O grupo interinstitucional NEVE (NÚCLEO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS, criado em 2010) tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Parceiro internacional do Museet Ribes Vikinger (Dianamarca), Lofotr Viking Museum (Noruega), The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA), Reception Research Group (Universidad de Alcalá) e no Brasil, da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) e PPGCR-UFPB. Registrado no DGP-CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

domingo, 9 de julho de 2017

III Ciclo de Debates do NEVE: Religião e Guerra em Game of Thrones



III CICLO DE DEBATES DO NEVE: RELIGIÃO E GUERRA EM GAME OF THRONES

 31 de julho de 2017, 14h, Auditório do Centro de Educação da UFPB.
Inscrições gratuitas no local, durante a atividade (com direito a certificado).

 Coordenação: Prof. Dr. Johnni Langer (PPGCR-UFPB/NEVE)
- Clausewtiz, Lind e Hammes: é possível uma teoria política da guerra em Game of Thrones? - Prof. Dr. Augusto Teixeira Júnior (PPGCPRI-UFPB).


- Por todas as noites que estão por vir: fortificação, logística e suprimentos da Patrulha da Noite - Me. Pablo Gomes de Miranda (PPGCR-UFPB/NEVE).

- A Fé dos Assassinos: A religião do Deus de Muitas Faces - Me. Leandro Vilar (PPGCR-UFPB/NEVE).

- Seriam os Greyjoy vikings? Uma análise do post mortem em Game of Thrones - Me. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE).
 

Entrevista com Régis Boyer



Recentemente falecido, o escandinavista Régis Boyer recebeu diversas entrevistas durante a sua vida acadêmica. O NEVE republica uma de suas entrevistas para o NA.


ENTREVISTA COM RÉGIS BOYER
 
Entrevistado por Claudine Despax e Aurore Guilhamet durante o festival "Les Boreales" em Caen, França, 2008. Tradução de André de Oliveira para o boletim Notícias Asgardianas n. 4, 2013.



Qual é o elemento chave que fez o senhor mudar para o estudo dos Mundos Nórdicos?
Régis Boyer: Quando eu era estudante eu tinha duas formações, Filosofia e Letras Então com 27 anos eu tive que lutar na Guerra da Argélia. Com o meu retorno à França, eu decidi ir para o exterior. Eu decidi ensinar na Rússia, pois já estive na Polônia e lá é um país infeliz.

Lá na biblioteca de Lotz, eu descobri as sagas em alemão. A Saga de Erik, o vermelho. Eu adorei. Eu ainda não queria voltar para a França, então eu pedi para ir à Islândia. Eu permaneci lá por três anos.

Depois de um tempo, após passagens na Suécia e Dinamarca, eu voltei para a França. Eu tinha muitos filhos que já estavam ficando adultos. Então eu preferi voltar para casa para que eles tivessem uma educação correta.


Na França, o senhor então continuou a estudar os Mundos Nórdicos?
Regis Boyer: Eu fiz uma tese na Islândia sobre as sagas Sturlungar e os mitos vikings. Eu então sucedi Maurice Gravier nos embrionários Estudos Escandinavos. Isso era fascinante para mim: Todos esses idiomas, uma literatura inacreditável... Existia um incrível campo a descobrir.

Eu criei um instituto de língua escandinava, e eu comecei as traduções. Existiam pessoas extraordinárias para conhecer: eu lancei as coleções e filiais do meu instituto em toda a França.

 

Mas porque esse apego em particular a Escandinávia?
Regis Boyer: Eu não posso explicar esse interesse. Era um território novo. Existia tanto para criar. Era o meio ideal da divulgação do conhecimento. E eles são pessoas simpáticas. Eles recebem você, te ajudam. Eles não estão acostumados com o nosso interesse neles.

 

Qual é seu papel na disseminação desse tipo de conhecimento?
Regis Boyer: Meu trabalho de Escandinavista é bipolar. Eu devo simplificar meus conhecimentos e fazer um trabalho de desmistificação, pois muitos franceses possuem ideias fixas e falsas. Este trabalho começou há mais de meio século e ainda tem muito a ser feito.


