08/2013 – Terça-feira, Hora: 14:30 às 16:30.
A seguir, os resumos das comunicações a serem apresentadas neste evento:





AS VOZES DAS SAGAS: UMA VISÃO SOBRE A PROBLEMÁTICA DOS ESTUDOS DAS SAGAS
André Araújo de Oliveira (Mestrando em História na UFMA/NEVE, Bolsista da Capes)

A Era Viking se iniciou, segundo a tradição historiográfica, em 793 com o saque ao mosteiro de Lindisfarne e se encerrou em 1066 com a batalha de Hastings. Contudo isso é uma construção didática, e não podemos delimitar a influência Viking a esse curto período. As influências da “Era Viking” ultrapassam esses limites temporais e se estendem pela Escandinávia medieval. As sagas islandesas são uma das principais fontes de estudo da Escandinávia medieval. São fontes escritas normalmente posteriores aos fatos narrados, sendo assim originária de uma tradição oral contemporânea a sua produção. Essa problemática, da temporalidade das sagas e o contexto de análise e produção, deixa o seu estudo com várias armadilhas e incógnitas, que buscaremos contemplar nessa breve análise. Buscaremos uma possível metodologia para o estudo das sagas por meio do uso da reflexão de Bakhtin no qual se compreende o discurso/enunciado como um produto social, e assim deve ser compreendido como um resultado da plurivocidade do seu discurso. 


LOBOS, ECLIPSES E RAGNARÖK: ALGUMAS INTERPRETAÇÕES ETNOASTRONÔMICAS DA ESCATOLOGIA ESCANDINAVA PRÉ-CRISTÃ
Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

O presente trabalho tem como principal objetivo tentar explicar o surto escatológico que ocorreu durante o século X na Escandinávia e Europa Setentrional, de temas relacionados a imagens do Ragnarök, provindas essencialmente da mitologia nórdica pré-cristã. Nossa hipótese básica é que ocorreram diversos fenômenos astronômicos durante os séculos VIII e IX (eclipses totais do sol e passagens de cometas, ambos relacionados à constelação da Boca do Lobo – as Hiades) que despertaram no homem nórdico seus temores escatológicos, originando a grande quantidade de fontes imagéticas próximas do ano mil. Nossa principal metodologia é a Etnoastronomia, conjugada com as perspectivas da história cultural dos mitos.


A GUERREIRA NÓRDICA: MITO E LITERATURA NA ESCANDINÁVIA MEDIEVAL
Profa. Ms. Luciana de Campos (GIEM-UFPB/NEVE)


Nas últimas décadas foi crescente o interesse de pesquisadores pelo estudo da literatura medieval ocidental, principalmente, no que diz respeito à sociedade e a literatura escandinava. A literatura escandinava produzida na Idade Média Central (séculos XII a XIII) na região onde hoje, localiza-se, a Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia, vai apresentar narrativas que mostram muitos pontos em comum com a literatura produzida na mesma época no restante da Europa. Elegemos como objeto, A Saga de Hervor pertencente a um conjunto de narrativas literárias que em islandês são classificadas como Fornaldosögur, sagas lendárias, que como já foi dito, narra acontecimentos passados há tempos e em alguns momentos são permeados por elementos fantásticos que conferem à esse tipo de narrativa especificidades que a diferenciam das outras narrativas produzidas na mesma época. Nessa comunicação iremos propor uma análise tanto da obra literária – a Saga de Hervor - como do tema – o mito da mulher guerreira, pois o estudo específico desse tema da literatura escandinava medieval fascina, a tanto o público leitor como os “autores” da literatura ocidental desde a Antiguidade até a contemporaneidade.