Qual é o local da Islândia neste mundo escandinavo?
Regis Boyer: A Islândia já é, fisicamente, separada. Além disso, os islandeses não são escandinavos puros. Eles descenderam de uma mistura de escandinavos com celtas. Um melting-pot causa normalmente civilizações muito interessantes, como temos visto também na Córsega ou Sardenha.

Eles então desenvolveram uma cultura única, com uma rica literatura. Desde a Idade Média a insularidade e o isolamento tornaram a Islândia um verdadeiro depósito de antiguidades nórdicas, por meio das Eddas. Então eles se especializaram na poesia escáldica e criaram as sagas. Eles traduziram em sua língua tudo que era publicado no exterior. E eles desenvolveram seu próprio idioma, que é o equivalente do latim para as línguas romanas, e que não mudou faz 1000 anos.


Desde a Independência, que mudanças o senhor viu?
Regis Boyer: Depois da Independência, houve uma tremenda explosão. Islandeses foram americanizados. Com Eric Boury, nós lutamos para que eles continuassem a escrever em Islandês. Eles se modernizaram de forma incrível. Eu vivi na Islândia de 1960 a 1963. No ano passado a Islândia era um dos lugares mais caros do mundo, apesar de que em 1960, a coroa era sem valor. Mas hoje, eles atravessam uma crise sem precedentes.


E sobre sua herança cultural?
Regis Boyer: Os Dinamarqueses fizeram o favor de roubar os manuscritos representando a memória do norte. Eles conseguiram com a ajuda de Árni Magnússon. Todos os manuscritos estão então na Dinamarca.

Quando eles reconheceram a independência, os islandeses assumiram que os dinamarqueses roubaram os manuscritos e requereram o seu retorno. E a Dinamarca concordou com a condição desde que os islandeses construíssem um instituto para a preservação e auxílio à pesquisa.

 
E como ela funciona?
Regis Boyer: Vigdís Finnbogadóttir costumava dizer: "Nós não temos catedrais, castelos ou palácios, mas nós temos as sagas." A pesquisa é intensa, e muito ativa. Islandeses realmente se preocupam com seus manuscritos.

Infelizmente, os Anglo-saxões têm as mãos neles, especialmente os americanos.

 
E a Europa?
Regis Boyer: O trabalho de esclarecimento ainda não terminou. Os franceses cultos sabem o que é a Edda, Poesia Escáldica, sagas, os poetas atômicos*, Laxness**... Mas ainda há muito a fazer... Existem esforços ainda a fazer na Pan-Escandinávia em geral, especialmente com a rica literatura dinamarquesa. Uma literatura que abrange a Europa e a Escandinávia.

Na Noruega e Suécia, o campo ainda é vasto. Eu encabeço um programa de divulgação dessas quatro culturas. Mas nós ausentamos público. Nós não tocamos aquela audiência elitista.

 
O que você pensa que causa a euforia atual em torno da literatura islandesa?
Regis Boyer: No momento, existe um modismo como sentido guiador. Eric Boury tem divulgado escritores muito bons, mas há melhores. Eles podem aproveitar isso.

 
NOTAS:

*: "poetas atômicos" é uma referência a um grupo de poetas modernistas da Islândia do século XX (nota da equipe editorial).
**: "Laxness" é uma referência ao escritor islandês Halldór Kiljan Laxness, famoso durante o século XX (nota da equipe editorial).

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Lançamento: Estudos Nórdicos Medievais, Roda da Fortuna 6(1), 2017

https://www.revistarodadafortuna.com/2017-1
 
 
 
Foi lançado o dossiê Estudos Nórdicos Medievais na Roda da Fortuna 2017-1: a maior coletânea escandinavista já realizada em um período acadêmico de língua portuguesa (12 artigos e 1 ensaio historiográfico).
 
Conteúdo:
 
Estudos Nórdicos Medievais: alguns apontamentos historiográficos
Johnni Langer
​
Typologies of the medieval cultural border
Steffen Hope
​
Recognizing a dvergr: Physical Status and External Appearance of dvergar in Medieval Nordic Sources (8th–13th century)
Ugnius Mikučionis
​
Gender and Subversion in Medieval Icelandic Legend and Saga
Andrew McGillivray
​
Cazadores del Norte, Guerreros del Sur: relaciones entre vikingos y sami en la Escandinavia Alto Medieval
Alberto Robles Delgado & José Abellán Santisteban
​
Shapeshifting in Old Norse-Icelandic Literature
Lyonel D. Perabo
 

Da suposta noiva que comia demais. Uma proposta de análise da alimentação na Þrymskviða
Luciana de Campos
 

Violence and judicial-legislative system in Viking Age Iceland
Pablo Barruezo Vaquero, Iris Baena Jiménez, José Mª Martín Civanto
​
The Context of Christianity and the Process of Composition of the Prose Edda
Rafael de Almeida Semêdo & Isabela Fernandes Soares Leite
 

A Caçada Selvagem de Asgard, Nacionalismo e Mito na Noruega do Século XIX: considerações sobre a obra de Peter Nicolai Arbo
Pablo Gomes de Miranda
​
Ignatius Donnelly e a teoria da fúria cósmica para o mito do Ragnarök
Leandro Vilar Oliveira & Angela Albuquerque de Oliveira
​
Sabaton: una lezione di Storia svedese a suon di metal
Azzurra Rinaldi

Para acessar a edição, clique aqui.
 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Novos mestrandos em tema nórdicos na UFPB


 
 
O Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da UFPB acaba de aprovar quatro projetos de pesquisa a nível de mestrado com temas relacionados ao mundo nórdico medieval (seleção 2017). Estes projetos se somam às pesquisas da área já defendidas no PPGCR (2 mestrados) e aos quatro em andamento (2 mestrados e 2 doutorados).




Victor Hugo Sampaio, graduado em Psicologia pela UNIVAS, Minas Gerais. 
Projeto: Diferentes sons do trovão: uma perspectiva comparativa entre os deuses Thor, Ukko e Horagalles.


Monicy Araújo, graduada em História pela UFMA, Maranhão.
Projeto: Do culto à fúria em guerra: análise da religiosidade no modo de guerrear escandinavo.


Susan Sanae Tsugami, graduada em Psicologia pela UCB, Brasília/DF. 
Projeto: Os rituais do fogo no paganismo e neopaganismo nórdico: um estudo comparado.




Mirelly Maciel Silva, graduada em História pela UEPB, Paraíba.
Projeto: História e narrativa: a construção da ideia de fim do mundo no Ragnarok na Era pré-cristã dos séculos IV ao XI.
 

domingo, 2 de julho de 2017

Resenha do livro Desvendando os vikings é publicada pela UNIFESP




A revista Hydra (Revista discente eletrônica da pós-graduação em História da UNIFESP) acaba de publicar a resenha a invasão viking na atual historiografia brasileira, constante do dossiê História e Literatura (edição 2/3, junho 2017).
 
A resenha aborda a publicação Desvendando os vikings: estudos de cultura nórdica medieval, organizada por Johnni Langer e Munir Lutfe Ayoub (Editora Idéia, 2016).


A resenha pode ser acessada clicando aqui.
 
Para acesso gratuito ao livro Desvendando os vikings, clique aqui.
 



sábado, 1 de julho de 2017

Portugal publica resenha do Dicionário de Mitologia Nórdica

 
 
A revista Medievalista em sua edição n. 22, julho-dezembro de 2017 (Instituto de Estudos Medievais, Universidade Nova de Lisboa) acaba de publicar uma resenha do Dicionário de Mitologia Nórdica (São Paulo, Hedra, 2015).
 
A resenha pode ser acessada aqui.
 
 
 
O Dicionário de Mitologia Nórdica pode ser adquirido pelo site da Livraria Cultura, clique aqui.