RITOS GUERREIROS ENTRE OS ESCANDINAVOS: uma comparação entre as saga islandesa, crônica bizantina e cultura material da Europa setentrional.
 Pablo Gomes de Miranda (Mestrando em História UFRN/NEVE)

O presente trabalho tem como objetivo traçar comparações entre os relatos marciais das sagas islandesas sobre o rei Haraldr Harðraða e as crônicas bizantinas de Leo Diaconus, com a cultura material do norte da Europa. Nosso objetivo é levantar hipóteses acerca de uma continuidade de costumes ritualísticos pré-cristãos entre os escandinavos. Haraldr Harðraða após fugir da batalha de Stiklarstaðir (1030) integra a guarda Varegue, um grupo de mercenários utilizados pela aristocracia bizantina para a proteção pessoal e patrulhamento dos Mar mediterrâneo. Com as riquezas adquiridas durante a permanência nessa guarda, Haraldr Harðraða financia seu caminho para o trono da Noruega, vindo a pleitear a posse dos reinos da Dinamarca e Inglaterra, morrendo na batalha da ponte de Stamford (1066). As sagas narram a vida um rei impetuoso, para analisar melhor tal representação vamos comparar esses relatos com os escritos de Leo Diaconus, cronista bizantino que descreve os costumes guerreiros dos Rus’, tribo de escandinavos suecos. Para reforçar nossas comparações, também apontaremos representações marciais em elmos e folhas de metal em achados da Europa setentrional que reforçam uma conclusão em torno da sacralidade do exercício guerreiro entre os escandinavos.



DEPÓSITOS RITUALÍSTICOS E OS APONTAMENTOS DOS CULTOS NOS SALÕES DA ESCANDINÁVIA
Munir Lutfe Ayoub (Mestrando em História pela PUC-SP) 


Pretendemos em nosso trabalho a compreensão dos locais de culto da Escandinávia pré-cristã da Idade do ferro pré-romana ao período Viking, utilizaremos para tanto os resquícios materiais que nos apontam as atividades cultuais desse povo em seus diferentes períodos. Cultos que por definição teórica se definem como as tentativas dos homens de se aproximarem e se comunicarem com as outras esferas do mundo, com as esferas do sagrado. Para analise dos resquícios arqueológicos precisamos compreender que nem todos os depósitos encontrados podem ser considerados como depósitos votivos, pertencentes a um contexto ritual, existem outros depósitos que podem ser encontrados. Além dos depósitos rituais podemos encontrar os depósitos funerários e os depósitos que foram feitos em épocas de crise e guerra, tendo o objetivo de serem revistos pelos seus donos.  Assim passou-se a atribuir aos depósitos encontrados em pântanos a característica de pertencimento aos ritos, uma vez que os depósitos feitos nesses locais saem de um contexto funerário e se localizam em um contexto de impossibilidade de reaver os objetos depositados. No entanto arqueólogos como Lotte Hedeager acreditam em uma necessidade de se analisar mais do que a conexão direta entre o local e o objetivo desses depósitos, lançando mão assim de uma metodologia que pretende também a analise de uma padronização dos depósitos de rito, tornando-os assim indícios de uma atividade regular. Metodologia que utilizaremos na delimitação dos locais de culto no mundo Escandinavo pré-cristão. Questão que cresce no decorrer da analise das fontes, passando pela Germânia de Tácito, que delimita os espaços naturais como próprio dos cultos germânicos da idade do ferro romana, e da Gesta Hammaburgensis ecclesiae pontificum de Adam de Bremem, que delimita os salões como espaços dos locais de culto em Uppsala no período Viking. Questão de modificações temporais/espaciais no culto escandinavo que procuramos analisar pela única fonte direta desse mundo, as fontes materiais. 


CURSOS MINISTRADOS POR MEMBROS DO NEVE DURANTE O EVENTO:

Minicurso 3: Entre Copos, Taças e Cornos: As Interpretações Imagéticas do Consumo de Bebidas na Filmografia sobre Antiguidade e Idade Média
Local: Sala 14
Hora: 8:00 às 10:00
Dias: 20, 22 e 23 de agosto
Ministrante: Profa. Ms. Luciana Campos (GIEAM-UFPB/NEVE)

Minicurso 7: Imagens Detratoras, Imagens Heróicas: A História dos Vikings no Cinema e TV
Local: Sala 21
Hora: 17:00 às 19:00
Dias: 20, 22 e 23 de agosto

Ministrante: Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB – Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos)